• Café arábica recuou 1,2% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 182,95/lb
• Na bolsa de Londres, café robusta avançou 0,3% para USD 3.308/t
• Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 1,2%
• Indicador Cepea de café robusta avançou 1,1% para R$ 888,20/saca
• Dollar Index avançou 0,1% para 102,78 pontos e o par USDBRL 0,5% para 4,99
• Avanço da colheita no Brasil pode pressionar os preços
• Vietnã tem enfrentado um clima seco em meio ao período de florada
• Mercado ficará de olho no inverno no Brasil e a possiblidade do retorno do La Niña
Em Nova Iorque, os preços futuros de café terminaram a semana em queda devido a liquidação de posições por parte dos agentes especulativos em meio a um cenário técnico enfraquecido e sem mudanças no ponto de vista dos fundamentos. Pesou também sobre os preços a divulgação dos dados de exportação no Brasil pelo Cecafé, que mostrou um avanço 57,5% nas exportações brasileiras de café cru em fevereiro. Além disso, a alta do dólar na semana contribuiu para pressionar as cotações na semana. Por outro lado, os preços futuros de café robusta terminaram a semana praticamente inalterados, com uma pequena alta de apenas 0,3% para o contrato de maio.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, com vencimento em maio, terminou a semana com perdas de 225 pontos (-1,2%), fechando a sexta-feira (15) cotado em US₵ 182,95/lb. Em Londres, os preços futuros de café robusta tiveram um avanço de USD 11/ton (0,3%), fechando a sexta-feira (15) cotado em USD 3.308/ton. No período, o Dollar Index teve alta de 0,1% para 102,78 pontos e o par USDBRL avançou 0,3% para USDBRL 4,99.
Seguindo movimentações observadas no exterior, os preços de café também terminaram a semana com resultados mistos no mercado doméstico brasileiro. O indicador Cepea para o café arábica teve uma queda de 1,2% no período, fechando a semana cotado em R$ 1006,16/saca. Já os preços de café robusta terminaram a semana em alta, com o indicador Cepea para o tipo avançando 1,1% na semana, fechando a sexta-feira (15) cotado em R$ 888,20/saca.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 11/03 a 15/03

Do ponto de vista dos fundamentos, o avanço da colheita da safra 2024/25 no Brasil pode atuar de forma baixista para os preços de café, principalmente para o arábica, cujo balanço de oferta e demanda deverá ter um maior excedente na próxima temporada. Apesar da discrepância entre as estimativas de safra no Brasil, existe um consenso que a produção terá um substancial avanço no próximo ano safra. Considerando o impacto disso no balanço global de oferta e demanda, a expectativa da maior parte dos agentes é de que haverá um excedente maior em 2024/25. No entanto, quando analisamos as espécies de café separadamente, o cenário seria de um maior excedente para o café arábica, enquanto o café robusta seguirá com uma oferta apertada, tendo em vista os problemas produtivos nos principais produtores na Ásia.
Apesar do enfraquecimento do El Niño e retorno para uma condição neutra nos próximos meses, os volumes de chuva no Vietnã nos últimos meses estiveram abaixo da média. As lavouras do país asiático estão passando pelo período da florada, etapa crítica de desenvolvimento, que necessita de condições climáticas adequadas e que está diretamente o potencial produtivo do país.
Ciclo de produção de café nos principais países produtores

Anomalia: % de chuvas frente a média histórica no Vietnã, últimos 90 dias (%)

Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2024.
Além do Vietnã, a produção da Indonésia foi severamente impactada, coma a estimativa do USDA apontando para uma queda de mais de 2 milhões de sacas (-18%) na produção do país, para 9,7 milhões de sacas e 2023/24. Para a próxima temporada, existe uma preocupação entre os agentes que a produção poderia ser reduzida por mais um ano seguido devido aos problemas climáticos causados pelo El Niño. Olhando para o ciclo produtivo do país, a florada na região norte da ilha de Sumatra é previsto para acontecer entre abril e maio, mas o mapa de anomalia de chuva do país mostra que o volume nos últimos meses foi abaixo da média naquela região.
Anomalia: % de chuvas frente a média histórica na Indonésia, últimos 90 dias (%)

Além dos fatores supracitados, ainda existes algumas incertezas ligadas ao clima no Brasil, o que pode contribuir para aumentar a volatilidade dos preços. Apesar de o avanço da colheita no Brasil ter um viés baixista para as cotações, a chegada do inverno e a possibilidade da passagem de ondas de frio podem dar suporte aos preços de café. Ademais, os modelos da agência americana NOAA já indicam uma alta probabilidade, acima de 60%, para o retorno do La Niña a partir do trimestre junho, julho e agosto. O fenômeno está associado ao atraso das chuvas no cinturão cafeeiro no Brasil no segundo semestre do ano e, caso o fenômeno seja de forte intensidade, existe a possibilidade de impactos na florada brasileira do café arábica, como aconteceu em 2020 e 2021.




