- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Rumores de queda nos preços de exportação russos.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Postura protecionista da Rússia sobre a comercialização de trigo do país.
Por mais uma semana, o mercado mundial de trigo não apresenta grandes oscilações, mantendo-se próximo da estabilidade. Na última sexta-feira, 08 de novembro, o contrato futuro de dezembro/24 apresentou fechamento de US$ 5,72/bushel na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). No acumulado, os preços futuros do trigo tiveram valorização de 0,79% ao longo da semana, como reflexo da demanda enfraquecida para o cereal no momento. Até mesmo o resultado do pleito eleitoral nos Estados Unidos e a divulgação do relatório de Oferta e Demanda dos Estados Unidos (WASDE), na última sexta-feira, 08 de novembro, foram capazes de trazer maiores ânimos ao mercado.
O relatório de Oferta e Demanda (WASDE) publicado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última sexta-feira, 08 de novembro, trouxe atualizações para os estoques finais do trigo. Os novos dados indicam um aumento nas estimativas de estoques finais domésticos para o ciclo produtivo 2024/25 e, no sentido contrário, os estoques finais globais do cereal devem ficar mais apertados para a mesma safra.
No mercado brasileiro de trigo, a StoneX ajustou sua estimativa para o ciclo 2024/25, indicando uma nova redução no potencial produtivo nacional, agora estimado em 7,5 milhões de toneladas. Esse volume representa uma queda de 5% em relação à previsão do mês anterior e de 7% em comparação com o ano passado. As perdas são atribuídas, principalmente, aos efeitos da seca, que prejudicaram a produtividade nos estados do Paraná e de São Paulo. Para ter acesso a todos os desdobramentos da atualização, acesse a Estimativa de Safra – Trigo (Brasil).
A última semana foi marcada por grandes repercussões em torno das eleições presidenciais estadunidenses. No mercado do trigo, esse fator não surtiu grandes efeitos sobre os preços, mas levantou o debate sobre possíveis impactos à dinâmica de comercialização do cereal futuramente. Os principais impactos sobre o mercado trigueiro estão relacionados à valorização do dólar frente às outras moedas, que torna os produtos com origem dos Estados Unidos menos competitivos no mercado internacional. No que se trata das relações comerciais entre Estados Unidos e China, os impactos para o mercado do trigo devem ser menores que para outros mercados, pois o país asiático importa um volume relativamente pequeno dos EUA, mas ainda poderia ser uma alternativa em momentos de necessidade. Além disso, a eleição pode ter repercussões na guerra entre Rússia e Ucrânia e, consequentemente, a depender dos desdobramentos do conflito, poderia impactar o mercado de trigo, dada a relevância da região do Mar Negro para a produção e exportação do cereal. Para conferir a repercussão do pleito eleitoral no mercado de grãos e as principais commodities, clique aqui e acesse o conteúdo especial preparado pela equipe de Inteligência de Mercado da StoneX sobre o assunto.


No mercado europeu, a trajetória dos preços futuros do trigo também pode ser considerada como estável. O fechamento da última sexta-feira, 08 de novembro, que se estabeleceu em US$ 2,15/bushel, representa um recuo de 0,69% nas cotações do cereal na Bolsa de Paris. Em geral, a ausência de demanda continua sendo o principal fator da tranquilidade no mercado nas últimas semanas.
Na França, uma trégua nas chuvas permitiu que os produtores dessem continuidade às atividades no campo. Desse modo, o plantio avança no país, ainda que em um ritmo mais lento que o verificado em anos anteriores. Com relação à comercialização da União Europeia, o ritmo também não alcança o de anos anteriores. Até o momento, os países da região exportaram o equivalente a 7,76 milhões de toneladas, contra 11,33 milhões de toneladas comercializadas até o mesmo período do ano passado. Esta conjuntura decorre dos impactos do clima sobre a colheita do trigo neste ciclo para o velho continente.

Na região do Mar Negro, ao longo da semana, verificou-se uma redução nos preços FOB de exportação. Uma movimentação nesse sentido corrobora para uma maior competitividade do trigo com origem da região no mercado internacional, especialmente do trigo russo. Nesse sentido, as exportações do país evoluem em linha com as expectativas do mercado, com o número de vendas no primeiro trimestre deste ciclo produtivo semelhante ao observado no mesmo período do ano passado.
Com relação às condições climáticas, as baixas temperaturas que atingiram o cinturão de trigo russo atrasaram o desenvolvimento dos cultivos, mas não trouxeram prejuízos. As temperaturas negativas não se estenderam por muito tempo, teve um efeito retardatário sobre o crescimento das plantas, mas evitou danos maiores em relação ao que poderia ter ocorrido caso a situação se prolongasse.
Como mencionado na sessão dos Estados Unidos, o resultado das eleições presidenciais na América do Norte levanta especulações sobre o desenrolar dos conflitos bélicos na região do Mar Negro. O potencial produtivo e distributivo não deve aumentar, pois já se encontra muito elevado, portanto, as discussões giram em torno de um agravamento das disputas geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, de forma que isso comprometa os campos de lavoura e a infraestrutura de armazenamento e logística da região, que é a principal responsável por abastecer a demanda global por cereal atualmente, tendo grande capacidade de interferir nas dinâmicas do mercado mundial.









