- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Incertezas sobre a política comercial estadunidense.
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente;
- Atrasos na colheita do trigo de inverno.
Na última semana, o mercado do trigo operou com tendências baixistas na maior parte do tempo, mas apresentou forte recuperação na sexta-feira (18), permitindo com que encerrasse a semana com alguns ganhos curtos para o contrato mais ativo negociado na CBOT. Desse modo, o vencimento de setembro/2025 encerrou a semana avaliado em 547 cents/bushel, após valorização de 0,23% ao longo da semana, em Chicago.
A notícia de uma nova licitação de importação pela agência importadora de grãos da Argélia trouxe novos ânimos ao mercado do trigo, com propostas sendo solicitadas aos Estados Unidos, Canadá, Argentina, França e Alemanha. O novo foco de demanda coincide com um momento de elevação inesperada dos preços, em comparação com o meados de junho, pois, apesar do início recente do novo ano comercial, os atrasos na colheita do trigo russo e ucraniano não colocaram no mercado todo o trigo que poderia estar disponível no momento.
Paralelamente, nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno encontra-se em estágio avançado. No território nacional, estima-se que cerca de 63% da colheita já tenha sido finalizada, de acordo com relatório semanal do USDA. O patamar atual se apresenta à frente da semana anterior, em que o avanço da colheita estava em 53%, e bem próximo da média para o mesmo período nos últimos cinco anos, em que se calculava o avanço das atividades no campo em 64%.
No estado do Kansas, o maior produtor de trigo de inverno dos EUA, a colheita se econtra quase concluída. De acordo com o relatório da Comissão de Trigo do Kansas, até o dia 13 de julho, cerca de 93% da colheita do trigo havia sido concluída. O ritmo é pouco inferior ao observado no último ano, mas está à frente da média dos últimos cinco anos. Acredita-se que, apesar dos bons níveis de proteína que tem sido registrados, a produtividade foi prejudicada por chuvas ocorridas no período da colheita. O vírus do mosaico das estrias do trigo também tem prejudicado tanto a produtividade quanto a qualidade do trigo, mas sem impactos tão graves até o momento.
Em meio a esse contexto, os agentes ainda se preocupam com as incertezas acerca das negociações comerciais com os Estados Unidos e na oscilação cambial, que tem valorizado o dólar em detrimento de outras moedas, o que torna as exportações estadunidenses menos competitivas internacionalmente.


Nos últimos 15 dias, a ausência de chuvas significativas favoreceu a trafegabilidade no campo e as atividades agrícolas. No entanto, até o final do mês, espera-se uma sequência de condições úmidas, temperaturas elevadas e novas quedas acentuadas de temperatura. O modelo GFS indica maior nebulosidade, com chances de chuva ligeiramente acima do normal, e posterior queda nas temperaturas após a passagem das frentes frias.
Atenção à maturação e ao desenvolvimento do trigo: episódios de geada podem causar danos em lavouras sensíveis. Embora temperaturas próximas de 5 °C não representem risco elevado isoladamente, sua repetição ou combinação com alta umidade pode prejudicar a uniformidade do florescimento e afetar a qualidade dos grãos. Geadas leves ou temperaturas próximas de 0 °C, sobretudo em áreas de baixada, representam maior risco. O monitoramento climático e fenológico contínuo é essencial.
Na União Europeia, os preços futuros do trigo também apresentaram uma tímida valorização semanal. O contrato futuro de setembro/2025 operado na Bolsa de Paris encerrou a sexta-feira (18) cotado em 202,5 cents/bushel, após ganhos semanais de 0,87%. Possivelmente, o surgimento de novos focos de demanda, como na Argélia, incentivou os ganhos semanais para o mercado.
A previsão do tempo para os próximos dias indica a ocorrência de chuvas, principalmente na região norte da Europa, o que pode acabar desacelerando o ritmo da colheita em países como França e Alemanha. Até o momento, o avanço da colheita está em 71%, cerca de 12% à frente do que fora registrado para o mesmo período do ano passado, e com grande vantagem sobre a média dos últimos cinco anos, em 36%.

Na região do Mar Negro, a colheita do trigo vem apresentando atrasos em relação ao ritmo para anos anteriores, o que tem surtido efeitos positivos sobre os preços futuros do trigo, considerando que uma parte do trigo que se esperava estar disponível, ainda não foi direcionado para a comercialização até o momento.
Apesar disso, os volumes exportados vêm apresentando aumento gradual, semana a semana. Os principais destinos do trigo russo continuam sendo países localizados no Oriente Médio e no norte da África, com destaque para Irã, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Egito e Argélia apresentaram uma redução no volume de trigo importado da Rússia.









