• Café arábica recuou 3,3% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 230,25/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta recuaram 5% para USD 4302/t
• Dólar avançou 1,1% para USDBRL 5,66 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 1,1%, cotado a R$ 1.409,05/sc
• Indicador Cepea de café robusta recuou 0,1% para R$ 1.278,50/saca
• Empresas do setor divulgam seus resultados financeiros
• Avanço da colheita no Brasil e na Indonésia pressiona as cotações
• Modelos climáticos apontam para clima seco em agosto nas regiões de café
Os preços futuros de café arábica e café robusta terminaram a última semana em queda, refletindo a alta do dólar na semana e a maior disponibilidade de café em meio aos avanços na colheita no Brasil e na Indonésia. Em Nova Iorque, o contrato mais ativo teve uma queda de 795 pontos (-3,3%), fechando a sexta-feira (26) cotado em US₵ 230,25/lb. Em Londres, a queda foi ainda mais intensa, com os preços recuando USD 228/ton (-5%), fechando a última sessão cotando em USD 4302/ton. No mercado doméstico brasileiro, os preços de café apresentaram uma variação menos intensa, com o indicador Cepea para o café arábica recuando 1,5% e o indicador para o café robusta apenas 0,1%. Esse cenário foi reflexo da alta de 1,1% do dólar na semana, que fechou cotado em USDBRL 5,66.
Com relação ao cenário macroeconômico, o ambiente internacional na última semana foi marcado por um sentimento de pessimismo e aversão ao risco, refletindo a frustração dos investidores com os resultados trimestrais das empresas de capital aberto nos EUA, gerando um receio de que a economia do país estivesse desacelerando. Algumas empresas ligadas ao setor do café também divulgaram seus resultados trimestrais.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 22/07 a 26/07

Dentre as empresas que divulgaram seus resultados trimestrais, podemos destacar os dados da Coca-Cola, Dr Pepper e Nestlé. De acordo com o relatório da Coca-Cola, as vendas de café da empresa no segundo trimestre do ano tiveram uma queda de 4%, principalmente devido aos resultados da Costa Coffee, empresa pertencente ao grupo, no Reino Unido. Os resultados financeiros da Dr Pepper mostram uma queda de 2,1% na receita no segundo trimestre, refletindo uma queda de 2,9% nos preços e um incremento de 0,8% no volume comercializado. Já a Nestlé reportou que a Nespresso teve um crescimento orgânico de 1,8%, com o crescimento interno real avançando de 1,1% no primeiro trimestre para 2,4% no segundo trimestre do ano.
Do ponto de vista dos fundamentos, além da pressão causada pela alta do dólar nas cotações em Londres e em Nova Iorque, os preços têm recuado em meio ao avanço da colheita no Brasil e na Indonésia. O último relatório divulgado pela StoneX mostrou que 85% da safra brasileira já foi colhida, com o ritmo de colheita do robusta em 98% e do arábica em 78% até a sexta-feira (26). A colheita na Indonésia, que teve início em meados de junho, também segue avançando e aumentando a disponibilidade de café no mercado doméstico do país.
Nas próximas semanas, será foco dos agentes as divulgações com os dados de exportação dos países, principalmente o Brasil, e o acompanhamento das atualizações climáticas. Com a aproximação do fim da colheita no Brasil, a abertura das floradas se torna o evento principal para os participantes do mercado. O sucesso da florada, que pode definir o potencial da safra 2025/26, depende das condições do tempo nos próximos meses.
Segundo os modelos, a passagem das frentes frias esperadas para agosto não trará umidade suficiente para provocar chuvas significativas no cinturão cafeeiro, prevalecendo tempo seco com temperaturas médias acima do normal, especialmente na região do cerrado e sul de Minas Gerais. Os modelos indicam cada vez mais que, somente no início da primavera, a partir de setembro e outubro, espera-se a regularidade das chuvas, o que induzirá a abertura e uma floração concentrada.
Previsão acumulada de chuva para as próximas duas semanas (mm)

Fonte: StoneX.
Se a janela de tempo seco se prolongar até o início de outubro, ou se ocorrerem períodos de chuvas breves em setembro seguidos por tempo seco com temperaturas acima do normal, pode haver uma queda prematura das flores, reduzindo o pegamento das flores e dos frutos. Este possível cenário deverá ser monitorado cuidadosamente. Caso as previsões de chuvas mais tardias continuem permanecendo nos próximos dias, as preocupações quanto ao sucesso da florada tendem a fornecer suporte para as cotações de café.
TABELA DE INDICADORES



