- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Melhora nas estimativas para estoques finais globais.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Postura protecionista da Rússia sobre a comercialização de trigo do país.
Entre os dias 14 e 18 de outubro, os preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) registraram uma queda acentuada. Na sexta-feira, 18 de outubro, o contrato de dezembro fechou a US$ 5,72 por bushel, representando uma retração de 4,38% em relação à sexta-feira anterior, quando o cereal era cotado a US$ 5,99 por bushel. Essa variação nos preços reflete, em grande parte, uma melhora nas condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e da Rússia.
Nas semanas anteriores, o clima quente e seco nas Grandes Planícies dos Estados Unidos e em algumas províncias russas gerava preocupação entre traders e produtores quanto ao impacto nas lavouras de trigo de inverno. No entanto, a chegada de chuvas ao longo da semana trouxe alívio, dissipando, ao menos temporariamente, as expectativas de danos significativos às colheitas. Com isso, as condições climáticas, que até então eram um fator de pressão altista sobre os preços, perderam força. A melhora nas perspectivas climáticas reduziu o risco de prejuízos à produção de Trigo Vermelho de Inverno, garantindo um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das lavouras.
Diante da volatilidade e das incertezas que permeiam o mercado de trigo, as exportações dos Estados Unidos não registraram avanços significativos em comparação à semana anterior. Os principais destinos do trigo americano continuaram sendo o México, Japão e Taiwan, refletindo uma demanda constante pelo cereal. Esse cenário pode ser interpretado como uma reação do mercado às especulações sobre as exportações russas, influenciadas pela implementação de novas legislações tributárias. Tais mudanças podem ter desviado parte das negociações que tradicionalmente ocorreriam na Rússia para os Estados Unidos, reforçando a posição americana no comércio global de trigo.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo recuaram em relação à semana anterior. Na sexta-feira, 18 de outubro, a Bolsa de Paris registrou um fechamento de US$ 2,26, representando uma queda de 1,09% em comparação com o fechamento de 11 de outubro. Os principais fatores que pressionaram as cotações foram a competitividade dos preços mais baixos do trigo russo e a demanda externa relativamente fraca pela produção europeia, o que limitou as exportações do bloco.
As condições climáticas adversas acumuladas ao longo do ano resultaram em uma colheita de qualidade inferior na França, o que tem reduzido o interesse pelo trigo de origem francesa. Consequentemente, as exportações do país estão significativamente abaixo das expectativas dos operadores do mercado, ficando muito aquém das toneladas comercializadas no mesmo período do ano anterior.
As condições climáticas no continente europeu apresentam contrastes marcantes. Na Alemanha, as recentes chuvas trouxeram alívio para as lavouras, mas também levantaram preocupações sobre o risco de que o excesso de umidade prejudique a qualidade do trigo, especialmente em relação ao seu teor de proteína. Em contrapartida, os países mais ao sul enfrentam condições de seca, o que deve comprometer a produtividade nas regiões onde o plantio foi realizado mais tardiamente.

Dada sua relevância no comércio global de trigo, a dinâmica do mercado na região do Mar Negro impacta diretamente as demais praças de negociação ao redor do mundo, justificando as frequentes menções ao trigo russo nas sessões anteriores. Entre os principais fatores que influenciaram o mercado global de trigo na última semana, destacam-se a contínua competitividade do trigo russo no cenário internacional, as especulações sobre a nova legislação tributária para as exportações do país, e as condições climáticas, que, embora tenham melhorado, não dissiparam por completo as preocupações dos agentes de mercado.
Apesar das incertezas geradas pelas recentes mudanças nas diretrizes russas para o comércio internacional, incluindo a introdução de novas tarifas e a implementação de preços mínimos para a comercialização do trigo, o produto russo continua sendo o mais atrativo no mercado internacional, pressionando os futuros globais para níveis mais baixos.
As condições climáticas atuais, caracterizadas pelo clima seco e a ausência de chuvas, têm, por enquanto, favorecido o avanço da colheita nas regiões mais ao sul da Rússia. No entanto, se o tempo seco persistir, os baixos níveis de umidade no solo poderão comprometer o próximo ciclo produtivo, gerando impactos de longo prazo na produção. Além disso, a situação geopolítica continua a adicionar incerteza ao mercado de trigo. Embora a última semana não tenha registrado grandes desdobramentos no conflito entre Rússia e Ucrânia, a tensão permanece constante, com temores de que novos ataques a infraestruturas portuárias e de armazenamento possam afetar negativamente a logística de escoamento da produção regional.









