• Café arábica avançou 5,6% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 218,25/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 10,6% para USD 3892/t
• Dólar tem alta de 1,2% para USDBRL 5,17 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 6,8%, cotado a R$ 1234,07/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 10% para R$ 1075,79/saca
• Retorno dos fundos suportou o avanço nos preços
• Empresa do setor projetou produção vietnamita em 24 milhões de sacas
• Custos logísticos seguem avançando em meio ao conflito no Oriente Médio
• Conab ajusta sua estimativa em 1,3% para 58,8 milhões de sacas
• USDA divulga relatório para Colômbia, Honduras, Peru e Nicarágua
Na última semana, os preços futuros de café voltaram a avançar em meio ao cenário de oferta reduzida de café robusta e o retorno dos fundos, que apresentaram um maior apetite pelos contratos de café. Além disso, na última semana, a empresa Volcafe divulgou suas projeções para a produção no Vietnã em 2024/25, indicando que a produção do país deve cair para 24 milhões de sacas. Ademais, o Coffee Network, empresa do grupo StoneX, reportou em uma matéria que os custos logísticos seguem avançando em meio a crise no Oriente Médio – o avanço dos preços de frente na região tem sido um dos fatores de suporte para os preços em Londres, tendo em vista que essa questão impacta a logística do café originado na Ásia.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, de julho, fechou a semana com uma valorização de 1165 pontos (+5,6%), fechando a sexta-feira (24) cotado em US₵ 218,25/lb. Em Londres, o contrato com vencimento em julho avançou USD 374/ton (+10,6%), fechando a sexta-feira cotado em USD 3892/ton. O par USDBRL avançou 1,2% para 5,17 e o dólar index 0,3% para 104,65 pontos.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 20/05 a 24/05

No mercado doméstico brasil, os preços seguiram a tendência observada no exterior e terminaram o período com grande avanço. O indicador Cepea para o café arábica teve uma alta de 6,8%, fechando a sexta-feira (24) cotado em R$ 1234,07/saca. Para o café robusta, o indicador teve uma valorização ainda mais intensa de mais de 10%, voltando a ser negociado acima de mil reais, fechando a sexta cotado em R$ 1075,79/saca.
Enquanto há algumas semanas os preços futuros de café recuaram em meio a liquidação por parte dos agentes especulativos, a última semana foi marcada pelo retorno desses operadores ao mercado de café. O relatório CFTC mostrou que entre os dias 14 e 21 de maio, os fundos em Nova Iorque haviam aumentado sua posição líquida comprada em mais de 1370 contratos. Em Londres, o relatório COT mostrou que os fundos aumentaram sua posição comprada em mais de 1700 contratos no mesmo período. No período supracitado, os preços avançaram 1640 pontos (+8,1%) em Nova Iorque e USD 240/ton (+7%) em Londres.
Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado de café robusta segue sendo o protagonista no mercado internacional de café. Os problemas relacionados à produção e a oferta limitada do tipo na Ásia seguem sendo os principais fatores altistas. Como foi comentado, a Volcafe divulgou sua estimativa para a produção vietnamita em 2024/25 de 24 milhões de sacas, volume substancialmente inferior à temporada 2023/24, estimada pelo USDA em 27,5 milhões de sacas – o USDA ainda não divulgou seu relatório attaché para o Vietnã neste ano, mas como o relatório para vários países já foram disponibilizados, as atualizações e projeções do Departamento deverão ser divulgadas nos próximos dias ou semanas. Acentuando ainda mais este cenário, os dados indicam que os custos logísticos seguem avançando em meio às dificuldades com o transporte provocados pelo conflito no Oriente Médio.
No Brasil, a Conab atualizou sua estimativa com incremento de 1,3% na produção com relação a estimativa anterior. De acordo com a Conab, a produção brasileira deve totalizar 58,8 milhões de sacas, o que representa um incremento de 6,8% com relação a produção do ano anterior. A produção brasileira de café arábica foi estimada em 42,1 milhões de sacas (+8,2%) e a produção de robusta em 16,7 milhões de sacas (+3,3%). A estimativa da Conab é a menor dentro todas as projeções para a produção brasileira de café. A StoneX diverge das projeções da Conab, estimando a produção brasileira em 67 milhões de sacas (4,2%), sendo 22,7 milhões de café robusta e 44,3 milhões de café arábica.
Produção brasileira de café de acordo com a Conab (milhões de sacas)

Fonte: Conab. Elaboração: StoneX.
USDA divulga relatórios attaché da Colômbia, Honduras, Peru e Nicarágua
Para a Colômbia, o USDA aumentou sua projeção para a produção do país em 2023/24 para 12,2 milhões de sacas (+6%). Para 2024/25, a produção do país deve alcançar 12,4 milhões de sacas, representando um aumento de 1,6% se comparado com a safra anterior. Para o consumo, a agência projeta um incremento de 1,56% para 2,265 milhões de sacas. As exportações totais foram estimadas em 12 milhões de sacas, representando um aumento de quase 1,9% no volume. Por outro lado, as importações do país devem se recuperar em 2024/25, avançando 10,7% para 1,85 milhões de sacas. Importante lembrar que dentre os países produtores, a Colômbia é um importante importador de café brasileiro.
De acordo com o USDA, a produção hondurenha de café deve permanecer estável em 2024/25, totalizando 5,5 milhões de sacas. O consumo doméstico de café no país deve avançar 7% para 410 mil sacas e as exportações devem alcançar 5,3 milhões de sacas (+6%). Já para o Peru, o departamento projeta um aumento de 6,8% na produção, que deve alcançar 4,22 milhões de sacas em 2024/25. Segundo o relatório, o aumento é resultado dos preços elevados, o que estimulou os produtores a investir mais em fertilizantes. O consumo deve ter um recuo de 3,6% para 240 mil sacas e as exportações totais do país devem alcançar 4,07 milhões de sacas (+6,4%).
Na Nicarágua, a produção de café do país deve totalizar 2,61 milhões de sacas em 2024/25, o que representa um incremento de 8,3% se comparado com a temporada anterior. De acordo com o relatório, o consumo de café no país deve permanecer inalterado em 160 mil sacas. Por outro lado, as exportações totais do país devem avançar 9,3% para 2,46 milhões de sacas.
Considerando os relatórios divulgados até o momento (Colômbia, Indonésia, Honduras, Guatemala, Peru, México, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador) o USDA reduziu a produção em 2023/24 em 8,1% para 40,6 milhões de sacas. Para 2024/25, o somatório destes países indica um avanço de 9,8% para 44,5 milhões de sacas. Para as exportações, o departamento reduziu para 35,2 milhões de sacas (-9,5%) em 2023/24 e indicou um aumento de 8,2% em 2024/25, para 38,1 milhões de sacas.
Tabela resumo dos relatórios do USDA

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES



