- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
A semana que se passou foi marcada por uma valorização nos preços futuros do trigo na Chicago Board of Trade (CBOT), com o fechamento da sexta-feira (dia 05) no patamar de 590,50 cents/bushel. Assim, foi observado um aumento relativo de 2,96% no comparativo semanal dos preços, considerando as cotações para o contrato de setembro/24, o mais ativo para o trigo na bolsa de Chicago. A colheita no hemisfério norte avançou ao longo da semana, no entanto novas previsões de ondas de calor para as regiões da União Europeia e do Mar Negro reascenderam preocupações no mercado.
Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno alcançou os 54%, um avanço de 14% em relação à semana anterior e, ainda, acima da média dos últimos 5 anos que estava em 39%, para o mesmo período. No entanto, nem todas as perspectivas são positivas. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê uma redução de 5% na área destinada ao plantio de trigo para a próxima safra no país.
Sob outro enfoque, o aumento das temperaturas em importantes regiões produtoras de trigo pelo globo, como é o caso da União Europeia e do Mar Negro, volta a preocupar o mercado sobre as chances de que a safra de primavera seja afetada, tendo por consequência a redução da oferta mundial do cereal.
No que tange à demanda, novos concursos de importação foram lançados recentemente, com destaque para as compras feitas pela Tunísia, Japão e Jordânia. O trigo russo segue sendo o mais competitivo internacionalmente, levando vantagem na disputa pelos novos carregamentos. No entanto, o relatório semanal de exportações dos Estados Unidos, continua reportando um saldo líquido muito acima da média dos últimos 3 anos para o período, com os dados mais recentes indicando um montante de 805,3 mil toneladas, o que demonstra um momento aquecido para o mercado estadunidense. Clique aqui para conferir o relatório completo de Exportações Semanais de Grãos para os Estados Unidos.


Na União Europeia, os preços internacionais do trigo também registraram ganhos em suas cotações para a Bolsa de Paris. No acumulado semanal houve valorização de 2% nos valores negociados do trigo, com o fechamento da sexta-feira (dia 05) atingindo o nível de 228,50 cents/bushel. O movimento altista se deve, principalmente, pelas tensões relacionadas às condições climáticas para a região. Na Alemanha, a semana que se passou registrou índices de precipitação acumulada acima da média, que trouxeram prejuízos aos produtores locais.
No entanto, foram as previsões de temperaturas mais altas e ausência de umidade, para outros países, que causaram as maiores preocupações entre negociantes da região. A inquietação se deve à ameaça que o clima adverso pode causar às lavouras de trigo de primavera, dado que o trigo produzido nesta época representa importante parcela no acumulado anual.

A semana foi de pressões mistas para o trigo com origem na região do Mar Negro. No começo da semana, novos rumores acerca do clima na região trouxeram preocupações. Ondas de calor na região do Vale do Rio Volga fizeram com que as expectativas acerca da safra de primavera da Rússia fossem afetadas negativamente. Além disso, a safra de milho também pode ser afetada pelo regime mais seco, o que motivou revisões de consultorias locais, que colocam a oferta de milho russo mais próximo das 15,3 milhões de toneladas, enquanto a estimativa anterior se colocava nas 16 milhões de toneladas. Tudo isso deverá continuar sendo monitorado, dado tanto os efeitos da seca no trigo quanto as relações do trigo com o milho no mercado futuro.
Ainda assim, com o andamento da colheita da safra de inverno, o que vem sendo observado é uma produtividade maior do que a esperada, mesmo com todas as adversidades climáticas sofridas no desenvolvimento da safra, como regime atipicamente seco e geada em algumas regiões importantes. A oferta mais abundante já se refletiu nas estimativas de consultorias locais, que adicionaram cerca de 1 milhão de toneladas de oferta russa em seus números para esta safra. O fato, somado ao andamento da colheita norte-americana, somou para pressionar os futuros do trigo. Vale lembrar, no entanto, que, mesmo com as expectativas agora maiores, a safra deve ainda vir menor do que se esperava no começo do ano: há alguns meses, estimava-se 93 milhões de toneladas colhidas, enquanto agora são esperadas pouco mais de 84 milhões de toneladas.
Nesse sentido, os preços do trigo russo para exportação continuaram em baixa, sendo negociados em patamares próximos dos US$ 220/ton na semana, nível próximo do que era observado no começo de maio deste ano, antes de os problemas climáticos no Mar Negro dominarem a pauta, motivando as altas observadas nos preços entre maio e junho.
No fronte geopolítico, parece que as conversas de paz para o conflito russo-ucraniano foram infrutíferas, pelo menos por agora. O presidente da Hungria, Viktor Orbán, realizou uma visita a Moscou e Pequim nos últimos dias, a fim de discutir com os chefes de Estado da Rússia e da China acerca de perspectivas de resolução dos conflitos. No entanto, ao longo do final de semana, as forças russas lançaram mais uma série de bombardeios à capital ucraniana, Kiev, afastando as perspectivas de uma resolução do conflito no curto prazo.









