Além das preocupações com os impactos da guerra e dos efeitos que um prolongamento do conflito pode trazer para a dinâmica da economia global, os mercados repercutiram as decisões de política monetária nos Estados Unidos e Brasil.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, confirmou as expectativas da maior parcela dos analistas e elevou em 0,25 ponto base a taxa básica de juros do país, indo para o intervalo entre 0,25% e 0,5% ao ano. Segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, o Comitê entende que cada uma das próximas 6 reuniões deste ano têm o potencial de decisão de reajuste na taxa de juros. Segundo as projeções trimestrais dos membros do FOMC, 12 dos 16 membros projetam pelo menos um aumento semelhante nas próximas reuniões, com 7 membros acreditando que a taxa de juros pode ficar acima de 2,0% ainda neste ano.
PROJEÇÃO DA TAXA DE JUROS VISTA COMO APROPRIADA PELO INTEGRANTES DO FOMC AO LONGO DO TEMPO
É válido mencionar também a mudança nas projeções dos membros em relação a alguns dos principais indicadores da economia, já considerando o impacto dos indicadores observados no início do ano e nos efeitos que a guerra gerou na perspectiva para o ano. As alterações foram notáveis para o crescimento da economia, com a mediana das projeções dos membros apostando em um crescimento de 2,8% em 2022, recuo significativo frente aos 4,0% esperados nas últimas projeções divulgadas em dezembro. O cenário para a inflação também mostrou visível deterioração, com as projeções ficando em 4,3%, acima dos 2,6% estimados em dezembro.
Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou em 1 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), indo de 10,75% para 11,75%, sinalizando que na próxima reunião deve ocorrer novo aumento de mesma magnitude. Em comunicado, o Copom destacou a deterioração do cenário internacional, afirmando que continuará monitorando a situação e, em caso de piora das condições, pode avançar ainda mais no aperto contracionista e aumentar o ciclo de aperto monetário. Nesta terça-feira (22), a ata do Copom deve apresentar mais detalhes sobre a discussão do colegiado, e os agentes devem procurar pistas de possíveis sinais de elevações de juros maiores que o previsto pelo BC.
Nesta segunda-feira, o Boletim Focus do BC mostrou uma continuidade nos ajustes das expectativas do mercado desde o início da guerra e seus efeitos sobre a alta dos preços de uma série de commodities. Para o IPCA, o mercado agora projeta 6,59% em 2022, avanço frente as apostas de 6,45% na última semana e 5,56% há um mês. Após a reunião do Copom, a mediana dos agentes pesquisados espera agora que a Selic encerre o ano a 13,0% ao ano, acima dos 12,75% projetados na última semana. Já para o crescimento da economia, o mercado espera que o Brasil possa se beneficiar do atual quadro de commodities valorizadas e interrupção do fornecimento dos produtos russos para diversos países. As apostas do último Boletim Focus para o PIB apontam para um crescimento de 0,5%, leve avanço frente a última semana (0,49%) mas avanço considerável frente a um mês atrás (0,3%), todavia, a perspectiva de recuperação lenta da economia brasileira se mantém.
Nesta semana, além da ata do Copom, os agentes devem acompanhar o relatório trimestral de inflação do BC na quinta-feira (24), e a divulgação pelo IBGE do IPCA-15 na sexta-feira (25), que deve trazer uma prévia dos primeiros efeitos da guerra sobre a aceleração dos preços no país.
No exterior, além de acompanhar se ocorrerá algum avanço nas tratativas entre Rússia e Ucrânia por um cessar-fogo, o mercado deve acompanhar a declarações de diversos membros do FOMC que ocorrerão nesta semana, a fim de entender melhor o posicionamento dos membros e quais as possibilidades de que ocorram altas maiores na taxa de juros americana já nas próximas reuniões.