- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativa de maiores estoques finais para a safra 2023/24 dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Ucrânia buscando alternativas para garantir suas exportações
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
- Ataques do governo ucraniano às regiões portuárias da Rússia;
- Condições abaixo da média de 5 anos para a safra de primavera nos Estados Unidos.
As cotações do trigo em Chicago fecharam a semana passada em torno da estabilidade. O vencimento para setembro terminou a sexta-feira (dia 18), em 613,25 cents por bushel.
O mercado continuou acompanhando o conflito entre Rússia e Ucrânia, com novos ataques abrindo espaço para cobertura de posições vendidas e ganhos nos preços nas bolsas.
Contudo, as cotações foram pressionadas pelas notícias de que a Ucrânia está buscando alternativas para garantir suas exportações, considerando utilizar uma rota pelo Mar Negro, após conseguir evacuar um navio de containers por essa via sem maiores problemas. Além disso, o país está trabalhando com seguradoras globais para os navios de grãos terem cobertura.
Outro fator é a oferta de trigo russo a preços competitivos, que continua pesando sobre os preços do cereal, com o país não enfrentando maiores problemas para escoar seu produto.
Nos EUA, as condições das lavouras de trigo de primavera apresentaram mais uma melhora com o percentual bom/excelente passando de 41% para 42% na última atualização do USDA. Mesmo assim, esse nível está bem abaixo da média de 5 anos para o período, em 58%.

As vendas de exportação norte-americanas da safra 2023/24 alcançaram 359,5 mil toneladas na semana encerrada em 10/08, volume dentro das estimativas do mercado, que iam de 200 a 525 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 6,8 milhões de toneladas, volume mais de 2 milhões abaixo do registrado nesse mesmo período do ano passado. Destaca-se que o trigo norte-americano apresenta preços consideravelmente mais elevados que o russo.
Na Argentina, foram registradas precipitações no sul da região agrícola do país, favorecendo o desenvolvimento do cereal. Contudo, nas áreas mais ao centro e ao norte, a falta de chuvas aliada a temperaturas elevadas resultou na piora das condições das lavouras, com redução do percentual bom/excelente de 21% para 20%. Outros 15% estão classificados como ruim/muito ruim, enquanto 65% das lavouras estão em condições regulares. As condições de umidade do solo registram 32% da área em seca, percentual maior que uma semana antes, quando alcançava 29%.
No Brasil, as boas perspectivas se mantêm para safra de trigo 2023/24, lembrando que a StoneX está estimando uma produção recorde, em 11,19 milhões de toneladas, de acordo com a atualização divulgada na semana passada.
A Região Sul, que concentra grande mais de 85% da produção nacional de trigo, apresenta, no geral, boa umidade do solo e boas condições das lavouras. Com isso, as estimativas para a produtividade se mantêm favoráveis.

Refletindo a possibilidade de melhores condições de oferta dos EUA e da Rússia, o trigo na bolsa MATIF de Paris encerrou a semana com queda na comparação semanal. O contrato com vencimento em setembro de 2023 exibiu um recuo semanal de 1,0%, passando de EUR 235,25/t em 11/07 para EUR 233,00/t em 18/08.
Hoje, foi divulgado o Boletim MARS de agosto, documento responsável por analisar as condições das lavouras da região. Segundo as informações da Comissão Europeia, entre o período de 1 de julho e 13 de agosto, a região norte da Europa recebeu um maior volume de chuvas, ao mesmo tempo em que o sul da região exibiu ondas de calor. Ainda assim, tais condições tiveram efeitos limitados para as expectativas de rendimento.
Com isso, o Boletim mostrou que o rendimento do trigo total europeu pode convergir à média dos últimos 5 anos, sendo projetado um rendimento de 5,58 toneladas/hectare, contra as 5,59 toneladas/hectare estimados no mês passado.
Em relação ao trigo soft, projeta-se um rendimento de 5,78 toneladas/hectare, contra a média de 5 anos de 5,79 toneladas/hectare e as 5,80 toneladas/hectare estimadas em julho. Para o trigo duro, as estimativas estão em 3,41 toneladas/hectare, contra a média de 5 anos de 3,50 toneladas/hectare e as 3,39 toneladas/hectare projetadas no mês passado.
Na frente dos dados semanais, as condições da safra francesa foram atualizadas para o período de 07 a 13 de agosto. Os dados da FranceAgriMer mostraram novamente ausência de mudanças significativas nas condições do trigo soft ante a semana anterior, com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 18% em condições suficientes, 72% em condições boas e 4% em condições excelentes.
Com isso, a safra permanece em melhores condições quando comparada ao ciclo anterior visto que, em 2022, a 32ª semana do levantamento mostrou 2% em condições muito ruins, 12% em condições ruins, 23% em condições suficientes, 60% em condições boas e 3% em excelentes.
O trigo duro francês também mostra estabilidade na comparação semanal, com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas, e 10% em condições excelentes. No ano passado, as condições péssimas, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 13%, 30%, 54% e 1%.

Durante o fim de semana, foi relatado disparos de tiros vindos de um navio de guerra russo na região do Mar Negro, que foram justificados como uma tentativa de alertar outro navio que não tinha permissão para transitar nas proximidades. Apesar do mal-entendido ter sido resolvido após uma inspeção, o acontecimento marcou o primeiro disparo vindo da Rússia contra uma embarcação na região, reforçando os temores relacionados a um possível aumento do conflito.
Novos ataques à infraestrutura no Rio Danúbio também foram relatados, o que pode comprometer ainda mais o escoamento das exportações ucranianas. Vale ressaltar que os portos nas proximidades do Rio são responsáveis por 1/4 do escoamento dos grãos ucranianos, e que sua utilização ganhou mais importância após o fim do Acordo de Grãos do Mar Negro. Desse modo, a continuação dos ataques pode prejudicar o fluxo de exportações ucranianas, podendo dar suporte às cotações eventualmente.
No entanto, outro movimento que vem sendo observado é que o robusto volume ofertado pela Rússia, que vem exibindo preços competitivos, está exercendo pressão sobre os futuros do trigo. Nessa linha, a melhora das condições de safra nos EUA não contribui para fornecer suporte ao mercado.
No encerramento da semana, os agentes repercutiram notícias relacionadas a uma possível negociação entre Índia e Rússia para a importação do trigo russo. Essa tentativa visa importar o cereal russo por um menor preço a fim de aumentar a oferta do grão na Índia para reduzir o preço da commodity no país e, consequentemente, conter a inflação indiana.
Por fim, de acordo com a mídia ucraniana, foram colhidos 6,2 milhões de hectares de grãos e leguminosas. Desse total, o trigo foi responsável por 4,38 milhões de hectares, correspondendo a 94% das lavouras do cereal. Segundo as projeções do Ministério de Agricultura da Ucrânia, e possível que sejam colhidas 20,9 milhões de toneladas de trigo.









