- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Frio intenso ameaça o trigo de inverno nos Estados Unidos e na Rússia.
A semana entre os dias 31/01 e 07/02 foi marcada por uma alta robusta nos preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). As cotações se aproximaram dos valores máximos verificados há cerca de quatro meses, tendo avançado 3,89% apenas na última semana, mas tendo acumulado ganhos de quase 10% nas últimas quatro semanas. Com isso, o contrato mais ativo do trigo em Chicago encerrou a última sexta-feira, 07 de janeiro, avaliado em 587,75 cents/bushel.
As principais motivações por trás da alavancada nos preços futuros do trigo estão relacionadas aos indícios do início de uma guerra comercial, principalmente entre Estados Unidos e China, a partir da nova política tarifária de Donald Trump. Além disso, no Mar Negro, uma redução nas exportações e condições climáticas adversas levantam preocupações no mercado internacional.
A nova política tarifária adotada pelos Estados Unidos desde que Donald Trump assumiu o controle da Casa Branca tem o intuito de valorizar a produção interna do país, como é a lógica de políticas protecionistas na dinâmica do comércio internacional. No entanto, entende-se também que tais medidas podem ser respondidas com ações retaliatórias dos países afetados, fator este que pode ser interpretado como uma ameaça ao escoamento da produção estadunidense, incluindo o trigo. Toda esta conjuntura explica a instabilidade observada no mercado nos últimos dias.
Nos últimos dias, também se observou um movimento de cobertura de posições vendidas pelos investidores, à medida que aumentavam as preocupações de que o clima frio pudesse acarretar prejuízos para a safra na região do Mar Negro, mas que antes apostavam em preços mais baixos para o cereal.


No Brasil, o ritmo de atividades do mercado permanece ainda lento. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) as cotações do trigo no estado do Rio Grande do Sul apresentaram uma elevação de cerca de 1% no comparativo semanal, enquanto no Paraná, os preços estiveram mais próximos da estabilidade.
Entre os agentes que atuam diretamente com os moinhos, uma queixa que tem sido presente é o preço baixo para o farelo de trigo, especialmente se comparado ao do milho. O spread se encontra abaixo das médias. Dentro da normalidade, o preço do farelo de trigo deve ser equivalente a cerca de 80% dos preços do farelo de milho, no entanto, atualmente é avaliado em torno de 60%, em algumas regiões do país.
Na Argentina, apesar das reduções nas tarifas de exportação que passaram a valer a partir do início do ano, os preços de comercialização têm se elevado nos últimos dias, influenciados por um ritmo acelerado de exportação do país para o período. O cenário indica uma visão positiva do mercado em relação ao país, em meio a um cenário internacional um tanto quanto conturbado nos últimos dias, em meio às novas políticas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Preço Cepea - contínuo (R$/tonelada)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX
No mercado europeu, o acumulado semanal demonstrou uma tendência positiva entre as cotações do trigo na Bolsa de Paris. O fechamento na última sexta-feira, 07 de fevereiro, foi de 235 cents/bushel, após valorização de 1,29% nos últimos sete dias. Este resultado marca uma consolidação dos preços do trigo perto de suas máximas de um mês, após semana volátil.
Esta volatilidade se deve, principalmente, às mudanças tarifárias implementadas pelos Estados Unidos, à demanda fraca pelo cereal no mercado externo e, ainda, apreensão devido às condições climáticas em regiões de cultivo do trigo de inverno, especialmente na Rússia, país responsável por abastecer grande parte da demanda mundial.

A região do Mar Negro foi alvo de grandes atenções ao longo da semana. Os investidores do setor especulavam acerca dos riscos que o clima mais frio poderia trazer aos cultivos do trigo de inverno para a região, especialmente na Rússia, país responsável por abastecer grande parte da demanda mundial pelo cereal.
Como alguns analistas deste mercado estiveram argumentando recentemente, as exportações do Mar Negro foram um importante fator impulsionador para o mercado trigueiro nos últimos anos. Portanto, tais especulações são significativas para o mercado neste momento, mas devem ser ainda mais em alguns meses, quando será possível mensurar os impactos das condições climáticas sobre a produção para a região.









