- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Frio intenso ameaça o trigo de inverno nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, o trigo oscilou positivamente mais uma vez, acumulando ganhos pela terceira semana consecutiva, ainda que sejam ganhos curtos. O contrato futuro mais ativo na Bolsa de Valores de Chicago encerrou o pregão da última sexta-feira, 24 de janeiro, avaliado em 544 cents/bushell, um aumento de 0,65% em relação à semana anterior, em que o bushell estava avaliado em 539,25 cets/bushell. Apesar da demanda ainda fraca internacionalmente, a dinâmica política e tarifária global manteve o mercado dinâmico ao longo da última semana.
Após ter demonstrado sinais de reaquecimento na semana anterior, o volume de vendas líquidas de trigo pelos Estados Unidos voltou a apresentar índices baixos, frustrando as expectativas de analistas para o período. Na semana até o dia 16 de janeiro, verificou-se uma queda semanal de 68% nas vendas líquidas, e de 55% em relação à média das últimas quatro semanas. Apesar das quedas no acumulado, o volume exportado para o México, Japão, Filipinas, Jamaica e Honduras aumentou.
As condições climáticas têm se apresentado como um fator de risco à colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos. Em geral, pode-se dizer que as baixas temperaturas mantiveram o trigo de inverno em seu estado dormente, e as precipitações ajudaram a melhorar os índices de umidade no solo, entretanto, o frio elevado trouxe preocupações sobre potenciais riscos de lesões ao trigo, em regiões em que os cultivos dispunham de pouca cobertura de neve para a sua proteção.
Aliada às condições climáticas do país, a elevada concorrência internacional desempenhou papel importante na sustentação dos preços no decorrer da última semana. Os preços do trigo australiano se elevaram, abrindo espaço para outros players disputarem seus compradores, no entanto, a Rússia permanece ofertando seu trigo a um valor atrativo no mercado internacional, seguida de perto pela Argentina, que em uma manobra tarifária na última quinta-feira, 23 de janeiro, acabou adquirindo grandes vantagens comerciais, conforme será melhor explorado na semana seguinte.


O destaque para o mercado do trigo sul-americano fica com a redução das tarifas de exportação pelo governo argentino, anunciada na última quinta-feira, 23 de janeiro. A alíquota sobre o trigo argentino exportado, que antes era calculada em 12% foi reajustada para 9,5%. A mudança deve dar margem para que se verifique um recuo no preço FOB argentino, mas ainda garantindo ganhos aos agricultores, afinal a competitividade do trigo do país já vinha sendo elevada internacionalmente.
Tais mudanças associadas a uma valorização do real frente ao dólar nos últimos dias, deve ter impactos negativos sobre o do trigo brasileiro. Até o momento, este viés baixista ainda não se refletiu nas cotações do trigo CEPEA, tanto para o Paraná, que encerrou a última sexta-feira, 24 de janeiro, sendo negociado em R$1415,67/ton, quanto para o Rio Grande do Sul, em que o cereal apresentou fechamento de R$1288,78/ton para a mesma data, representando elevações de 0,66% e de 1,82% no acumulado semanal, respectivamente. A conjuntura deve guiar a tomada de decisões do produtor, que deve levar em consideração o movimento recente dos preços para definir qual será a área de trigo destinada ao plantio do cereal na próxima safra.
Preço Cepea - contínuo (R$/tonelada)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX
Na última semana, o mercado do trigo enfrentou uma dinâmica de preços que o colocou próximo da estabilidade, mais uma vez. Neste sentido, o trigo encerrou a última semana avaliado em 226,25 €/tonelada na última sexta-feira, 24 de janeiro, pouco abaixo dos 227 €/tonelada cotados sete dias antes.
As exportações do cereal na região seguem em ritmo mais lento do que o observado para o último ano. Na semana até o dia 19 de janeiro, a UE totalizou 101.359 toneladas de trigo exportado, uma queda de 36% em comparação com o volume exportado para o mesmo período do ano comercial anterior. O enfraquecimento do dólar estadunidense em relação ao euro atuou como um fator de sustentação dos preços do trigo em um momento de demanda enfraquecida.

Na região do Mar Negro, assim como observado na União Europeia, não houve grandes alterações nos preços do trigo russo. No caso do trigo ucraniano, verificou-se uma elevação nas cotações para se igualar ao valor de comercialização do país vizinho, para o caso de alguma procura seletiva. Em geral, foi uma semana de evolução lenta no interesse pelo trigo russo e ucraniano, após a anterior um pouco mais intensa comercialmente. Entre as poucas atividades verificadas, destaca-se o surgimento de uma demanda de trigo para ração vinda no norte da África.
Em movimento semelhante ao que ocorreu na última semana também para a Argentina, o governo russo optou por reduzir as taxas de exportação em 269,50 rublos/tonelada, em valores absolutos, o equivalente a RS44,70 na cotação atual.









