- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Pressão sazonal pela colheita do trigo de primavera;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
A dinâmica dos preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago, na semana que passou, foi marcada por uma alta de 2,02% nos valores de negociação, com o fechamento no patamar de US$5,80/bushel na última sexta-feira (dia 27), para o contrato de dezembro de 2024.
Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera encontra-se quase concluída, faltando menos de 5% para encerrar esta fase. A disponibilidade elevada do cereal no mercado exerceu certa pressão sobre os preços futuros, que é natural para o período, mas não foi suficiente para que fosse refletir em um recuo nas cotações em Chicago.
Em algumas regiões produtoras de trigo, como no sul dos Estados Unidos, na Argentina e no Mar Negro, as condições climáticas têm gerado certa preocupação entre os traders, no que tange uma ameaça ao potencial produtivo global.
Por outro lado, a concorrência pela comercialização do trigo no mercado internacional, já mencionada nesse relatório em edições anteriores, segue como um elemento importante para ditar a dinâmica dos preços do trigo estadunidense.
A competitividade dos preços oferecidos por players da região do Mar Negro, que já foi tema da última edição do Resumo Semanal de Trigo, permanece sob o radar dos agentes que operam no mercado internacional do trigo. Como reflexo disso, as exportações semanais reportadas na última quinta-feira (dia 26) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês), indicaram uma grande queda na comercialização do trigo para o país, abaixo também da média de exportações para o mesmo período dos últimos 3 anos. Para saber mais detalhes sobre o tema, acesse o nosso relatório de Exportações Semanais de Grãos – EUA. Os dados comprovam a preferência pelo trigo russo, ofertado a preços bem inferiores que a média das demais praças, e, consequentemente, pressionando os valores nestes outros locais, para que assumam posição mais ativa nas negociações internacionais.


No mercado europeu, os preços futuros do trigo também registraram leve valorização ao longo da última semana. A Bolsa de Paris registrou elevação de 1,97% nas cotações do contrato de dezembro de 2024, atingindo o valor de US$2,20/bushel. As motivações por trás desta movimentação são semelhantes às observadas nos Estados Unidos, destacando-se a pressão causada pela oferta ampliada pelo momento de colheita atual e, ainda, pela concorrência entre importantes exportadores globais de trigo.
Com relação às condições climáticas, parece ter havido uma estabilização nas chuvas pela Europa, que favoreceram o progresso da colheita em partes estratégicas do continente, como França e Alemanha. O andamento mais acelerado da colheita, do que em semanas anteriores, colocou mais trigo disponível no mercado internacional, agindo como outro fator de pressão sobre os futuros do cereal. Por outro lado, surgem preocupações sobre o potencial produtivo em outras regiões pelo globo, devido às condições climáticas adversas que vêm afetando algumas áreas produtoras.

No Mar Negro, importante região produtora e exportadora de trigo no mercado global, os preços futuros permaneceram próximos da estabilidade ao longo da semana, mas ainda muito competitivos internacionalmente.
Entre os players do Mar Negro, a Rússia, especialmente, possui grande capacidade de influenciar os preços mundiais. Isso ocorre devido à combinação de fatores importantes, como a ampla oferta interna e políticas de exportação, que auxiliam na manutenção dos preços em nível mais competitivo, como tem se observado recentemente, com efeitos sore o mercado global como um todo.
Diante destas circunstâncias, Rússia e Ucrânia têm dominado as comercializações que surgiram no mercado internacional recentemente, sendo o Egito o principal destino do trigo vendido pela Rússia.
Com relação ao clima, observou-se uma melhora na conjuntura recente. O clima quente e seco tem auxiliado o andamento da colheita na região, o que ajudou a manter um fluxo constante de trigo no mercado global, fortalecendo a oferta disponível e evitando pressões altistas mais robustas sobre os preços.









