Com rendimento acima do esperado, Bolsa de Cereais de Buenos Aires e de Rosário elevam suas estimativas para a produção argentina de trigo
fatores baixistas
- Ritmo lento dos embarques físicos dos Estados Unidos;
- Queda da comercialização de trigo da Rússia;
- Reflexos da variante Ômicron da Covid-19.
fatores altistas
- Alta taxa de exportação russa sobre o trigo;
- Queda do excedente exportável global;
- Sinais de forte demanda internacional;
- Previsão de chuva durante a colheita da safra australiana de trigo.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (6), os mercados futuros de trigo em Chicago e Minneapolis operaram em alta, enquanto a Bolsa de Kansas City fechou a sessão principal em leve queda. Se, por um lado, os preços foram sustentados pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia, que podem gerar obstáculos ao comércio internacional de trigo, por outro, o ritmo lento das exportações dos Estados Unidos (EUA) pressionou os preços. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), o contrato de dezembro/21 foi cotado a 797,00 USD cents/bushel no fechamento da sessão principal, uma leve alta de US¢ 2,40/bu em relação ao encerramento da sexta-feira (3).
De acordo com as inspeções de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), foram embarcadas 245,96 mil toneladas de trigo, na semana encerrada no dia 02 de dezembro. Além de uma queda de 37,1% no comparativo com o volume registrado na semana anterior, no comparativo anual a variação chega a -54,2%. O acumulado do ano corrente é de 11.147.986 toneladas do cereal, cerca de 2,33 milhões de toneladas abaixo do volume registrado no mesmo período do ano passado.
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Os futuros do trigo seguiram em campo positivo na sessão de terça-feira (7), com o contrato de dezembro/21 fechando a US¢ 799,20/bu em Chicago. O movimento de alta foi sustentado pelas tensões no Mar Negro e a perspectiva de envolvimento dos EUA e da União Europeia por meio de sanções econômicas contra a Rússia, caso essa invada o território ucraniano. Além disso, o estado do Kansas atualizou as estimativas estaduais para a safra de trigo, indicando um percentual bom/excelente (B/E) de 58%.
Na quarta-feira (8), os preços futuros do trigo voltaram ao campo negativo sem maiores notícias altistas. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 fechou a sessão principal a US¢ 791,20/bu, ou uma variação diária negativa de US¢ 8,00/bu. Vale destacar que a Bolsa de Rosário, na Argentina, elevou sua estimativa para a safra no país sul-americano em 1,7 milhão de toneladas, agora em 22,1 milhões. Enquanto isso, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) estima uma produção de 21 milhões de toneladas de trigo.
Na quinta-feira (9), o movimento de queda ganhou força com a atualização dos
dados de oferta e demanda do USDA. De acordo com as estimativas do Departamento, em 2021/22, a produção mundial de trigo deve chegar a 777,89 milhões de toneladas, 2,61 milhões acima da última estimativa (novembro/21). Com o consumo estimativo em 789,35 milhões e o estoque final em 278,18 milhões de toneladas, a relação estoque e uso é estimada em 35,24%. Dentre as principais revisões das estimativas nacionais, destaca-se a redução da estimativa para as exportações dos EUA, de 23,41 para 22,86 milhões de toneladas, uma vez que o país vem apresentando baixo ritmo de vendas e embarques físicos.
Em relação às
vendas de exportação, o Departamento reportou um volume semanal (até 2 de dezembro) de 239,9 mil toneladas de trigo, cerca de 27% abaixo da média das últimas quatro semanas. Em Chicago, o contrato mais próximo (dezembro/21) foi cotado a US¢ 773,40/bu no fechamento da sessão principal, uma variação negativa diária de US¢ 17,60/bu.
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (10), enquanto a Bolsa de Minneapolis (MGEX, na sigla em inglês) seguiu operando em queda, as bolsas de Chicago e Kansas City (KCBT) fecharam a semana em alta. A recuperação parcial dos preços foi sustentada pelas notícias acerca da fronteira russa-ucraniana. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 fechou a US¢ 782,00/bu, uma valorização de US¢ 8,40/bu.
A semana que se encerrou no dia 10 de dezembro foi de desvalorização para o trigo na bolsa de Paris. O contrato para dezembro/21 perdeu EUR 6,00/t, encerrando o período cotado a EUR 277,00. Mais do que isso, essa semana foi a terceira consecutiva de perdas, o que afasta o trigo da Europa de sua máxima histórica, cerca de EUR 310,00/t, alcançada no final de novembro. Importante destacar que o contrato para dezembro/21 foi liquidado na última sexta (10), tornando o contrato para março/22 o de menor prazo.
O fator que deu início a esse período de quedas do trigo foi a variante ômicron, que trouxe incertezas para o mercado e, com isso, pressionou as cotações das commodities. Entretanto, quando os temores relacionados à covid diminuíram, mudanças nos fundamentos do trigo começaram a pressionar os preços do grão, dando continuidade às perdas. De maneira geral, diversos importantes países produtores começaram a ter perspectivas melhores para a safra que está por vir, diminuindo as preocupações de escassez de oferta que desde julho impulsionaram o trigo. Podemos destacar melhorias no clima na Rússia, perspectivas de alta qualidade na safra francesa, safra recorde na Austrália e aumento da produção na Argentina.
Como mencionado, o relatório WASDE do USDA, divulgado na última quinta-feira (9), veio a confirmar isso, solidificando o momento de desvalorizações do trigo. Olhando especificamente para os números da União Europeia, o departamento norte-americano estimou que em 2021/22 o bloco econômico produzirá 138,7 milhões de toneladas e exportará 37,0 milhões, aumentos respectivos de 0,3 e 0,5 milhões de toneladas na comparação com a divulgação de novembro.
Voltando as atenções para a França, maior produtora da região, o ministério da agricultura do país divulgou algumas atualizações importantes. Ele estimou em 4,92 milhões de hectares a área atualmente plantada com trigo de inverno, uma mínima redução na comparação com a estimativa anterior (4,96 milhões). Além disso, anunciou que agora espera que as exportações para fora da União Europeia atinjam em 2021/22 9,2 milhões de toneladas, com os estoques ficando em 3,5 milhões. Anteriormente, esses números eram de 9,4 e 3,2 milhões de toneladas, respectivamente.
Olhando para as exportações da União Europeia, até o dia 7 de dezembro haviam deixado o bloco econômico um total de 13,43 milhões de toneladas de trigo, volume 12,48% maior que o registrado em 2020, mas 3,59% menor que o registrado em 2019. Ainda assim, pode se dizer que os europeus estão operando em um forte ritmo de vendas, especialmente quando se leva em conta que os dados da França estão computados apenas parcialmente. No momento, os principais países de origem das exportações são Romênia (27,06%), França (21,99%) e Bulgária (12,37%). Os principais destinos são Argélia (15,54%), Egito (8,94%) e Nigéria (7,43%).
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Seguindo a tendência global, os preços do trigo na região do mar Negro encerraram a última semana com desvalorizações. Como discutido, a perspectiva de maior oferta global foi a responsável por isso. Na sexta-feira (10), o preço médio nos portos da Rússia foi de USD 340,00/t (desvalorização semanal de USD 8,00/t) e nos portos da Ucrânia de USD 331,50/t (desvalorização semanal de USD 3,25/t).
No médio prazo, entretanto, os preços na região podem enfrentar novas valorizações. Isso porque existem no mercado fatores de impulsão, por exemplo a taxa sobre as exportações da Rússia. No momento, ela está em USD 84,90/t, mas já na próxima quarta-feira (15) ela ultrapassará a marca dos USD 90,00/t, com perspectivas de novos aumentos nas próximas semanas.
Além disso, um elemento que surgiu recentemente é uma possível limitação do volume que os produtores russos poderão exportar em 2022. Segundo rumores, os dirigentes do país estudam estabelecer uma cota de apenas 9 milhões de toneladas entre fevereiro e junho, o que tornaria a oferta de trigo no mercado internacional mais escassa. A medida se relaciona com a inflação que a Rússia vem enfrentando, respondendo à necessidade de aumentar a oferta interna de itens básicos de consumo.
Olhando para as exportações, manteve-se a dinâmica de redução das vendas russas e de aumento das ucranianas. Até o dia 2 de dezembro, deixaram a Rússia 18,8 milhões de toneladas, volume 18% menor que o de 2020. Os maiores compradores são Turquia (20,7%), Egito (14,9%) e Cazaquistão (6,4%). Já na Ucrânia, até o dia 3 de dezembro as exportações totalizaram 14,6 milhões de toneladas, um crescimento anual de 20,7%.
Por fim, o relatório WASDE divulgou novas expectativas para a safra 2021/22, trazendo algumas mudanças para a Rússia e poucas para a Ucrânia. Em relação à safra russa, a produção foi aumentada em 1,0 milhão de toneladas e as exportações cresceram 0,75 milhão de toneladas, totalizando agora 75,5 milhões e 41,75 milhões, respectivamente. Já para a safra ucraniana, os números indicaram produção de 33,0 milhões de toneladas e exportação de 24,20 milhões, números praticamente idênticos aos da divulgação de novembro.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Na
Argentina, os dados da BCBA indicam queda do ritmo de colheita semanal, com os trabalhos no campo sendo atrasados pelas recentes chuvas. Até o dia 8 de dezembro, a BCBA estima que 53,4% da área apta já havia sido colhida. Pelo lado da produtividade, os bons níveis de rendimento da produção nas regiões centro e sul da área agrícola permitiram a elevação da estimativa da produção total em 700 mil toneladas, para 21,0 milhões de toneladas de trigo – como adiantado na seção sobre os EUA, a Bolsa de Rosário, na Argentina, elevou sua estimativa para a safra no país de 20,4 para 22,1 milhões de toneladas. Contudo, ainda com quase metade da safra ainda a ser colhida, a estimativa ainda deve ser revista. Os dados semanais de condição de cultivo trouxeram um incremento de 2 pontos percentuais sobre a parcela B/E, agora em 67%. Em relação à condição hídrica, os dados indicam 92% da safra em condição ótima/adequada.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.