- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA;
- Elevada competitividade do trigo russo;
- Colheita ampla nos países exportadores do hemisfério sul, Argentina e Austrália.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro.
A dinâmica dos preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, sigla em inglês) apresentou um viés estável nos últimos dias, em uma semana com agenda de atividades reduzida devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, celebrado na última quinta-feira, 28 de novembro. Esse contexto resultou em um mercado mais calmo, com menor participação dos traders nas negociações. Entre os dias 25 e 29 de novembro, os preços futuros do trigo acumularam altas curtas, de 0,69% em relação ao preço de fechamento da semana anterior. Assim, o trigo encerrou a sexta-feira, 29 de novembro, cotado a US$ 5,48 por bushel, no contrato de março/25, que atualmente apresenta maior liquidez.
Entre os fatores que influenciaram a dinâmica do mercado ao longo da semana, destacam-se: uma melhora inesperada nas condições de safra nos Estados Unidos, a pressão exercida pela concorrência do trigo exportado pela região do Mar Negro e, por fim, a posição adotada pelos investidores no mercado.
De acordo com o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) publicado na segunda-feira, 25 de novembro, as condições de safra para o trigo de inverno nos Estados Unidos apresentaram uma melhora superior às expectativas dos traders. Com a atualização, 55% da safra foi classificada como boa ou excelente, representando uma melhora de 6 pontos percentuais em relação à semana anterior e superando os 50% registrados no mesmo período do ano passado. Essa melhora nas condições contribuiu para a queda dos preços no mercado norte-americano na terça-feira, 26 de novembro.
Além disso, os preços do trigo foram pressionados pela concorrência dos cereais exportados por países da região do Mar Negro, especialmente devido à desvalorização do rublo, a moeda russa, que tornou o trigo russo mais competitivo no mercado internacional. Isso forçou os demais mercados a reduzirem os preços para se manterem competitivos. Por fim, corroborando os indícios apresentados pelos fundamentos do mercado, a postura dos investidores reforçou as expectativas de queda nos preços, com o aumento das posições vendidas (short).


Na Bolsa de Paris, os preços futuros registraram uma queda de 4,34% na semana passada. Esse recuo foi motivado por uma série de fatores, alguns deles já mencionados na sessão anterior, com destaque para a forte pressão da concorrência exercida pelo trigo exportado da região do Mar Negro, especialmente com origem russa. A desvalorização da moeda do país eslavo, o rublo, contribuiu para tornar o trigo russo mais competitivo no mercado internacional, impactando negativamente os preços do trigo europeu.
Do lado da demanda, surgiram alguns incentivos que poderiam estimular o mercado, mas eles não foram suficientes para reverter o cenário negativo. Um exemplo foi a licitação realizada pela Tunísia, que buscava adquirir 100 mil toneladas de trigo. Apesar de outras origens oferecerem preços mais competitivos, o país optou por negociar com a França para a compra do volume. Entretanto, o desempenho da atual safra de trigo na França foi decepcionante. Condições climáticas adversas prejudicaram tanto a produtividade quanto a qualidade do trigo francês, reduzindo sua competitividade no mercado internacional.

A região do Mar Negro teve, mais uma vez, um papel central na dinâmica do mercado internacional de trigo na última semana, principalmente devido à alta competitividade do trigo de origem russa em relação às demais praças. Essa competitividade forçou outros exportadores a reduzirem seus preços para se manterem atrativos no mercado global.
A principal razão por trás dessa intensa competitividade do trigo russo é a significativa desvalorização cambial. O rublo, moeda da Rússia, chegou a registrar quedas de quase 3% em um único dia em relação ao dólar, influenciado por fatores macroeconômicos e geopolíticos.
Outro aspecto que impactou o mercado foi o anúncio do governo russo sobre uma nova cota de exportação para o trigo. A medida estabeleceu um limite de 11 milhões de toneladas para exportação no segundo semestre do ano comercial 2024/25, período que abrange de 16 de fevereiro a 30 de junho. Esse volume representa uma redução expressiva em comparação ao exportado no mesmo período do ciclo anterior. Embora a decisão tenha como objetivo garantir o abastecimento interno, ela pode afetar negativamente a oferta global de trigo.
No campo geopolítico, as tensões entre Rússia e Ucrânia continuam influenciando a dinâmica do mercado. O risco associado ao conflito, que ameaça a capacidade de armazenamento e distribuição da produção nos dois países, justifica a inclusão de um prêmio de risco nos preços. Dada a relevância da região no mercado internacional de trigo, qualquer ameaça à sua capacidade de exportação tende a elevar os preços globalmente, aumentando a volatilidade do mercado.







