• Café arábica recuou 3,5% na bolsa de Nova York, cotado a US¢ 248,40/lb
• Cotações do café robusta caíram 4,4%, para USD 4.411/ton na bolsa de Londres
• O dólar teve alta de 0,1% na semana, alcançando USD/BRL 5,70
• No mercado doméstico, o café arábica recuou 1,8% e o robusta 1,3%
• O excesso de chuva no Vietnã tem atrapalhado a colheita
• O retorno das chuvas e a abertura da florada no Brasil pressionaram as cotações
• As condições climáticas não são mais um problema para o café no Brasil
• StoneX divulgará a primeira estimativa da safra 2025/26 no início de novembro
• VIMEXCO estima a safra do Vietnã em 28,3 milhões de sacas na atual temporada
• WSJ: Guerra de Preços do Café Afeta Keurig e Starbucks
Na última semana, os preços futuros de café voltaram a cair em meio a melhora nas condições climáticas no Brasil, a abertura da florada do café arábica e o início da colheita no Vietnã. Em Nova Iorque, os preços futuros de café arábica tiveram um recuo de 890 pontos (-3,5%) para o contrato mais líquido, que fechou a sexta-feira (25) cotado em US¢248,40/lb – na quinta-feira (24) o mercado em Nova Iorque atingiu seu menor patamar desde o dia 07/10.
Em Londres, o início da colheita no Vietnã atuou de forma baixista sobre as cotações de café robusta. A colheita no país já teve início, mas tem sofrido com o excesso de chuvas, o que tem atrasado o avanço da colheita. Mesmo assim, a expectativa é que a colheita do país ganhe ritmo a partir de meados de novembro, o que tende a aumentar a disponibilidade de café no mercado físico. O contrato mais ativo, de janeiro, terminou a semana com uma queda de USD 204/ton (-4,4%), alcançando na quinta-feira (24) o menor valor desde meados de agosto e fechando a sexta-feira (25) cotado em USD 4411/ton.
Nesta segunda-feira (28), os preços de café seguem avançando em meio a uma melhor atividade comercial, enquanto os torradores aproveitam a queda recente nos preços, que, como citado acima, atingiram o menor preço desde o início do mês em Nova Iorque e o menor preço desde meados de agosto para o terminal londrino.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 21/10 a 25/10

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café seguiram a tendência observada no exterior e terminaram a semana em queda. No entanto, o recuo foi menos intenso devido à manutenção do dólar em patamar elevado, que teve um avanço de 0,1% na semana, cotado em R$ 5,70. O indicador Cepea para o café arábica terminou a semana com um recuo de 1,8% para R$ 1.500,20/saca. Para o robusta, o indicador teve uma queda de 1,3% para R$ 1.409,57/saca.
Do ponto de vista dos fundamentos, existem alguns fatores que podem indicar um cenário baixista no curto/médio prazo. Enquanto a menor oferta no Vietnã e Indonésia nas últimas temporadas, associado ao clima seco no Brasil nos últimos meses e a possibilidade da implementação da legislação EUDR deram suporte para as máximas observadas no final de setembro/início de outubro, alguns desses fatores deixaram de existir.
A questão climática no Brasil já não é mais um problema. Os possíveis impactos que ocorreram até o início das chuvas, caso tenham impactado os botões florais, teriam um caráter irreversível. No entanto, o retorno das chuvas promoveu a abertura da florada principal do café arábica e os modelos têm indicado que as condições climáticas devem continuar favoráveis nos próximos meses.
Para o café robusta, o clima não causou problemas e o desenvolvimento segue sendo favorecido pelas condições climáticas e o uso de sistemas de irrigação. O tamanho da safra brasileira será um grande direcionador para os preços futuros de café. Apesar dos problemas nas áreas de arábica, o bom desenvolvimento do café robusta pode compensar parte da produção. A StoneX divulgará na primeira quinzena de novembro a primeira estimativa oficial para a safra 2025/26 no Brasil.
No Vietnã, apesar da expectativa de uma menor produção, o avanço da colheita e o aumento da disponibilidade no mercado físico tendem a continuar pressionando as cotações pelo menos no curto prazo. Em entrevista recente ao CoffeeNetwork, empresa do grupo StoneX nos EUA, Warren Ng, CEO da Corporação de Importação e Exportação de Recursos do Vietnã (VIMEXCO, sigla em inglês) disse que a safra atual no país (2024/25) está similar ao observado em 2023/24, que talvez possa ser de 3 a 5% menor, estimando a produção em 28,3 milhões de sacas. Por outro lado, o CEO da Associação Vietnamita de Café e Cacau (VICOFA, sigla em inglês), Nguyen Nam Hai, disse durante o evento Vitória Coffee Summit que a produção do país cairia de 26,7 para 24,5 milhões de sacas.
Na Colômbia, a colheita principal do país segue avançando, o que deve contribuir para uma maior disponibilidade de café no mercado físico e aumento nas exportações. Além disso, o clima tem contribuído para uma recuperação na produção do país. Ademais, outros países da América Central estão no seu período de colheita, o que deve aumentar a oferta e impulsionar as exportações de café destes países.
Com relação ao EUDR, enquanto existia a perspectiva de que a legislação seria implementada a partir de 2025, havia uma importante demanda por parte dos importadores europeus, que buscavam aumentar os estoques em antecipação a implementação da legislação. No entanto, a Comissão Europeia sinalizou que a implementação da lei seria postergada por 12 meses, o que aliviou as preocupações dos importadores Europeus no curto prazo.
Finalmente, existe um grande ponto de atenção com relação ao consumo nos próximos meses. Os dados do IBGE mostram que a inflação sobre o café vendido ao consumidor no Brasil já alcançou 23% no acumulado dos últimos 12 meses. Nos EUA, os dados do governo americano apontam para uma inflação acumulada de mais de 6% nos últimos 12 meses, com a média dos preços de café torrado e moído nos EUA alcançando o maior patamar da série histórica, que foi iniciada em 1980.
O principal impacto da inflação sobre os preços pagos pelo consumidor é uma redução do ritmo de consumo. Os dados preliminares da rede de cafeterias americana Starbucks mostraram que as vendas globais da empresa caíram 7% no último trimestre, com uma queda de 6% nas vendas só nos EUA. Os resultados da empresa Keurig Dr. Pepper mostraram uma queda de 3,6% na receita das vendas nos EUA no último trimestre, resultado de um aumento de 2,7% no volume, mas um recuo de 6,3% no preço. Apesar do aumento do volume, a redução nos preços mostra um possível acirramento na competição pelos clientes.
Este tema foi destaque em uma matéria divulgada ontem (27) pelo jornal americano THE WALL STREET JOURNAL, na matéria intitulada “Guerra de Preços do Café Afeta Keurig e Starbucks”, destacando que os americanos estão economizando no café e que as empresas de café têm competido por clientes com descontos e cupons. A matéria ainda destaca que, segundo a Nestlé, a demanda de café pelos consumidores enfraqueceu nos últimos meses.
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