- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Enfraquecimento do dólar estadunidense;
- Preocupações com a oferta europeia;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
Após um começo de semana com oscilações, os preços conseguiram fechar a semana em alta, com um ganho de 3% em relação ao fechamento da semana anterior. Sendo assim, a sexta-feira (dia 02/08) fechou com uma cotação de 539 cents/bu.
Até a quarta-feira (dia 31/07) um dos principais fatores de baixa era a ampla oferta local, uma vez que a colheita do trigo de inverno estava quase concluída. Nas atualizações estatísticas semanais, o USDA indicou que 82% desse trigo já se encontrava nos silos, acima dos 77% colhidos no mesmo período do ano anterior. Além disso, 74% do trigo de primavera se encontrava em condições boas ou excelentes, resultado amplamente superior aos 42% nas mesmas condições vistos no mesmo período do ano passado, o que ainda mantém a expectativa de que a segunda safra trigueira estadunidense possa ser uma das melhores dos últimos anos.
Porém, entre quinta e sexta-feira (dias 01/08 e 02/08) os preços subiram diante do enfraquecimento do dólar estadunidense e às preocupações com concorrentes importantes, que ainda se encontram em alerta e podem abrir espaço para maiores compras futuras de trigo dos EUA, como é o caso do espaço que as perdas do trigo francês abrem para maiores importações da União Europeia. Porém, um fator a ser seguido de perto nos próximos dias são os temores com uma possível recessão nos EUA, que já desvalorizam ativos financeiros ao redor do mundo, e que poderiam repercutir também nos preços dos grãos nos próximos dias.


Similarmente ao que ocorreu no mercado estadunidense, na Europa a semana também começou em baixa, mas conseguiu um fechamento positivo. O preço aumentou 1,15%, ficando em 219,5 euros/tonelada.
Desde a quinta-feira, o clima no eixo ocidental voltou a se destacar, ameaçando a colheita, uma vez que as tempestades e as novas previsões colocaram em xeque a produção francesa. Sendo assim, ainda maiores importações desde a União Europeia poderiam ser esperadas, o que sustentou as altas nas negociações. Por outro lado, uma menor demanda desde os mercados asiáticos é uma preocupação que persiste, principalmente desde a China.

A semana se desenvolveu sem grandes atualizações para os fundamentos vindos do Mar Negro no mercado de trigo. Com as questões climáticas, que trouxeram preocupações quanto à produtividade das safras de primavera – principalmente o milho – mais amenizadas, o foco volta a ser a colheita do trigo de inverno na região.
Com os níveis de preço do trigo exportado pela Rússia estáveis, o que vem chamando atenção do mercado é o movimento de que o trigo estadunidense se mostrou mais barato no mercado internacional do que o russo, um evento raro no mercado e que deverá seguir no radar, podendo afetar os balanços nacionais desses países. Quanto à Ucrânia, o trigo do país se mantém caro, mesmo com a entrada da safra de inverno que segue sendo colhida no país.
Sem novidades do ponto de vista dos fundamentos, os investidores deverão estar atentos à escalada de conflitos no Oriente Médio e como isso deve impactar o movimento das grandes potências, podendo trazer efeitos para os mercados de commodities.







