- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nos EUA;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Fundamentos baixistas para a demanda
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preços do trigo russo continuam em alta.
A semana foi de nova desvalorização nos preços futuros no mercado internacional do trigo, com a bolsa de Chicago fechando o contrato de jul/24 em 612,75 cents/bushel, uma queda de 2,35% em comparação com os preços da semana anterior. O patamar atual dos preços do trigo é resultado da pressão sazonal causada pelo início da temporada de colheita no hemisfério norte, com índices de produtividade superando as expectativas nos Estados Unidos.
Ao longo da semana, previsões de chuva nos estados do Kansas, Oklahoma e Texas aumentaram as perspectivas de boa safra do trigo duro vermelho de inverno na região. No entanto, as chuvas atuais não foram suficientes para evitar uma redução nas estimativas da produção global de trigo. O relatório mensal World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), revisou bruscamente para baixo as estimativas de produção para o ano comercial de 2024/25.
Os números, que antes apontavam para uma produção mundial de 798,2 milhões de toneladas, foram reduzidos para 790,8 milhões. Enquanto países como Rússia, Ucrânia e França tiveram cortes em suas safras devido às perturbações climáticas, as chuvas e o clima favorável contribuíram para um aumento de 0,35 milhões de toneladas nas perspectivas de colheita dos Estados Unidos.
Por fim, um dólar mais forte, em decorrência da decisão do Federal Reserve (Fed) pela manutenção da taxa básica de juros no mesmo nível, tem despertado maior competitividade entre os principais comerciantes internacionais de trigo. Com a moeda estadunidense valorizada, outros países se beneficiam num momento em que diversos importadores vão ao mercado para compor seus estoques do cereal. Clique aqui para ter acesso a um panorama mais completo sobre a trajetória do câmbio na semana.


Os mercados europeus de trigo seguiram as tendências de desvalorização mundial, nesse sentido a Bolsa de Paris apresentou recuo semanal de 2,87% nas cotações do cereal. Os preços seguem refletindo o enfraquecimento na demanda mundial, causado pela colocação de barreiras à importação de trigo pelo governo turco e as boas perspectivas de produção em outras regiões do globo.
Paralelamente, questões envolvendo as eleições para o Parlamento Europeu abalou os termos de troca do continente, ocasionando uma depreciação do euro em relação ao dólar. Esta desvalorização da moeda doméstica acaba tornando as exportações europeias mais competitivas internacionalmente, beneficiando-as frente a uma nova demanda de importadores.
Por outro lado, o relatório WASDE, do USDA, apontou revisões para a produção de alguns países do velho continente. No caso da França, o corte foi de 1,5 milhões de toneladas, o que se soma a uma redução, embora menor, de 0,35 milhões de toneladas para o Reino Unido. A restrição na oferta é justificada pelo clima desfavorável na região, com uma escassez hídrica que tem sido prejudicial aos cultivos.

A semana foi pouco movimentada para a região do Mar Negro. As autoridades continuam a mensurar os impactos de secas e geadas nas lavouras russas, enquanto o USDA já ajustou a colheita em 6,5 milhões de toneladas a menos para Rússia e Ucrânia somadas. O valor colocaria a safra 2024/25 com uma queda na produção dos dois países da ordem de 10,5% (ou 12 milhões de toneladas), no comparativo entre safras.
Ainda assim, por mais que as revisões tenham trazido essa oferta menor e uma consequente redução das exportações dessa importante fonte de trigo para o mundo, os preços ficaram em baixa ao longo da semana. Motivo disso foi a continuidade de preocupações quanto ao balanço global, com foco principalmente na restrição de importações pela Turquia, o que pode compensar, em partes, os efeitos da redução da oferta russa, pressionando os preços frente aos patamares altos que vieram sendo observados nas últimas semanas. O fato pressionou também os preços de exportação FOB do trigo russo, que terminaram a semana por volta de US$ 235/ton (US$6/ton a menos do que foi registrado no fechamento da semana anterior).
Sem muito o que ser adicionado para os fundamentos do cereal na região do Mar Negro, cabe trazer também que o cenário geopolítico continua com países do ocidente fornecendo novos pacotes para a reconstrução e fornecimento de armamentos para ajudar a Ucrânia no fronte militar. Os efeitos disso ainda devem se provar no tempo, conforme a Rússia continua ganhando terreno em algumas regiões, e a Ucrânia respondendo com imobilização de sistemas de defesa aérea e de infraestrutura.







