- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Pressão sazonal pela colheita do trigo de primavera;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Melhora nas estimativas para estoques finais globais.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras
- Postura protecionista da Rússia sobre a comercialização de trigo do país.
A dinâmica dos preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês) reforçou o viés altista observado já nas últimas duas semanas. Entre os dias 7 e 11 de outubro os preços futuros acumularam ganhos de 1,57%, atingindo o valor de US$ 5,99 /bushel. Neste momento, os traders estão atentos às mudanças potenciais nos fundamentos de oferta para o trigo, considerando os temores relacionados às atuais condições climáticas para importantes regiões exportadoras no globo.
O relatório World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês), divulgado na última sexta-feira (dia 11) atualizou as perspectivas para o mercado interno estadunidense. Foi apontada uma redução na oferta e estoques finais, enquanto se espera um aumento do montante de trigo destinado ao uso doméstico, e uma estabilidade para o volume das exportações, enquanto as importações devem ser aumentadas no país.
Em um cenário mais amplo, o WASDE aponta para uma redução na oferta global de trigo para o ciclo 2024/25. Aliado a isso, espera-se também uma redução para o consumo e o comércio, que devem gerar um certo alívio para os estoques finais mundiais, mas ainda devem permanecer como os menores desde 2015/16.
O clima quente e seco tem ameaçado os cultivos em diferentes partes do globo. Nos Estados Unidos, grande parte do estado do Kansas, o maior produtor de trigo de inverno do país, enfrenta desafios relacionados às condições climáticas ao longo da última semana. Em outros países, como a Argentina, o clima ameaça os cultivos em fase determinante para o seu desenvolvimento.


Na Bolsa de Paris , o comportamento dos preços se assemelha ao observado nos Estados Unidos. Os futuros do trigo alcançaram o nível de US$ 2,29 /bushel no fechamento da última sexta-feira (dia 11). Apesar de pequena, houve variação positiva de 0,22% em relação à semana anterior. A valorização, por mais uma vez, foi influenciada por preocupações relacionadas à oferta. No entanto, o cenário de oferta global ampliada limitou os ganhos para o cereal.
Ao longo da semana, surgiram algumas incertezas sobre a capacidade de abastecimento do mercado por alguns dos principais países exportadores, especialmente os da região do Mar Negro – fator que será melhor explorado na sessão abaixo. A combinação da limitação na oferta de importantes players e uma demanda externa aquecida trouxe boas perspectivas ao mercado europeu. Grandes compras vindas de países como a Arábia Saudita, Japão e Bangladesh contribuiu para a elevação do preço do trigo exportado pela Europa.

Na região do Mar Negro, a semana que se passou foi marcada por uma dinâmica altista no mercado trigueiro. O surgimento de restrições às exportações russas e ucranianas, uma ampliação das tensões geopolíticas e dos riscos logísticos, bem como uma demanda internacional fortalecida, contribuíram para uma valorização dos preços de comercialização do trigo no mercado internacional. A região do Mar Negro, por se tratar da origem de grande parte do trigo comercializado no mundo, acaba determinando a evolução dos preços nas demais praças.
Na última sexta-feira, dia 11 de setembro, o governo russo, por meio do Ministério da Agricultura, realizou uma reunião com exportadores de trigo, para discutir a implementação de potenciais restrições à comercialização do trigo russo. Assim, rumores sobre o assunto ganharam força nos últimos dias, levantando preocupações entre traders pelo mundo, alimentando incertezas no mercado. As especulações sugerem a criação de um preço mínimo para a exportação, além de reajustes nos impostos de exportação. As novas medidas podem afastar alguns vendedores russos dos mercados internacionais, considerando o cenário menos favorável aos seus negócios.
Na Ucrânia, problemas logísticos causados pela guerra, em decorrência de ataques às infraestruturas portuárias da região, continuaram a limitar a oferta de trigo do país. Diante da escassez de trigo ucraniano e da demanda internacional, que se manteve aquecida no mercado global, os preços se sustentaram em patamares elevados. Além de provocar uma restrição na oferta, as tensões geopolíticas geraram um aumento dos custos logísticos e dos riscos de operação na região do Mar Negro.









