• Café arábica recuou 3,4% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 224/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 1,7% para USD 4151/t
• Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 3,6%, cotado a R$ 1.260,03/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 0,5% para R$ 1.160,91/saca
• Vietnã vê retorno parcial das chuvas em parte do cinturão cafeeiro
• Modelos climáticos apontam para acumulados de até 200 mm nas próximas semanas
• Dados preliminares da Secex apontam para aumento de 30% nas exportações
• Relatos apontam para qualidade inferior nos primeiros lotes da nova safra
• Perspectiva ainda é de oferta confortável de arábica e aperto no robusta
• Nas próximas semanas serão divulgados os relatórios dos adidos do USDA
Na última semana, os preços futuros de café arábica e de café robusta seguiram trajetórias distintas, com as cotações em Nova Iorque caindo em meio a uma realização de lucros e outros fatores técnicos. Por outro lado, o cenário inalterado de oferta limitada de café robusta e as preocupações com as condições climáticas no Vietnã deram suporte aos preços de café robusta no terminal londrino. Em Nova Iorque, o contrato mais ativo teve uma queda de 785 pontos (-3,4%), fechando a sexta-feira (26) cotado em US₵ 224,00/lb. No terminal londrino, o contrato mais ativo de café robusta avançou USD 71/ton (+1,7%) para USD 4151/ton.
No Brasil, os preços de café no mercado doméstico seguiram a tendência observada no mercado internacional. O indicador Cepea para o café arábica teve uma queda de 3,6% para R$ 1260,03/saca. Já o indicador para o café robusta apresentou um avanço de apenas 0,5% para R$ 1160,91/saca. Além das movimentações no exterior, a queda de 1,7% do dólar na semana contribuiu para pressionar as cotações de arábica e limitar os avanços dos preços de robusta.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 22/04 a 26/04

Em meio às preocupações com o clima no Vietnã, as chuvas voltaram parcialmente em parte do cinturão cafeeiro do país, o que arrefece as condições para as lavouras do país. Além disso, os modelos climáticos têm apontado para importantes volumes de chuva na região das terras altas centrais do país, local onde se concentra mais de 80% do parque cafeeiro nacional. De acordo com os modelos, parte da região receberá acumulados de chuva entre 50 e 200 mm nas próximas duas semanas. O retorno das chuvas é crucial para garantir o adequado desenvolvimento da safra no país. Apesar das preocupações, como já foi apresentado em outras edições deste relatório, a transição de uma condição de El Niño para Neutro, conforme apresenta os modelos do NOAA, tende a beneficiar o retorno das chuvas no sudeste da Ásia.
Previsão acumulado de chuva para as próximas duas semanas (mm)

Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC
Nas próximas semanas, os participantes do mercado ficarão de olho na divulgação dos dados de exportação do Brasil em abril, pelo Conselho dos Exportações de Café do Brasil (Cecafé). A expectativa de forma geral é de volumes de exportação amplos no mês, conforme ocorreu nos meses anteriores. Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (Secex) indicam que até a terceira semana de abril o país exportou 2,98 milhões de sacas de café, o que é quase 30% maior que o volume observado no mesmo período em abril de 2023.
Outro assunto importante tem sido as impressões dos primeiros lotes da nova safra do ponto de vista da qualidade. Na última semana, houve o relato de que os primeiros lotes colhidos apresentavam características qualitativas inferiores, principalmente com relação ao tamanho dos grãos. Apesar dos relatos, a perspectiva é que de ainda é muito cedo para considerar que essa será uma característica da safra 2024/25 como um todo. É natural os primeiros lotes terem uma qualidade inferior, tendo em vista que a porcentagem de frutos verdes ainda é muito grande, o que impacta negativamente o produto. Além disso, a nível dos preços praticados atualmente tem estimulado alguns produtores a adiantar sua colheita com o observo de comercializar o café o mais rápido possível.
No geral, do ponto de vista dos fundamentos, a expectativa é de que o balanço de oferta e demanda seja mais confortável para o café arábica na próxima temporada, enquanto o mercado de café robusta seguirá enfrentando uma condição de oferta limitada. O início da safra no Brasil e na Indonésia, a partir de meados de junho, pode ser um fator baixista no médio prazo. Mas os problemas de oferta no Vietnã continuarão tendo um viés altista, principalmente pelo fator de a próxima colheita do país só iniciar a partir de meados de novembro.
Nas próximas semanas, também será foco do mercado a divulgação dos relatórios dos adidos do USDA, que divulgarão suas estimativas para os países produtores de café. Em meados de junho, a agência divulgará seu relatório final com as estimativas para o balanço global de oferta e demanda de café. A expectativa é de que a agência aponte para um importante aumento na produção brasileira de café e para um balanço de oferta e demanda global mais amplo. Resumos dos relatórios dos adidos serão publicados no portal da StoneX a medida em que forem divulgados pelo USDA.
TABELA DE INDICADORES



