• Café arábica atingiu US¢ 389,25/lb na ICE, queda semanal de 4,45%.
• Café robusta recuou 0,15%, fechando a USD 5.717/t na bolsa de Londres
• Perspectiva de aumento nos estoques certificados pressionou cotações
• Estoques pendentes ultrapassaram 110 mil sacas, podendo virar certificados
• Diferenciais de preços nas origens caíram, estimulando certificação na bolsa
• Previsões climáticas indicam chuvas substanciais no cinturão cafeeiro em março
• Modelos climáticos divergem quanto às chuvas em Minas Gerais
• Importações de café aumentaram 5,9% nos EUA e 9,2% na União Europeia
• Inflação do café ao consumidor subiu 8,6% em janeiro, acumulando 50%
Após ultrapassar o patamar histórico de 400 centavos de dólar por libra-peso, os preços futuros do café arábica encerraram a última semana em queda. Esse movimento de baixa foi influenciado por diversos fatores baixistas, incluindo o primeiro dia de aviso para o contrato de março na Bolsa de Nova Iorque, que aconteceu na última quinta-feira (20), a perspectiva de aumento nos estoques certificados de café arábica e o arrefecimento das preocupações climáticas no Brasil.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 17/02 a 21/02

Anteriormente, os preços futuros haviam registrado alta devido à oferta reduzida no mercado físico e à preocupação com o clima seco no Brasil, aliados a fatores técnicos de mercado. Contudo, a mudança nas previsões climáticas para os próximos 15 dias indicou um cenário mais favorável, contribuindo para a queda das cotações. Além disso, a perspectiva de aumento dos estoques certificados foi reforçada pelo crescimento dos estoques pendentes, o que contribuiu para impactar as cotações.
Apesar da queda nos estoques certificados de café arábica desde o início do ano, houve recentemente um aumento significativo nos estoques pendentes, que ultrapassaram o nível de 110 mil sacas. Caso sejam aprovados no processo de classificação, esses volumes poderão ser contabilizados como estoques certificados, pressionando ainda mais os preços. Outro fator relevante foi a queda nos diferenciais de preços nas origens devido ao aumento das cotações na Bolsa de Nova Iorque. Essa situação tende a estimular a certificação de novos lotes de café na bolsa. Já para o café robusta, os estoques permaneceram relativamente estáveis.
O clima permanece como um fator crítico para o mercado de café. O último relatório de clima da Stonex destacou divergências entre as previsões dos modelos americano e europeu para os próximos 15 dias. Enquanto o modelo europeu é mais otimista quanto ao retorno das chuvas, o modelo americano prevê um cenário mais seco, principalmente na região centro-norte de Minas Gerais. Entretanto, ambos os modelos indicam chuvas substanciais na última semana de fevereiro nas regiões de Sul da Bahia, Espírito Santo, Sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e São Paulo.
O boletim semanal de tempo e clima trouxe que o modelo BAM 1.2 do INPE apontou previsões de chuvas substanciais para março de 2025, com volumes que podem chegar a 140 mm no cinturão cafeeiro. Embora algumas regiões possam registrar precipitações abaixo da média histórica, a redução não será expressiva.
Em 2024, observou-se uma recuperação significativa nas importações de café nos Estados Unidos e na União Europeia, após um ano de retração em 2023. Nos EUA, as importações totalizaram 21,17 milhões de sacas, representando um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior, embora o volume ainda esteja 10,7% abaixo do recorde de 23,7 milhões de sacas registrado em 2022. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelas importações do segundo semestre de 2024.
Importações acumuladas de café nos EUA e Europa (milhões de sacas)

Fonte: USDA e Eurostat. Elaboração: StoneX.

De maneira semelhante, as importações da União Europeia aumentaram 9,2% em 2024, totalizando quase 48,3 milhões de sacas. Apesar do crescimento, o volume ainda ficou 1,9% abaixo do recorde de 49,22 milhões de sacas registrado em 2022. Assim como nos EUA, o aumento nas importações europeias também foi impulsionado pelo desempenho do segundo semestre do ano.
Nas próximas semanas, os participantes do mercado continuarão monitorando as condições climáticas no Brasil, as novas pesquisas sobre as perspectivas da produção brasileira para a safra 2025/26 e o impacto da inflação nos preços ao consumidor de café. O aumento dos preços da matéria-prima tem levado a indústria a repassar esses custos para o consumidor final, o que pode impactar negativamente o consumo de café. Os dados do IBGE indicam que a inflação sobre os preços do café ao consumidor registrou um avanço de quase 8,6% no mês de janeiro, resultando em um incremento de mais de 50% na inflação acumulada dos últimos 12 meses para os preços do café torrado e moído ao consumidor.
Inflação acumulada em 12 meses dos preços de café ao consumidor no Brasil 
Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX.
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