- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA;
- Guerra comercial gera receio entre os compradores de trigo dos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Entre os dias 10 e 14 de março, os preços futuros do trigo acumularam ganhos na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). Com a movimentação, o contrato de maio/2025 encerrou a sexta-feira, 14 de março, sendo cotado em 557 cents/bushel, após valorização de 1,04%. O principal fator que contribui para o aumento dos preços futuros nos últimos dias esteve relacionado às vendas de exportação semanais dos Estados Unidos, que ficaram acima das expectativas de analistas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na última quinta-feira, 13 de março, as vendas de exportação semanais do país. No mercado do trigo, as vendas líquidas para a safra 2024/25 totalizaram 783.400 toneladas até a semana encerrada em 6 de março. O número representou montante maior do que os analistas de mercado haviam estimado, apresentando um aumento significativo em relação à semana anterior e em relação à média das últimas quatro semanas. Para acompanhar os dados completos sobre as exportações dos Estados Unidos, não apenas para o mercado de trigo, acesse o nosso relatório interativo de Vendas de Exportação.
Além disso, começam a surgir rumores de o clima seco nas planícies do sul dos Estados Unidos possam trazer prejuízos às safras de inverno cultivadas nesta importante região produtora do país. Os investidores devem se manter atentos à situação nos próximos dias, com o intuito de monitorar os reais impactos dessa adversidade climática nas lavouras.
Por outro lado, o USDA divulgou na terça-feira, 11 de março, seu relatório com Estimativas de Oferta e Demanda (WASDE, para a sigla em inglês). No documento, o órgão indica que os estoques finais globais de trigo devem ser maiores do que havia sido projetado anteriormente para o ano comercial 2024/25. Para os estoques finais dos EUA, espera-se que também haja algum aumento. Nesse sentido, os fundamentos acabaram limitando os ganhos para os preços futuros do cereal em Chicago.


No mercado europeu, o movimento dos preços futuros na bolsa de Paris foi semelhante ao que se observou nos Estados Unidos. O contrato futuro de maio/2025 avançou cerca de 1% ao longo da última semana, apresentando fechamento de 224 cents/bushel na sexta-feira, 14 de março. O trigo europeu viu alguma margem para ganhos, observando que os preços do cereal recuaram um pouco nos EUA, enquanto investidores se preocupam com as tarifas comerciais impostas pelo governo estadunidense, que tem gerado medidas retaliatórias por parte dos países afetados, trazendo potenciais prejuízos à comercialização de grãos nos EUA.
Porém, alguns fatores baixistas atuaram limitando os ganhos do setor. A publicação do WASDE na terça-feira, indicando maiores estoques globais finais, acabaram pressionando os futuros do trigo na Bolsa de Paris. Os investidores têm aumentado suas posições vendidas em trigo, possivelmente apostando em uma perspectiva de baixa para os preços futuros.
O ritmo das exportações europeias não tem se mostrado muito acelerado, com agências locais reduzindo suas estimativas para o ano de comercialização de 2024/25, com o surgimento de poucos focos de demanda no momento.

Na região do Mar Negro, os preços FOB tiveram uma leve elevação em relação à última semana, em meio aos debates que envolvem as exportações e as políticas comerciais da Rússia e Ucrânia. O governo russo optou por reduzir os impostos de exportação sobre o trigo entre os dias 19 e 25 de março, tornando o trigo russo mais competitivo no mercado internacional, pressionando as cotações nas demais praças, ou ao menos limitando seus ganhos.
Do lado da demanda, as licitações lançadas por países do norte da África e do Oriente Médio, com destaque para a Argélia e a Tunísia, representam demanda significativa que sustenta os preços do trigo na região no Mar Negro, principalmente quando se considera que esta é a principal origem do trigo importado por estes países.
Em geral, a dinâmica do mercado de trigo para a última semana foi marcada por uma interação entre fatores regionais, como as políticas de exportação lançadas pelo governo russo, assim como sinais de demanda vindos do exterior e os fundamentos de mercado observados nas demais praças, por exemplo, o momento atual de enfraquecimento global do dólar, que torna as exportações estadunidenses mais competitivas internacionalmente. Além disso, a política tarifária implementada pelos Estados Unidos traz certa instabilidade ao mercado, considerando também as medidas retaliatórias que têm gerado.







