- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Argentina encerra safra 24/25 acima de 50 milhões de toneladas;
- Boas condições de lavouras nos EUA nos EUA;
- Clima favorável nos EUA.
- Fatores altistas
- Queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Aprovação do crédito 45Z nos EUA, que deve favorecer o óleo de soja;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil.
As cotações da soja em Chicago terminaram a semana passada em alta, antes do feriado da Independência nos EUA, na sexta-feira (dia 04), num ajuste de posições e numa espécie de preparativo para a entrada em vigor do tarifaço de Trump, que foi adiado por três meses. O vencimento para agosto encerrou o período com ganhos de 2,2%, em 1055,5 cents por bushel.
Contudo, no momento, os EUA estão buscando acordos com parceiros comerciais e foi anunciando que uma taxação geral e mais ampla foi adiada novamente para 01 de agosto, caso as negociações não avancem. Foi anunciado que seriam enviadas cartas aos países notificando que se não avançarem os acordos, o nível tarifário anunciado em 02 de abril entrará em vigor no começo do próximo mês.
Tratando-se especificamente dos fundamentos do mercado de soja, a divulgação dos relatórios de área plantada e de posição dos estoques dos EUA era muito aguardada. A área plantada da safra 25/26 ficou em 33,74 milhões de hectares, nível muito próximo do divulgado nas intenções de plantio em março, em 33,79 milhões, e levemente abaixo da média das expectativas do mercado, que estavam em 33,85 milhões de hectares. Destaca-se que esse resultado foi o mais próximo da média das estimativas do mercado desde 2018.
Já a posição dos estoques da safra 24/25 em 01 de junho ficaram em 27,42 milhões de toneladas, um pouco acima do esperado pelo mercado, em média, que era de 26,67 milhões. Esse resultado indica um consumo um pouco abaixo do que se vinha projetando, mas os impactos sobre os preços acabaram sendo limitados, com o mercado acompanhando as políticas de biocombustíveis nos EUA.
O congresso norte-americano aprovou a extensão do crédito fiscal 45Z até o final de 2029, mantendo medidas consideradas benéficas para o óleo de soja e, consequentemente, para o esmagamento do grão do país. Foram eliminadas as penalidades por mudanças do uso indireto da terra (ILUC), o que permite que o óleo de soja receba créditos similares a outras matérias-primas com menor intensidade de carbono. Aumentou-se o crédito para pequenos produtores, além da permissão de que haja venda de créditos fiscais para outras empresas em troca de compensação financeira. Houve também a redução do crédito máximo possível para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Essas medidas devem entrar em vigor no próximo ano.


No Brasil, as exportações de soja alcançaram 13,4 milhões de toneladas em junho, 500 mil toneladas a menos que o registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado desde janeiro, os embarques de soja alcançam quase 65 milhões de toneladas. Os basis nos portos brasileiros continuam fortalecidos mesmo com a colheita de uma safra recorde. A StoneX elevou a produção de soja 24/25 do Brasil para 168,75 milhões de toneladas em sua última revisão, aumento de 500 mil toneladas devido a um ajuste de produtividade na Bahia.
Na Argentina, a colheita da soja está finalizada, com a Bolsa de Buenos Aires indicando uma produtividade média nacional em 2,97 toneladas por hectare, confirmando a produção de 50,3 milhões de toneladas. Pelo lado da demanda, por mais que o país esmague a maior parte de sua soja e concentre as exportações nos derivados, farelo e óleo, os embarques do grão estiveram mais aquecidos, antes do aumento das retenciones, em 01 de julho. A taxa sobre as exportações da oleaginosa foi elevada de 26% para 33% no começo deste mês. Além disso, os embarques de farelo e óleo também foram reforçados, uma vez que as retenciones sobre esses produtos subiram de 24,5% para 31%. Segundo a Bolsa de Rosário, em junho, os exportadores argentinos registraram vendas de 6,1 milhões de toneladas de soja em grão e seus derivados, 22% acima da média de cinco anos.
Nesta semana, as atenções devem se voltar para possíveis anúncios de acordos comerciais pelo governo norte-americano, além da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA. O relatório de julho incorpora a área plantada dos EUA divulgada no dia 30 de junho e, usualmente, não traz ajustes de produtividade, que começam a ocorrer a partir de agosto.
As condições climáticas nos EUA têm se mostrado favoráveis ao desenvolvimento da safra 25/26, com o percentual bom/excelente das lavouras em 66% de acordo com os números do USDA em 29 de junho. Neste último final de semana prolongado nos EUA, foram registradas boas chuvas nas regiões de planícies e no oeste do Meio Oeste, com destaque para áreas de Iowa, Minnesota e Wisconsin. Uma condição mais seca ainda permanece em partes de Illinois, Indiana e Michigan. Nesta semana, as chuvas mais significativas devem continuar ocorrendo no norte das planícies, no oeste do Meio Oeste e na região do Delta.








