- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Argentina encerra safra 24/25 acima de 50 milhões de toneladas;
- Boas condições de lavouras nos EUA nos EUA;
- Clima favorável nos EUA.
- Fatores altistas
- Queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Aprovação do crédito 45Z nos EUA, que deve favorecer o óleo de soja;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil.
As cotações da soja subiram na semana passada em Chicago, numa movimentação técnica e com o otimismo relacionado aos biocombustíveis nos EUA. O vencimento para agosto terminou a sexta-feira (dia 18) em 1027,75 cents por bushel, alta de 2,3% no período. Por outro lado, as boas perspectivas para a oferta do grão, com o bom andamento da safra norte-americana continuaram limitando ganhos mais expressivos.
O óleo de soja continua encontrando suporte nas perspectivas de aumento dos mandatos nos EUA a partir do ano que vem, situação que vai puxar o esmagamento de soja no país. Por outro lado, os preços do farelo de soja seguem mais pressionados, uma vez que, com o aumento do esmagamento para atender a demanda por óleo, a oferta do farelo também vai crescer e não se espera que o consumo avance na mesma velocidade. Além disso, a Argentina deve esmagar volumes usuais de soja, exportando quantidades importantes de farelo e o Brasil também tem aumentado os embarques do derivado proteico. Com isso, a competição pela demanda externa também deve ser grande, à medida que o óleo é cada vez mais usado para biocombustíveis.
Outro ponto em relação ao óleo é a questão da demanda para alimentação, que está no radar nos EUA. Existe a preocupação de uma competição entre os dois usos, à medida que o setor de biocombustíveis se expande, considerando também que há diferenças entre os dois setores. O segmento alimentício utiliza óleo refinado e mesmo que os EUA aumentem as importações de óleo, o produto ainda precisaria ser refinado internamente, num momento em que o setor está cada vez mais verticalizado para atender a demanda para biocombustíveis, que não tem essa necessidade de refino. Dessa forma, há preocupações também no segmento de refino de óleo.
Os dados da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA) continuam indicando estoques de óleo de soja mais baixos nos EUA, em 619,6 mil toneladas em junho, o que sinaliza uma demanda aquecida. Já o esmagamento ficou em 5,05 milhões de toneladas no último mês, nível levemente acima da média das estimativas do mercado, com o nível processado na safra 24/25 devendo ficar próximo da estimativa do USDA, em 65,86 milhões de toneladas.


De qualquer forma, por mais que o óleo de soja esteja no centro das atenções, o mercado do grão continua sem grandes novidades, com o bom andamento da safra norte-americana limitando ganhos expressivos nas cotações, pois, caso as estimativas atuais sejam confirmadas, o balanço de oferta e demanda global continuaria sem restrições.
O acompanhamento de safra do USDA, referente à semana encerrada em 13 de junho trouxe uma melhora das condições das lavouras norte-americanas 25/26 acima do que se esperava, com o percentual bom/excelente subindo para 70%, superando a média de cinco anos e o registrado nesse mesmo período de 2024.
A soja dos EUA ainda passará pela fase de enchimento de grão, concentrada em agosto e que é determinante para a produtividade. Contudo, por enquanto, o clima não tem trazido maiores ameaças. As condições de umidade melhoraram em Iowa e Illinois, que são os maiores produtores do país. As previsões para os próximos dez dias indicam chuvas mais concentradas no norte do cinturão agrícola do país, com o clima continuando sempre no radar.
No Brasil, as exportações de soja entre os dias 7 e 11 de julho alcançaram 2,4 milhões de toneladas, com o total desde o começo do mês em 4,3 milhões. Desde janeiro, já foram embarcadas 69,3 milhões de toneladas de soja brasileira, com perspectivas de que mesmo no segundo semestre as exportações continuem aquecidas, após o recorde de produção. O mercado acompanha a evolução cambial, com destaque para as tensões comerciais com os EUA, já que a desvalorização do real tende a beneficiar a competitividade da soja brasileira em relação à norte-americana. Como os EUA devem colher uma safra favorável, no final do ano, as exportações brasileiras, mesmo que menores, podem concorrer com o produto norte-americano, quando o país tem seu melhor período de embarques.
Nessa semana, as atenções devem continuar centradas no andamento da safra dos EUA, além das tensões geopolíticas com o governo norte-americano.








