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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cotações de café terminaram a semana com resultados mistos
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Com as movimentações distintas, a arbitragem entre as bolsas de Londres e Nova Iorque tiveram avanço de 16% desde o início do mês
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 190 pontos (0,8%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 220,05/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica recuou 2,1%, encerrando a R$ 1.278,09/sc.
•    Preços de café robusta avançam USD 72 (3,4%) em Londres, para USD 2167/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta apresentou recuperação de 1,5% e terminou a semana cotado em R$ 769,74/sc.
•    Tensões em Rússia e Ucrânia continuam pressionando as cotações de café 
•    Preocupação de que o conflito no leste europeu possa afetar consumo de café 
•    Chuvas torrenciais continuam provocado perdas e colocado a Colômbia em alerta 
•    Modelos continuam apontando para volumes expressivos de chuva na Colômbia nas próximas duas semanas 
•    NOAA: probabilidade de 37% para La Niña entre junho e agosto
•    GCA: após cometer erro, associação aponta para queda de 0,5% nos estoques nos portos americanos 
•    Real segue se beneficiando de busca por ativos relacionados a commodities 
•    FOMC realiza primeira alta na taxa de juros americana em cinco anos
•    Copom eleva Selic para 11,75% 
•    Mercado eleva projeções para inflação e Selic maiores em 2022

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Pela segunda semana consecutiva, os preços de café terminaram a semana com resultados mistos, com Nova Iorque em queda e Londres apresentando recuperação; as divergências nas movimentações das bolsas contribuíram para fortalecer a arbitram entre os contratos de Nova Iorque e Londres, que avançou 16,2% desde o início do mês, para US₵ - 121,75 /lb (Robusta-Arabica). O contrato mais ativo de café arábica (maio/22) encerrou a sexta-feira (18) cotado a US₵ 220,05 /lb, um recuo de 190 pontos (0,85%) em relação à sexta-feira anterior (11). No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica seguiu a movimentação de Nova Iorque e terminou a semana em queda, apresentando um recuo de R$ 27,47 (2,1%), cotado a R$ 1.278,09/saca; o recuo mais intenso foi resultado da queda do dólar de 1,1% na semana.

De forma antagônica ao observado em Nova Iorque, os papeis futuros de café robusta terminaram a semana em recuperação. O contrato mais ativo do robusta (maio/22), avançou USD 72 (3,4%) para encerrar a semana cotado a USD 2.167/ton. O indicador CEPEA para o café robusta terminou a semana com recuperação de 1,5% cotado em R$ 769,74/sc.

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 14/03 A 18/03
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Sem grandes novidades em termos de fundamentos, o mercado de café segue pressionado devido aos impactos e as incertezas ligadas ao conflito armado que está acontecendo entre a Rússia e a Ucrânia. Além do sentimento de aversão ao risco, as preocupações com relação ao impacto da guerra no consumo de café nos países envolvidos no conflito contribuem para pressionar as cotações; em matéria divulgada recentemente no site Notícias Agrícolas, o Presidente do Centro de Comércio de Café de Vitória, Marcio Cândido, apontou que as negociações de cafés solúveis com o Leste Europeu estão paralisadas há mais de 20 dias, como reflexo da guerra que acontece na região.

Apesar deste cenário ainda incerto, outros fatores altistas ainda estão presentes no atual contexto. A estimativas para a produção brasileira em 2022/23 variam de 55,7 milhões de sacas, para a Conab, até 66,5 milhões de sacas para o Rabobank. Porém a maioria das estimativas estão em torno de 60 milhões de sacas, o que corrobora com a expectativa de fortes perdas na temporada 22/23 – a produção brasileira poderia atingir volumes próximos a 70 milhões de sacas caso o clima tivesse sido favorável. No último estudo divulgado pela StoneX, a produção brasileira de café foi estimada em 58,9 milhões de sacas para a temporada.

O excesso de chuva continua afetando a produção de café na Colômbia. Como já foi comentado em outras edições deste relatório, o volume excessivo de chuva na Colômbia tem provocado alagamentos e deslizamentos, o que tem tido um impacto negativo na produção de café do país. Segundo a FNC, a produção de café foi 16% menor em fevereiro, em decorrência do volume excessivo de chuva. Além disso, existe a expectativa de que a produção do primeiro semestre deste ano tenha uma redução de mais de 10%. 

Previsão acumulada de chuva para os próximos 14 dias na Colômbia
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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021. 

O volume excessivo de chuva na Colômbia é reflexo da condição de La Niña, que tem afetado o clima no mundo desde o segundo semestre do ano passado. Com relação ao fenômeno, a grande discrepância nos modelos gera um sentimento de incerteza com relação a este cenário. Até algumas semanas atrás, o modelo do NOAA indicava que o La Niña se encerraria no início do outono no hemisfério sul. No entanto, a análise probabilística divulgada pela agência no dia 10/03 mostrou um forte aumento na probabilidade do La Niña para 53% entre junho e agosto. Na última atualização divulgada no dia 18/03, os modelos voltaram a apontar para o fim do La Niña nos próximos meses, com a probabilidade de La Niña entre junho-agosto caindo para 37%. Já os dados da agência australiana BOM apontam para um cenário neutro a partir de junho. Além dos problemas de excesso de chuva na Colômbia, no Brasil, a ocorrência do La Niña pode estar associada ao atraso da chegada das chuvas no cinturão cafeeiro no segundo semestre do ano, o que pode ser um problema para o desenvolvimento da próxima safra. Portanto, o monitoramento dessa situação se torna crítico para antecipar as condições climáticas no segundo semestre.

Previsão Probabilística de El Niño/La Niña 
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Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.

Para o café robusta, um fator que tem tido um impacto positivo para as cotações foi a nova onda de infecções pela Covid-19 na China. Depois do aumento de casos, o governo chinês voltou a tomar medidas para evitar a disseminação da doença. Apesar de a China não estar diretamente ligada ao mercado de café robusta, as preocupações giram em torno dos possíveis impactos dessa nova onda no Vietnã. Assim como na China, o governo vietnamita adota políticas rígidas para evitar a disseminação da doença, o que pode provocar problemas na cadeia logística do país, como já foi observado no ano passado.  

GCA: estoques nos portos americanos caíram 30,5 mil sacas em fevereiro

O último relatório divulgado pela Green Coffee Association no dia 15, indicou que os estoques de café nos portos americanos tiveram um recuo de 30.493 sacas (0,5%) em fevereiro se comparado ao mês anterior, para um total de 5.765.348 sacas. O volume observado em fevereiro ainda é 0,4% menor se comparado aos estoques no mesmo mês do ano passado. O estoque médio para o mês de fevereiro é de 6.131.581 sacas, quando os estoques avançaram 63 mil sacas na média nos últimos 5 anos. 

Estoques de café nos portos americanos (GCA)

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Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
 
 

Na divulgação dos estoques no dia 15, a GCA inicialmente anunciou o avanço de mais de 357 mil sacas, puxado principalmente pelo aumento nos estoques no porto de Jacksonville, na Florida. Contudo, analistas discordaram e questionaram a GCA, que notou o erro nos estoques em Jacksonville e divulgou novos valores corrigindo os estoques em fevereiro. 

Real segue se beneficiando de busca por ativos relacionados a commodities 

Ainda apoiado pelo movimento de busca por ativos brasileiros relacionados a commodities e pelo novo aumento na taxa básica de juros (Selic) no país, o real voltou a se valorizar na última semana. O par real/dólar registrou uma queda de 0,7% no período, encerrando a sexta-feira (18) cotado a R$ 5,017. No exterior, a moeda americana seguiu em direção semelhante e recuou perante a uma cesta de divisas de economias avançadas, pressionada pelos sinais de pequenos avanços nas negociações entre Rússia e Ucrânia para o encerramento de um conflito armado que, apesar de nenhuma definição concreta, gerou uma redução da aversão ao risco entre os investidores. Desta forma, o dollar index registrando queda de 0,9%, encerrando cotado a 98,2 pontos.

Além das preocupações com os impactos da guerra e dos efeitos que um prolongamento do conflito pode trazer para a dinâmica da economia global, os mercados repercutiram as decisões de política monetária nos Estados Unidos e Brasil.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, confirmou as expectativas da maior parcela dos analistas e elevou em 0,25 ponto base a taxa básica de juros do país, indo para o intervalo entre 0,25% e 0,5% ao ano. Segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, o Comitê entende que cada uma das próximas 6 reuniões deste ano têm o potencial de decisão de reajuste na taxa de juros. Segundo as projeções trimestrais dos membros do FOMC, 12 dos 16 membros projetam pelo menos um aumento semelhante nas próximas reuniões, com 7 membros acreditando que a taxa de juros pode ficar acima de 2,0% ainda neste ano.

PROJEÇÃO DA TAXA DE JUROS VISTA COMO APROPRIADA PELO INTEGRANTES DO FOMC AO LONGO DO TEMPO
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Fonte: Federal Reserve.

É válido mencionar também a mudança nas projeções dos membros em relação a alguns dos principais indicadores da economia, já considerando o impacto dos indicadores observados no início do ano e nos efeitos que a guerra gerou na perspectiva para o ano. As alterações foram notáveis para o crescimento da economia, com a mediana das projeções dos membros apostando em um crescimento de 2,8% em 2022, recuo significativo frente aos 4,0% esperados nas últimas projeções divulgadas em dezembro. O cenário para a inflação também mostrou visível deterioração, com as projeções ficando em 4,3%, acima dos 2,6% estimados em dezembro.

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou em 1 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), indo de 10,75% para 11,75%, sinalizando que na próxima reunião deve ocorrer novo aumento de mesma magnitude. Em comunicado, o Copom destacou a deterioração do cenário internacional, afirmando que continuará monitorando a situação e, em caso de piora das condições, pode avançar ainda mais no aperto contracionista e aumentar o ciclo de aperto monetário. Nesta terça-feira (22), a ata do Copom deve apresentar mais detalhes sobre a discussão do colegiado, e os agentes devem procurar pistas de possíveis sinais de elevações de juros maiores que o previsto pelo BC.

Nesta segunda-feira, o Boletim Focus do BC mostrou uma continuidade nos ajustes das expectativas do mercado desde o início da guerra e seus efeitos sobre a alta dos preços de uma série de commodities. Para o IPCA, o mercado agora projeta 6,59% em 2022, avanço frente as apostas de 6,45% na última semana e 5,56% há um mês. Após a reunião do Copom, a mediana dos agentes pesquisados espera agora que a Selic encerre o ano a 13,0% ao ano, acima dos 12,75% projetados na última semana. Já para o crescimento da economia, o mercado espera que o Brasil possa se beneficiar do atual quadro de commodities valorizadas e interrupção do fornecimento dos produtos russos para diversos países. As apostas do último Boletim Focus para o PIB apontam para um crescimento de 0,5%, leve avanço frente a última semana (0,49%) mas avanço considerável frente a um mês atrás (0,3%), todavia, a perspectiva de recuperação lenta da economia brasileira se mantém.

Nesta semana, além da ata do Copom, os agentes devem acompanhar o relatório trimestral de inflação do BC na quinta-feira (24), e a divulgação pelo IBGE do IPCA-15 na sexta-feira (25), que deve trazer uma prévia dos primeiros efeitos da guerra sobre a aceleração dos preços no país.

No exterior, além de acompanhar se ocorrerá algum avanço nas tratativas entre Rússia e Ucrânia por um cessar-fogo, o mercado deve acompanhar a declarações de diversos membros do FOMC que ocorrerão nesta semana, a fim de entender melhor o posicionamento dos membros e quais as possibilidades de que ocorram altas maiores na taxa de juros americana já nas próximas reuniões.
 

 

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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