- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Frio intenso ameaça o trigo de inverno nos Estados Unidos.
A última semana foi marcada por uma alavancagem dos preços futuros do trigo nos Estados Unidos. O contrato de março/2025 se valorizou em 3,22%, encerrando a sexta-feira, 31 de janeiro avaliado em 559,5 cents/bushel na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). A variação elevada ocorreu em decorrência, principalmente, de um receio em relação às novas políticas tarifárias implementadas pelo governo de Donald Trump. Outros fatores como exportações aquecidas também contribuíram para a elevação dos futuros do trigo em Chicago ao longo da semana.
O destaque da semana ficou em torno da nova política de tarifas comerciais do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Ao longo da semana, os investidores tiveram que lidar com muitos rumores em torno do tema, tornando o mercado um tanto quanto instável, mas sem nenhuma medida efetiva. No último sábado, 01 de fevereiro, a medida foi de fato anunciada, refletindo em uma grande agitação nos mercados internacionais nesta segunda-feira. O decreto de Trump determina a imposição de sobretaxas de importação sobre China, Canadá e México a partir da meia noite desta terça-feira (02h00min no horário de Brasília). Com isto, uma tarifa adicional de 25% será cobrada de produtos mexicanos e canadenses (com exceção de itens de energia do Canadá, apenas, cuja tarifa será de 10%) e de 10% sobre todos os produtos chineses. Você pode se aprofundar nos detalhes da medida acessando a Abertura de Câmbio de hoje. Os reflexos do decreto sobre o mercado do trigo estão relacionados a um receio de que haja uma redução na demanda pelo cereal estadunidense, de forma que as novas tarifas pudessem acabar afastando possíveis compradores.
Por outro lado, verificou-se também uma elevação das vendas líquidas de trigo dos Estados Unidos na semana encerrada até o dia 23 de janeiro, referentes à safra 2024/25. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) informou a exportação líquida de 456.100 toneladas de trigo, quase o triplo do que havia sido informado para a semana anterior, mas ainda abaixo da média dos últimos três anos para o mesmo período. Você pode conferir estes dados acessando o relatório completo de Exportações Semanais – EUA.


A dinâmica do mercado do trigo não demonstrou grandes mudanças no Brasil e Argentina. Na Argentina, continuaram a repercutir a redução das retenciones para as exportações de produtos agrícolas, incluindo o trigo, o que torna o cereal argentino ainda mais competitivo internacionalmente. Nesse sentido, tem-se observado um ritmo acelerado de embarques do trigo argentino, mesmo com o trigo estadunidense estando um pouco mais competitivo recentemente. Este cenário deve continuar sendo monitorado, mas é possível que a Argentina receba ainda mais demanda, a depender do desenrolar que se observe nas imposições das novas tarifas comerciais entre importantes players, tanto exportadores quanto exportadores, à exemplo, EUA, México, Canadá e China.
No Brasil, a colheita da soja avança em um ritmo adequado, reduzindo as preocupações de que pudesse impactar a janela de plantio do milho safrinha, portanto, para a próxima safra, deve-se observar uma preferência pelo milho em relação ao trigo na região norte do estado do Paraná, onde costuma haver uma competição entre ambas as culturas.
Preço Cepea - contínuo (R$/tonelada)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX
Em Paris, os preços futuros do trigo também apresentaram um aumento expressivo ao longo da última semana, ainda mais se comparado à estabilidade que vinha sendo observada recentemente para o cereal nesta praça. O movimento observado está relacionado com uma cobertura das posições vendidas por parte dos investidores, com parte do mercado focado em preocupações com as perdas causadas pelo frio excessivo no inverno, além das limitações observadas nas exportações russas.
Do lado das exportações europeias, observou-se um aumento das exportações semanais de trigo da UE, que totalizaram 313.374 toneladas na semana que vai até o dia 26 de janeiro. No entanto, o acumulado anual revela uma queda de 37% no volume exportado para este ciclo, em comparação com o anterior. A Nigéria se coloca como o principal destino do trigo europeu, seguida pelo Marrocos. Na Polônia, especificamente, os agricultores têm enfrentado dificuldades para despachar sua produção, devido ao fortalecimento do zloty em relação ao euro.

No Mar Negro, os preços futuros do trigo foram apoiados pelas perspectivas de exportação reduzida para a Rússia, o que deve apertar a oferta de trigo disponível para atender a demanda mundial, sendo fator altista importante que deve influenciar os mercados pelas próximas semanas.
Outro fator importante que tem surtido impacto na dinâmica dos preços são as condições climáticas em pleno inverno no hemisfério norte. O período atual corresponde à fase de dormência do trigo de inverno cultivado em países do norte, período em que as plantas devem ficar cobertas por uma camada de gelo, nem muito grossa nem muito fina, que as protege do frio excessivo e impede que o trigo acelere o seu desenvolvimento em caso de temperaturas mais elevadas que o normal para o período.









