- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Melhora das condições de safra na Argentina;
- China taxa soja norte-americana em 10%;
- China taxa canola e derivados canadenses.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Safra do Rio Grande do Sul muito impactada pelo clima;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- StoneX corta safra brasileira para abaixo de 170 milhões de toneladas.
As cotações da soja em Chicago estiveram mais pressionadas na semana passada, diante da entrada em vigor da taxação da soja norte-americana pela China, enquanto o mercado também acompanha o andamento da safra da América do Sul. O vencimento para maio encerrou a sexta-feira (dia 14) em 1016 cents por bushel, queda de 0,9% no período.
Como ressaltado no relatório anterior, a China impôs uma tarifa de 10% sobre a soja norte-americana, que entrou em vigor na semana passada. Essa taxa prejudica a competitividade do grão dos EUA, favorecendo a compra de soja brasileira pela China, ainda mais nesse momento de colheita de uma safra muito grande na América do Sul.
Destaca-se, também, que a China anunciou tarifas sobre produtos canadenses, em retaliação à taxação de veículos elétricos chineses, aço e alumínio, o que incluiu a canola e seus derivados. Com isso, há temores de que esses produtos poderiam acabar sendo redirecionados aos EUA, aumentando a competição com a soja e o óleo de soja.


A divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA não trouxe mudanças para o balanço dos EUA, destacando que ainda não estão sendo divulgadas estimativas para a safra 25/26. O relatório de maio começa a trazer os números da safra nova. Para as safras brasileira e argentina, o USDA também não promoveu mudanças, com a produção 24/25 estimada em 169 milhões de toneladas para o Brasil e 49 milhões para a Argentina.
Para o balanço chinês, o USDA aumentou o esmagamento e, consequentemente, o consumo doméstico em 2 milhões de toneladas para a safra 24/25, mas manteve as importações em 109 milhões de toneladas, o que resultou em queda os estoques finais estimados também em 2 milhões de toneladas. Destaca-se que, por outro lado, as estimativas do governo chinês indicam que o consumo de soja do país pode recuar mais de 2 milhões de toneladas, além de o número do USDA estar mais 7 milhões de toneladas mais forte que o oficial chinês, ampliando as divergências nos números, lembrando que o USDA já vem trazendo importações chinesas de soja mais fortes que os volumes oficiais divulgados pelo país.
No Brasil, o relatório da Conab elevou a estimativa de produção de soja 24/25 em pouco mais de 1 milhão de toneladas, alcançando 167,4 milhões, destacando produtividades melhores observadas com o avanço da colheita, com recordes esperados para Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Por outro lado, a Companhia destacou as perdas no Rio Grande do Sul, com uma produtividade média estimada para o estado em 2495 kg por hectare.
Em relação à Argentina, a Bolsa de Buenos Aires continua mantendo sua estimativa para a safra de soja 24/25 em 49,6 milhões de tonelada, ressaltando a ocorrência de chuvas mais volumosas na semana passada, que se somaram às precipitações já registradas anteriormente. Houve mais uma pequena melhora das condições das lavouras, com o percentual regular/ruim caindo 1 p.p. para 26%. Por outro lado, destaca-se que a Bolsa de Rosário trouxe mais um corte na estimativa argentina de soja, que passou de 47,5 para 46,5 milhões de toneladas, ainda como reflexo da falta de chuvas em janeiro e fevereiro.
Pelo lado da demanda, as exportações brasileiras de soja estão cada vez mais aquecidas, com os dados oficiais preliminares tendo indicam o embarque de 3,1 milhões de toneladas na primeira semana de março. As expectativas, considerando dados de lineup de navios, apontam que as exportações de soja podem ficar em torno de 15 milhões de toneladas em março como um todo.
Nos EUA, as vendas de exportação na semana encerrada em 06/03 ficaram em 751,7 mil toneladas, levando o acumulado do ano safra 24/25 para 45,1 milhões. Destaca-se que o ritmo se mantém acima do necessário para se alcançar a estimativa de exportações do USDA, em 49,7 milhões de toneladas, mas, com as tarifas chinesas, o mercado exportador de soja dos EUA deve ser acompanhado de perto nas próximas semanas e meses.
Nessa semana, as questões geopolíticas ao redor do mundo devem continuar no centro das atenções, com as exportações brasileiras também no radar, além do avanço da colheita que vai consolidando o tamanho da safra por aqui.






