• Contrato de café em Nova Iorque avança 7,3%, cotado em US¢ 269,15/lb
• Preços futuros de robusta sobe 1,8% para USD 5482/ton na bolsa de Londres
• Dólar marca queda de 1,4% em relação à moeda brasileira
• No Brasil preços de café robusta se mantém acima do café arábica
• Clima no Brasil segue no radar. Maiores volumes são fundamentais
• Preços elevados no mercado brasileiro começa a se refletir nas gôndolas
• Café robusta brasileiro segue amplamente mais competitivo que robusta asiático
• Colheita no Vietnã em novembro pode trazer alívio aos preços no mercado físico
• Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia espera colher 13 milhões de sacas em 2024
• Dados de importação nas principais regiões consumidoras seguem mistos
Os últimos dias apresentaram mais uma semana de valorização do café em suas principais bolsas de negociação, com o clima no Brasil permanecendo no centro das atenções e mantendo o mercado apreensivo, à medida que volumes de chuvas mais consistentes ainda não foram registrados no cinturão cafeeiro. Os preços do café arábica na bolsa de Nova York fecharam em torno de US¢ 270/lb, representando uma alta semanal de 7,3%. Enquanto isso, o café robusta na bolsa de Londres subiu 1,8%, encerrando a USD 5.482/t. Na quinta-feira (26), o mercado atingiu um novo marco, com os preços alcançando máximas históricas. Em Nova York, o contrato mais ativo chegou a uma máxima intradiária de US¢ 275,05/lb, renovando os maiores níveis em 13 anos. Em Londres, o café robusta atingiu USD 5.575/t, o maior nível já registrado.
No Brasil, o indicador Cepea aponta que o café robusta continua sendo o mais caro, com o diferencial entre arábica e robusta se mantendo em território positivo, algo raro no mercado brasileiro. O indicador para o café arábica terminou a semana cotado a R$ 1.496,57/saca, uma alta de 2,5%. Enquanto isso, o indicador para o café robusta fechou a sexta-feira a R$ 1.504,58/saca, com ganho semanal de 2,4%.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 23/09 a 27/09

O clima no Brasil continua sendo a principal fonte de volatilidade no curto prazo, e é crucial acompanhar as atualizações dos modelos de previsão. Espera-se que as chuvas se regularizem apenas a partir de meados de outubro. Recentemente, algumas regiões cafeeiras de Minas Gerais registraram volumes de chuva, embora de forma concentrada e por curto período. Isso ajudou a aliviar um pouco o cenário de altas temperaturas, mas mais chuvas ainda são fundamentais para o desenvolvimento adequado das plantas e para o pegamento e continuidade do crescimento dos grãos.
Os preços elevados dos últimos meses têm impactado os consumidores no Brasil. Até abril deste ano, segundo o IBGE, a inflação acumulada em 12 meses do café torrado e moído estava em -1,6%. Desde então, observamos altas mensais significativas, com o dado mais recente, de agosto, mostrando uma inflação acumulada de 16,6%. Se esses aumentos continuarem, poderão prejudicar o consumo, como ocorreu em 2022, quando a inflação acumulada ultrapassou 60%. Na zona do euro, os preços têm se mantido estáveis, enquanto nos Estados Unidos houve um leve aumento nos últimos meses, mas ainda dentro de níveis controlados, sem indicar grandes riscos ao consumo.
Inflação acumulada em 12 meses do café torrado e moído ao consumidor

Fonte: IBGE, BLS e Eurostat. Elaboração: StoneX.
Apesar dos preços elevados, o café robusta brasileiro continua sendo o mais competitivo em comparação com outras origens. No mercado asiático, as cotações físicas estão ainda mais altas devido à oferta reduzida e à entressafra no Vietnã, o maior produtor de robusta. No entanto, os diferenciais de preço do robusta no Vietnã e na Indonésia caíram em setembro, com os preços não acompanhando a alta observada na bolsa de Londres, sugerindo que os compradores conseguiram recompor parte de seus estoques. A situação pode melhorar a partir de novembro, com o início da colheita no Vietnã, e a depender de se serão notados bons rendimentos.
Diferenciais médios de preço de café robusta nas origens (USD/t)

Fonte: StoneX, Cecafé e Refinitiv. Elaboração: StoneX.
Na produção, a Colômbia também trouxe atualizações, com a Federação Nacional dos Cafeicultores prevendo que a produção em 2024 atingirá 13 milhões de sacas, um aumento de 15% em relação ao ano passado, quando o país produziu 11,3 milhões de sacas. A colheita principal já começou e deve ganhar ritmo em outubro, contribuindo para uma maior oferta no mercado americano no quarto trimestre, quando as importações de café colombiano tendem a aumentar. Para 2025, há alguma preocupação, pois, apesar do retorno das chuvas, o país enfrentou dois meses consecutivos de seca, e, assim como no Brasil, mais chuvas são necessárias para garantir o desenvolvimento pleno da safra.
No lado da demanda, os dados dos principais importadores são mistos. Em julho, as importações de café pelos EUA registraram o segundo mês consecutivo de queda em comparação anual. Em junho, as importações foram 5,4% menores que no mesmo mês de 2023, enquanto em julho, totalizaram 1,659 milhão de sacas, uma queda de 13,8% em relação a julho de 2023, quando ficaram em 1,925 milhão. No acumulado do ano até julho, os EUA importaram 12,8 milhões de sacas, cerca de 1% abaixo do mesmo período no ano passado. Já as importações da União Europeia aumentaram 4,7% até julho em comparação ao ano anterior, atingindo 28,3 milhões de sacas, um indicativo mais positivo para o consumo na região.
Para esta semana, além do clima, o Ministério do Comércio do Brasil divulgará na próxima sexta-feira os dados de exportações de setembro. Embora os números do café sejam preliminares, já que os dados do Cecafé serão publicados apenas na semana seguinte, esses dados fornecerão um termômetro de como está o fluxo de exportações da safra atual.
TABELA DE INDICADORES




