- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nos EUA;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Previsões de chuva na região sul da Rússia
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preços do trigo russo continuam em alta.
Os preços futuros do trigo registraram um acumulado semanal negativo na Chicago Board of Trade (CBOT). No dia 31 de maio, o contrato de julho fechou no patamar de 678,5 cents/bu, após recuo de 2,69% nas cotações. A semana foi marcada por oscilações nos preços, entre perspectivas negativas e favoráveis à oferta mundial do cereal.
No geral, a redução foi motivada, principalmente, pelas previsões de chuva para a região sul da Rússia, além da realização de lucros entre os negociantes na bolsa. No entanto, também houve pressões altistas em alguns momentos, mais uma vez, devido às preocupações com o clima nos principais exportadores mundiais e, ainda, diante das perspectivas de importação de trigo pela Índia, após 6 anos, e do enfraquecimento do dólar ao fim da semana.
A posição russa de maior exportador mundial de trigo, por um preço competitivo internacionalmente, torna o mercado volátil aos aspectos que possam afetar a produção no país e, consequentemente, a oferta global. Assim, as condições adversas – como seca e geadas – recentes, fizeram com que consultorias locais reduzissem em mais de 10 milhões de toneladas as estimativas de safra para a região. Esta foi a principal motivação para a valorização nos preços da commodity nas últimas semanas. No entanto, na semana passada, esperanças de chuva para as regiões de seca aliviaram os ânimos do mercado e permitiram recuo nas remunerações do trigo. Diante deste cenário, muitos investidores optaram pela realização de lucros no momento, contribuindo para novas perdas na bolsa.
Por outro lado, outros exportadores, como EUA e Canadá, apresentam panoramas superiores para a safra atual, em comparação com anos anteriores. Nos EUA, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou 48% das lavouras de trigo de inverno em condições boas a excelentes. Apesar do grau inferior ao indicado na semana anterior, ainda se trata do melhor nível desde 2021. O cenário favorável nestes países deve contribuir para sustentar o estoque mundial, com a iminência das importações pela Índia e o ritmo aquecido de negociações pela China. Clique aqui para conferir o interativo completo de Acompanhamento de Safra dos EUA


A semana se caracterizou pela tendência decrescente dos preços. A segunda-feira começou com o trigo negociado em 269,00 euros/tonelada, maior alta registrada na Bolsa de Paris no último ano, e foi influenciada pelas preocupações com o suprimento russo, que paulatinamente vão levando os investidores a buscarem maiores posicionamentos futuros em outros produtores. No entanto, após esse começo promissor, o fechamento na sexta-feira foi de 259,25 euros/tonelada, o que significou uma desvalorização semanal de quase 1%.
Em relação ao principal produtor europeu de trigo, na segunda-feira passada, o Ministério da Agricultura da França indicou que 63% da safra 2024/25 se encontrava em condições boas ou excelentes, levemente abaixo dos 64% registrados na semana anterior. Se bem o resultado é celebrado como positivo, dada a alta umidade no solo causada por um dos maiores níveis pluviométricos da história, continua abaixo dos 93% do ano anterior. Assim, a produtividade final esperada para a próxima colheita se vê cada vez mais comprometida, principalmente após novas chuvas serem anunciadas para as próximas semanas.
Apesar desta possível diminuição, tanto na quantidade como na qualidade, se espera que as perdas estimadas para a produção russa possam abrir espaço para outros produtores importantes, entre eles a União Europeia, que poderiam passar a recuperar parte do mercado que foi absorvido pela competitiva oferta russa e ucraniana. Desta forma, as próximas semanas serão importantes para ir definindo a produção na região do Mar Negro, assim como para mostrar se efetivamente vai se diversificando o mercado de futuros do cereal europeu.

Os fundamentos vindos da região do Mar Negro foram, por mais uma semana, essenciais para determinar a trajetória dos futuros do trigo no mercado internacional. O regime climático continua castigando regiões produtoras, com falta de chuvas e geadas sendo registrados na região sul da Rússia. O fato, que vem sendo acompanhado já há algumas semanas, ganhou mais força ao longo dos últimos dias conforme algumas consultorias russas vieram realizando revisões em suas estimativas para a oferta de trigo russo. Os números mais recentes apontam para uma produção que deve se colocar entre 81 e 82 milhões de toneladas, contra uma expectativa que era de +90 milhões de toneladas algumas semanas atrás. A expectativa de oferta menor veio suportando as cotações internacionais, seguindo o preço FOB do cereal russo, que está na casa dos US$255/ton, após ter sido negociado a US$200/ton entre fevereiro e março deste ano. Nesse cenário de pressões altistas nos fundamentos do trigo, um movimento de cobertura de posições vendidas também pode estar ajudando a fornecer suportes. Fato é que os agentes querem evitar estar vendidos em um momento tão particular para a oferta dos principais países exportadores. Ainda assim, expectativas de chuvas no pregão de sexta-feira trouxeram um alívio para as altas, forçando o fechamento semanal negativo nas bolsas dos EUA e Europa, fato que ainda deve ser monitorado quanto à sua capacidade de entregar uma produtividade de fato maior.
Outro fator que pôde estar trazendo efeitos positivos sobre o trigo é a expectativa de que a Índia possa voltar a ter o papel de importador nos próximos meses. A Reuters noticiou que o país asiático pode suspender sua taxa de importação, de 40%, no segundo semestre deste ano. A relevância dessa notícia para o mercado de trigo no mar negro se relaciona à expectativa de que a maior parte dos 3 a 5 milhões de toneladas de trigo que o país importará deve vir da Rússia, principalmente se pensarmos que se trata de um período em que haverá a entrada da safra de inverno russa no mercado. Esse movimento de compra indiano vem na esteira de um plano de recomposição de estoques, que estão no menor nível dos últimos 16 anos. Ainda assim, existe a expectativa de que os 40% de taxa de importação retorne até outubro, quando os produtores indianos devem começar a realizar o plantio do cereal, a fim de proteger o mercado interno.
Do lado ucraniano, as chuvas também vieram pressionando as expectativas de oferta do país, que estão hoje entre 19 e 20 milhões de toneladas. O clima vem sendo fator preponderante para essas revisões para baixo, uma vez que o país registrou, em maio, os 30 dias mais secos dos últimos 45 anos em seu cinturão do trigo. Ainda, os plantios de primavera da Ucrânia se aproximam da completude, estando somente atrasados em zonas de conflito militar, como Kherson, onde somente 68% da área foi plantada, contra 98% da média nacional.







