• O café arábica avançou 5,3% na semana e 29,6% no mês, para US¢ 318,05/lb
• Futuros de robusta subiram 9,2% na semana e 25,6% no mês, para USD 5377/ton
• Indicador Cepea para o café arábica avançou 8% na semana e 37,5% no mês
• Indicador para o robusta saltou 10,5% na semana e 23% no mês
• Mercado reagiu à perspectiva de queda na produção de arábica
• Alta de 3% do dólar contribuiu para a alta no mercado doméstico
• Inflação dos preços de café ao consumidor segue avançando no Brasil e EUA
• Mercado de café ficará de olho na divulgação das exportações em novembro
• Brasil exportou 41,45 milhões de sacas nos primeiros 10 meses do ano
Na última semana, os preços futuros de café seguiram avançando em meio às preocupações com a safra brasileira de 2025/26, a redução das estimativas do USDA para a safra 2024/25, as incertezas relacionadas à nova legislação EUDR e a queda nas exportações do Vietnã, cuja produção está sendo colhida, mas tem sofrido com o excesso de chuva.
Como nas últimas semanas, as preocupações com a safra brasileira continuam no centro das atenções. Há o temor de que a disponibilidade global para o ano que vem possa ser significativamente menor, principalmente para o café arábica. A estimativa preliminar da StoneX aponta para uma queda de 10,9% na produção de arábica em 2025/26.
Além disso, os atrasos nos embarques das exportações, devido à menor disponibilidade de contêineres, têm elevado os custos de fretes, preocupando os agentes de mercado e contribuindo para os avanços nos preços.
No balanço semanal, os preços futuros de café arábica contabilizaram um avanço de 5,3%, para US¢ 318,05/lb no contrato mais ativo. Em Londres, o avanço semanal foi ainda mais intenso, de 9,2%, para USD 5377/ton. Na sessão desta segunda-feira (02), os preços em ambos os mercados apresentavam uma forte correção, com os preços recuando 7,17% para US¢ 295,25/lb em Nova York e 9,28% para USD 4878/ton em Londres, no momento da escrita deste relatório.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 25/11 a 29/11

No mercado doméstico brasileiro, os preços seguiram a tendência observada no exterior e avançaram. O indicador Cepea para o café arábica teve um aumento de 8,0%, para R$ 2098,06/saca. Para o robusta, o indicador subiu 10,5%, para R$ 1784,02/saca. Para ambos os mercados, os preços atingiram seus máximos históricos na última semana.
Vale destacar que as intensas altas do dólar frente ao real na semana passada impulsionaram os preços no mercado doméstico. A quebra de expectativas em relação às medidas de ajuste das contas públicas prometidas pelo governo federal levou a uma forte elevação da percepção dos investidores sobre os riscos fiscais do país. Nesse cenário, o dólar chegou a ser cotado acima de R$ 6,00 pela primeira vez na história no final da semana.
Inflação acumulada em 12 meses nos preços de café ao consumidor

Fontes: IBGE, BLS e Eurostat. Elaboração: StoneX.
Ao passo que as altas têm sido intensas, vale destacar que a inflação ao consumidor final segue avançando no mercado brasileiro, com o acumulado em 12 meses até outubro já atingindo 29%. Esses repasses da indústria tendem a continuar, o que pode influenciar negativamente o consumo no próximo ano, fator que pode ajudar a trazer um respiro para o balanço de oferta e demanda, caso a produção seja realmente menor.
Nas próximas semanas, serão repercutidos os dados de exportação de café no Brasil em novembro e as perspectivas para o fechamento das exportações no ano. Apesar dos problemas logísticos, incluindo a existência de 1,7 milhão de sacas presas nos portos brasileiros em outubro, houve um forte avanço nas exportações brasileiras em 2024.
De acordo com os dados do Cecafé, o Brasil exportou um total de 41,45 milhões de sacas nos primeiros 10 meses do ano, representando um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2023. As exportações de café industrializado avançaram 8,6% no período, para 3,36 milhões de sacas, com crescimento de 8,8% no café solúvel e queda de 9,6% no café torrado e moído. Já as exportações de café cru aumentaram 38%, superando 38 milhões de sacas. As exportações de robusta cresceram impressionantes 140%, para quase 7,9 milhões de sacas, enquanto as exportações de arábica subiram 24,3%, para 30,2 milhões de sacas.
TABELA DE INDICADORES


