- Safra russa de trigo se mantém forte;
- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Fortalecimento do dólar estadunidense.
- Rumores de cancelamentos de envios desde a Rússia;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Embora em patamares historicamente baixos, preços do trigo russo continuam subindo.
A semana foi de queda em Chicago, onde os preços do trigo apresentaram uma desvalorização semanal de 1,03%. Após fechar em 556 cents/bu na sexta-feira anterior (12/04), o preço foi para 550,25 cents/bu no último fechamento semanal. Assim, diante de importantes fatores geopolíticos, climáticos e econômicos, produtores e exportadores se mantêm atentos aos novos sinais do mercado.
Na semana encerrada no dia 19 de abril, o saldo líquido de novas vendas de trigo dos EUA ficou em -93,6 mil toneladas. Isto é resultado de uma menor demanda chinesa em relação ao mesmo período no ano passado, tendo contabilizado cancelamentos recentes de envios do cereal estadunidense. Seguindo uma tendência de baixas exportações nas semanas anteriores. Acesse o resumo das exportações semanais de grãos dos EUA clicando aqui.
A semana foi marcada por um caráter misto nas principais bolsas que avaliam a cotação do trigo nos EUA. Menores expectativas de oferta atuaram positivamente na cotação, no entanto, a alta do dólar atuou de modo contrário.
O aumento das tensões geopolíticas na região do Oriente Médio, verificadas na relação entre Irã e Israel, gerou apreensão entre os agentes do mercado. Isso ocorre devido ao risco de um possível conflito afetar a capacidade de abastecimento da demanda mundial por trigo, em razão de um cenário de restrição em uma das principais rotas de escoamento da região do Mar Negro, que passa pelo Mar Vermelho. A situação forneceu suporte aos preços do trigo nas bolsas, que deve ser melhor explorada na sessão que abordará o Mar Negro.
Em sentido contrário, a semana foi marcada por um fortalecimento do dólar. O fato refletiu, principalmente, a fala do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, de que a instituição se mantém atenta ao ritmo inflacionário aquecido na economia americana. Desta forma, deve demorar mais tempo que o previsto inicialmente para que se atinja a confiança necessária para iniciar o ciclo de cortes nas taxas de juros. A apreciação da moeda estadunidense torna os produtos menos competitivos nos mercados mundiais, o que gera expectativas negativas quanto as exportações.
A Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA) informou que, até o dia 16 de abril, 24% da safra de trigo de inverno estava localizada em uma área de seca, acima dos 18% da semana anterior. Além disso, a instituição classificou 55% da safra de trigo de inverno em condições boas a excelentes, abaixo dos 56% da semana anterior e em linha com as expectativas comerciais.


Diferentemente ao observado nos EUA, após um começo estável, o fechamento semanal foi de valorização na Europa, onde o preço aumentou 1,35%, ficando em 206 euros/tonelada.
Em uma semana marcada pelo aumento nas tensões no Oriente Médio, na segunda-feira os mercados repercutiam ataques em solo israelense, para, na sexta-feira, refletir a resposta em solo iraniano. Pela proximidade geográfica entre a Europa e o Mar Negro com os países que se encontram perto do Mar Vermelho, os mercados acionários europeus repercutiram muito mais fortemente o alerta acionado pelo conflito geopolítico. Especificamente para o trigo, esses acontecimentos se traduziram em uma alta nos preços, o que contribui para o balanço semanal positivo.
No que tange a produção, a principal atualização foi dada pelo Ministério da Agricultura francês, principal produtor de trigo da União Europeia, indicando que 64% dos grãos estavam em condições boas ou excelentes até o 15 de abril, sendo que na mesma época do ano passado, 93% da produção se encontrava nessas condições. Desta forma, a oferta francesa seria a mais baixa desde o ano 2020, onde excessos de chuvas tinham igualmente afetado a oferta do país.

A semana foi menos movimentada na região do Mar Negro. Os preços continuam estáveis no nível de US$ 215/ton, patamar mais alto do que vinha sendo observado nas últimas semanas, o que pode ter limitado quedas nos mercados internacionais nos últimos dias.
Além disso, o mercado continua atento aos embarques russos, conforme uma importante empresa exportadora teve alguns problemas em realizar carregamentos por conta de exigências fitossanitárias. Ainda assim, notícias da última sexta-feira reportaram a liberação de uma embarcação russa operada por essa empresa para enviar trigo ao Egito. Essa informação pode retomar o otimismo com os carregamentos do principal exportador do mundo, apesar de se manter como um foco de atenção ao longo dos próximos dias. De qualquer forma, todo o imbróglio, que vem sendo acompanhado com cautela nas últimas semanas, não parece ter tirado qualquer força das exportações russas, que devem alcançar 5 milhões de toneladas neste mês de abril, superando o mês de março (4,35 milhões de toneladas) e o mês de abril do ano passado (4,5 milhões de toneladas).
Os agentes também acompanham com atenção uma figura mais ampla dos conflitos geopolíticos internacionais, conforme as tenções entre Israel e Irã se desenvolvem. Uma escalada nos conflitos no Oriente Médio pode vir a impactar o andamento dos carregamentos internacionais. Ainda, a Rússia pode ser diretamente impactada por essa conjuntura, uma vez que o país é um importante aliado do Irã; um envolvimento mais direto da Rússia nas questões internacionais pode vir a motivar novas sanções ao país. Ainda assim, o mercado tende a precificar um prêmio de risco menor para os conflitos no Oriente Médio após uma resposta mais comedida de Israel no final da semana passada.
Ainda pensando no lado geopolítico, o conflito entre Rússia e Ucrânia favoreceu o lado russo ao longo da última semana, com avanços significativos de tropas, enquanto a Ucrânia tenta manter uma posição defensiva na região de Kherson. Diante desse cenário, potências ocidentais, como EUA e Alemanha aprovaram novos pacotes de ajuda ao país invadido, o que pode ser fator decisivo na guerra nas próximas semanas. Além disso, ataques russos também continuaram a atingir a infraestrutura energética e portuária na Ucrânia, aumentando os riscos de uma interrupção das exportações do país. Por último, a Polônia aprovou um pacote de ajuda aos produtores agrícolas domésticos como uma tentativa de acalmar o clima de protestos contra a importação de produtos ucranianos a preços altamente competitivos.
Do lado climático, nada mudou no comparativo semanal, com um regime relativamente mais seco no leste ucraniano e no sul da Rússia.







