• Café arábica avança 0,8% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 226,80/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta recuaram 2,5% para USD 4011/t
• Dólar avança 2,9% para USDBRL 5,59 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 1,4%, cotado a R$ 1.370,81/sc
• Indicador Cepea de café robusta avança 1,3% para R$ 1.222,46/saca
• Oferta reduzida na Ásia segue sendo fator altista
• Incerteza sobre o real tamanho da safra brasileira pode atuar de forma altista
• Possível otimismo com florada brasileira pode pressionar as cotações
• Divulgação dos dados das exportações brasileiras estará no foco dos agentes
• Tendência para o consumo ainda é incerta
Na última semana, os preços futuros de café terminaram o período com resultados mistos, mas com o café robusta recuando em meio as entregas contra o vencimento de julho na bolsa de Londres. Foram emitidos até o momento mais de 4100 avisos de entrega de café robusta para o vencimento de julho. Com relação aos fundamentos, o cenário segue praticamente inalterado, com a oferta de café robusta na Ásia atuando de forma altista e o foco dos participantes se voltando as condições climáticas.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, de setembro, terminou a semana com uma valorização de apenas 0,8%, fechando a sexta-feira (28) cotado a US₵ 226,80/lb. Para o terminal londrino, o contrato de café robusta com vencimento em setembro apresentou um recuo de 2,3% na semana, para USD 4011/ton. Por outro lado, considerando a variação mensal, os preços de café arábica tiveram um avanço de 2,5% em junho enquanto os preços de robusta avançaram apenas 0,6% no mês.
Intraday semanal (contrato mais ativo) –24/06 a 28/06

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café terminaram a semana em alta. O indicador Cepea para o café arábica apresentou um incremento de 1,4% na semana e acumulou uma valorização de 6,6% no mês, fechando a última semana cotado em R$ 1370,81/saca. O indicador para o robusta também avançou, contabilizando um alta de 1,3% na semana e de 6,4% no mês para R$ 1222,46. O forte avanço dos preços no mercado doméstico está ligado a forte alta do dólar, que avançou 2,9% na última semana e acumulou uma alta de 6,7% no mês, fechando a última sessão cotado em USDBRL 5,59.
Do ponto de vista dos fundamentos, que segue sem grandes mudanças, existem fatores altistas e baixistas que podem impactar os preços de café nos próximos meses. Com a divulgação do relatório final do USDA, que apontou para um excedente de 5,6 milhões de sacas na temporada 2024/25, a atenção dos agentes se volta para os estágios iniciais de desenvolvimento no Brasil e para o clima. No entanto, existem alguns aspectos que podem impactar os preços de diferentes maneiras.
Dos fatores altistas, podemos destacar o contínuo impacto da oferta reduzida de café robusta na Ásia, cenário que deve permanecer por pelo menos por alguns meses. Enquanto parte da colheita de café na Indonésia acontece a partir de junho, a safra do Vietnam, maior produtor mundial do tipo, só deve ter início em meados de novembro. Os dados oficiais têm apontado para uma sequência de quedas nas exportações de café dos países asiáticos, com as exportações vietnamitas recuando 47% e as exportações da Indonésia recuando 35% em maio no comparativo anual.
Outro fator importante é a incerteza com relação ao real tamanho da safra brasileira de café. Existem vários relatos e indicativos de que a safra brasileira de café conilon será inferior às expectativas. Além disso, algumas regiões de café arábica também têm apresentado resultados aquém do esperado para a temporada. A StoneX está realizando um estudo sobre o rendimento das lavouras no Brasil e divulgará seus resultados entre o final de julho e início de agosto.
Por outro lado, apesar de algumas divergências, a perspectiva do USDA de um maior excedente em 2024/25 tem um viés baixista para as cotações. Outro fator que pode atuar negativamente é a expectativa de um clima adequado durante a florada do café. A agência americana NOAA reduziu a probabilidade da ocorrência do La Niña no segundo semestre e apontou, em seu último relatório, que o fenômeno seria de fraca intensidade e por um período relativamente curto. A expectativa é que neste contexto, não ocorra atrasos na chegada das chuvas, o que contribuiria para um bom desenvolvimento da florada. Um cenário de abertura ampla das floradas pode gerar um otimismo com a safra 2025/26 e atuar de forma negativa para as cotações.
Previsão probabilística e projeção de variação na temperatura de superfície do Oceano Pacífico (ºC)

Fonte: IRI/CPC, NOAA. *Média dos modelos estatísticos
Além desses fatores, outro ponto negativo é a incerteza quanto ao consumo de café nos principais centros consumidores. Nos últimos anos, o consumo de café nos EUA e Europa foram impactados pela forte inflação sobre os preços de café. No início do ano, havia a expectativa de uma substancial recuperação no consumo enquanto a inflação sobre os preços recuava. No entanto, este não foi o caso e os resultados financeiros de algumas empresas do setor apontaram para desempenho negativos no primeiro trimestre do ano.
Ademais, para as próximas semanas, apesar de não haver nenhuma perspectiva concreta, a possibilidade da chegada de qualquer onda de frio pode atuar de forma altista e contribuir para uma maior volatilidade nos preços de café. Também será foco dos agentes a divulgação das exportações brasileiras de café em junho pelo Cecafé. Os dados preliminares do conselho apontam para um recuo de mais de 20% nos embarques. No entanto, os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior apontam para um incremento de 11% nas exportações até a terceira semana do mês, cujo volume foi contabilizado em 2,57 milhões de sacas.
TABELA DE INDICADORES



