- Diminuição da demanda mundial;
- Boas perspectivas para a oferta russa e preços FOB vantajosos em relação à oferta dos EUA;
- Competição entre os trigos ucraniano, russo e europeu nos leilões.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Possível aumento na demanda da China.
Em uma semana instável, de altas e baixas, o fechamento na sexta-feira (dia 26) ficou em 610,75 cents/bu, o que representou um aumento semanal de 1,20% (comparado com o fechamento de 603,50 cents/bu do dia 19). De qualquer forma, o nível baixo observado no começo da semana (590,75 cents/bu), indicou que a oferta abundante, principalmente por parte da Rússia, continua exercendo pressão nos preços, principalmente em um momento em que a demanda mundial parece diminuir.
Nas estatísticas divulgadas semanalmente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), foi constatado que as exportações estadunidenses diminuíram 36% quando comparadas com a semana anterior.
A notícia que movimentou os mercados foi a habilitação por parte da China para o trigo argentino. Se bem houve tensões recentes entre os governos em questão, a habilitação pode ser vista como uma moeda de troca geopolítica. O ponto central é que a entrada da Argentina acirrará ainda mais a competição por um dos mercados mais cobiçados do mundo.


Na Europa, o fechamento semanal se situou em 214,5 euros/tonelada, representando uma variação negativa de 1,49% em relação ao fechamento da semana anterior.
Em relação ao pedido feito por um grupo de países para proibir o ingresso de grãos ucranianos que competem com a produção local, a Comissão Europeia ainda não se manifestou. Já os governos da Hungria e da Polônia, afirmaram que estão dispostos a proibir o ingresso de forma independente, em caso de negativa por parte da autoridade da União Europeia. Acredita-se que os outros países assinantes da petição, Eslováquia, Romênia e Bulgária, estariam dispostos a seguir o mesmo caminho.
Desta forma, aumentam as tensões em momentos em que grupos de agricultores se encontram protestando por vários países da União Europeia, enfatizando como os aumentos nos custos de produção estão deixando cada vez mais difícil a competitividade nos preços finais dos produtos, onde uma das pautas é justamente a competição contra as importações.

Com o acirramento das tensões no Mar Vermelho, que é uma rota de saída para as exportações originárias da região do Mar Negro, informações desde a Ucrânia indicaram que na semana os envios se mantiveram em níveis abaixo do esperado. Segundo as estatísticas oficiais, o volume exportado desde julho até o final da semana passada se manteve estável em 22,1 milhões de toneladas. Lembrando que, desse total de exportações, a participação do trigo é de 39,37% (8,7 milhões de toneladas).
Em relação à Rússia, novas atualizações do mercado local sobre a produção, confirmariam por mais tempo a liderança do país no mercado mundial de trigo. Com condições climáticas ótimas, se esperam agora entre 92 e 94 milhões de toneladas. Lembrando que, na sua última atualização, o USDA tinha projetado 91 milhões de toneladas para o trigo-russo.







