- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nos EUA;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Fundamentos baixistas para a demanda
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preços do trigo russo continuam em alta.
O acumulado da primeira semana de junho apresentou recuo de 7,52% para os preços futuros do trigo na Chicago Board of Trade (CBOT). Na sexta-feira (07/06), o fechamento do contrato de julho estava no patamar de 627,5 cents/bu, após uma conjuntura semanal que favoreceu as perspectivas de oferta e endossou os fundamentos baixistas para a demanda.
Na segunda feira (03/06), uma forte valorização nos preços futuros do trigo na CBOT foi motivada por uma retomada das posições deixadas por investidores anteriormente, após um realinhamento das expectativas em meio às condições climáticas que ainda ameaçam o fornecimento do cereal entre os principais exportadores mundiais.
Após o aumento robusto no início da semana, os dias seguintes apresentaram declínio considerável nas cotações, diante de melhoras repentinas nas condições de safra nos Estados Unidos. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 49% das áreas de cultivo de trigo de inverno no país apresentam condições boas a excelentes, aumento de 1 p.p. em comparação com a situação relatada na semana anterior. Outro indicativo positivo se refere ao avanço no plantio de trigo de primavera no país, que se encontra em 94%, acima da média dos últimos cinco anos. Nesse sentido, apesar das baixas nas perspectivas de produção russa do cereal, influenciadas pelo clima seco e as geadas ocorridas no início de maio, espera-se um superávit na oferta dos países norte-americanos, Estados Unidos e Canadá.
Outro fator que abalou o mercado trigueiro foi o anúncio, na quinta-feira (06/06), de que a Turquia levantaria barreiras para importação de trigo no período entre 21 junho até 15 de outubro, podendo se estender. A medida foi tomada para proteger os produtores domésticos, conforme se espera a entrada de uma boa safra de trigo no país a partir da colheita que se inicia no mês de julho. Segundo previsões do USDA, era previsto que a Turquia importasse algo em torno de 10,5 milhões de toneladas de trigo durante o ano comercial de 2024/25, mas o número deve ser revisto em breve.
Por fim, o saldo líquido das exportações semanais do cereal atingiu a cota de -229 mil toneladas, resultado de um montante expressivo de cancelamentos nos contratos de exportação na reta final da safra 2023/24. Apesar da normalidade que hajam cancelamentos neste período da safra, o saldo é muito inferior à média dos últimos três anos.


Assim como nos demais centros financeiros, na Europa, os preços futuros do trigo também recuaram no acumulado da semana. Nessa perspectiva, a Bolsa de Paris apresentou uma redução de quase 6% no valor dos contratos futuros, encerrando a sexta-feira avaliado em 243,75 euros/tonelada.
No início da semana, o departamento do governo francês responsável por produtos agrícolas e marítimos, France AgriMer, atualizou as condições de safra do trigo na França para 61% como boas ou excelentes, abaixo dos 63% registrados na semana anterior e ainda pior que os 91% na mesma época do ano passado. A conjuntura, então, se coloca de maneira oposta à da safra 2022/23, com as lavouras nos EUA e Canadá em boas condições, enquanto na Europa e Rússia as estimativas de produção seguem sendo reduzidas devido às adversidades climáticas.
Em contrapartida, como mencionado, na sexta-feira (dia 07) os mercados reagiram ao anúncio de interrupção nas importações pela Turquia, a Bolsa de Paris, por exemplo, despencou 4,1% na abertura do dia. A movimentação entre os principais players do comércio internacional de trigo fez surgir um temor entre os países europeus de que, devido ao baixo preço ofertado pela Rússia e à sua tentativa de redirecionar o excedente que teria a Turquia como destino, os países europeus fossem prejudicados por um cereal russo mais competitivo.

A situação no Mar Negro continua sendo um driver importante para os preços internacionais de trigo. Apesar de um fortalecimento dos preços de exportação russos, que se colocam agora no patamar dos US$252/ton, os futuros pelo mundo recuaram. Do lado do Mar Negro, contribuiu para esse movimento a falta de novas notícias quanto a problemas climáticos no país, que veio enfrentando secas e geadas nas últimas semanas, o que fez com que a produção do país fosse revisada para baixo em mais de 10 milhões de toneladas por diversas consultorias locais. A StoneX elaborou, na semana passada, uma matéria sobre a situação climática no Mar Negro, que pode ser acessada clicando aqui. Ainda assim, alguma pressão no mercado pode ser observada a partir da perspectiva de algumas chuvas em importantes regiões produtoras, o que pode diminuir as zonas de estresse hídrico no Mar Negro, fato que continuará a ser acompanhado.
Um ponto de atenção nas últimas semanas foi a notícia de que a Rússia poderia limitar as suas exportações frente a uma escalada inflacionária dos preços internos de alimentos. No entanto, o Kremlin afirmou de que não seria o caso, favorecendo perspectivas de que o país continuaria um forte exportador, pressionando os preços globais. Ainda assim, alguma cautela deve ser mantida quanto a essa informação, uma vez que os impactos potenciais nos preços internos ainda deverão ser mensurados. Nesse ponto, a suspensão de importações da Turquia para defender os produtores domésticos em seu período de colheita, que deve vir forte, vem em boa hora para o Kremlin, limitando a demanda importadora global. Todo esse contexto veio favorecendo forças baixistas, principalmente frente à escalada de preços observada nas últimas semanas. Caberá ao mercado seguir monitorando novas notícias, tanto do lado da oferta russa, conforme novas mensurações sobre os danos às lavouras são contabilizadas, bem como de que forma as exportações no país vão se comportar. Nesse último ponto, a disposição do governo russo em limitar eventuais impactos inflacionários da safra menor podem trazer alguma volatilidade ao mercado.









