- Diminuição da demanda mundial;
- Preços competitivos dos trigos ucraniano e russo;
- Novos recordes mínimos dos preços do trigo-russo.
- Crescimento da posição líquida dos fundos especulativos.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Possível aumento na demanda dos mercados asiáticos.
Após um começo estável, no fechamento semanal houve uma nova desvalorização de 3,59% para o trigo em Chicago. A segunda-feira fechou com 563,75 cents/bu, e partir do dia seguinte as quedas se iniciaram, para tentar uma recuperação na sexta-feira, que, no entanto, fechou com 537,75 cents/bu. Na quarta-feira se registrou o preço mais baixo desde agosto de 2020, mostrando que o desafio continua estando na gestão dos mínimos que continuam quebrando novos recordes.
Entre as notícias mais comentadas da semana para o cereal, esteve o anúncio do cancelamento, por parte da China, de uma compra de 130 mil toneladas de trigo estadunidense, após os preços terem caído desde o início das negociações. Em relação a isso, as atualizações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para as exportações semanais, indicou que até a semana do dia 29 de fevereiro, foram vendidas 271 mil toneladas de trigo. Desta forma, houve uma redução semanal de 17% quando comparado aos envios da semana anterior. Em geral, o mês de fevereiro se manteve estável, mostrando o esfriamento da demanda em um contexto internacional de excesso de oferta.
Finalmente, o relatório WASDE de oferta e demanda do USDA, pulicado na sexta-feira, não trouxe grandes surpresas. Com leves ajustes para cima, tanto a produção como o consumo foram revisados, mostrando que a oferta mundial seria levemente superior à demanda. Alavancados neste fundamento, traders e especialistas consideram que o cenário, apesar de baixista, não deveria ser tão pessimista.


Em sentido contrário ao visto no mercado estadunidense, na Europa foi observada uma valorização semanal de 0,91%. De 192 euros/tonelada no começo de março (dia 01), o fechamento na última sexta-feira (dia 08) foi para 193,75 euros/tonelada.
Sobre a produção regional, o USDA fez um ajuste para baixo, passando de 134 para 133,65 milhões de toneladas. Desta forma, se bem haverá uma perda de potencial produtivo, mas as perdas não configuram uma redução expressiva da oferta europeia.
A semana foi marcada também pela escalada dos protestos de agricultores na Polônia, que passaram a bloquear rotas fronteiriças com a Ucrânia. O principal argumento nas manifestações é de competição desleal em relação ao cereal ucraniano, que é também utilizado por outros países na europeus. No entanto, os poloneses indicam que, pelo seu território ser uma das principais rotas logísticas para o escoamento ucraniano dos seus produtos para outros países da União Europeia, várias cargas que deveriam ir para outros países europeus acabam ficando dentro do país, pressionando ainda mais a oferta local.

A semana foi pouco movimentada no cenário do Mar Negro. O ritmo exportador da Ucrânia continuou forte, com o mês de março já contabilizando 1,3 milhão de toneladas de carregamentos de grãos até a última sexta-feira. O volume coloca o ritmo de exportação do país levemente a frente do que foi registrado no mesmo período do ano passado. Ainda assim, no agregado da safra 2023/24, o ritmo continua abaixo do que foi observado na safra anterior, impactado ainda pela dificuldade de transporte pelo corredor de escoamento de grãos do Mar Negro durante os períodos de julho e setembro de 2023. Sobre as exportações do país, o USDA revisou as estimativas de carregamentos da Ucrânia para 16 milhões de toneladas (1 milhão a mais do que na estimativa anterior) após um fevereiro com um bom desempenho, contabilizando 2,5 milhões de toneladas de trigo carregadas.
Ainda pelo lado dos fundamentos, o clima favorável na região do Mar Negro durante esse inverno do hemisfério norte tem favorecido as perspectivas de produção do cereal em algumas regiões. Na Rússia, as temperaturas estiveram de 2 a 7 °C maiores do que a média dos últimos anos durante esse inverno. Essas boas perspectivas para a produtividade da safra de inverno no país contribuíram para estimativas mais favoráveis para a exportação do país. Conforme o USDA, a Rússia deve produzir 91,5 milhões de toneladas de trigo na safra 2023/24, 500 mil a mais do estimado em fevereiro.
Do ponto de vista climático, não houve eventos que se destacaram do que já era esperado. O oeste ucraniano foi favorecido por precipitações acima do normal. No entanto, a região sudeste do país ainda enfrenta um regime climático um pouco mais seco; ainda assim, são esperadas chuvas na região ao longo desta semana, o que pode favorecer a umidade no solo desta região.
Do ponto de vista geopolítico, a semana contou com algumas atualizações importantes. A guerra no território ucraniano teve como destaque uma boa capacidade defensiva do país invadido. Na terça-feira foi reportado a destruição de um navio de patrulha da marinha russa no Mar Negro, o que representa mais uma baixa para a marinha russa no Mar Negro. Além disso, a defesa aérea destruiu 33 dos 37 drones envolvidos em um ataque aéreo russo contra a região de Odessa na noite de quinta para sexta-feira. Ainda assim, alguns bombardeios ainda ocorreram na região do porto de Odessa no começo da semana, com mísseis atingindo localidades a menos de 1 km de onde estavam o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, e o Primeiro-Ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis. Os dois chefes de estado saíram ilesos dos ataques. Por último, a pressão dos protestos dos produtores rurais na Polônia continua forte, devendo-se manter a atenção às consequências políticas da movimentação.









