
El Niño traz incertezas para a próxima safra de café no Brasil
Chuvas fora de época e o El Niño elevam as incertezas sobre a próxima safra de café. Entenda os riscos e perspectivas para a produção brasileira

- Café
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente. Faça seu download. →
By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
• Cotações de café arábica recuaram 780 pontos (3,4%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 223,75/lb.
• Indicador Cepea de café arábica recuou 2,5%, encerrando a R$ 1.240,14/sc.
• Preços de café robusta avançaram USD 3 (0,14%) em Londres, para USD 2099/ton.
• Indicador Cepea para o robusta apresentou avanço de 0,6% e terminou a semana cotado em R$ 822,53/sc.
• Cecafé: Brasil exportou 3,27 milhões de sacas em março, recuo de 6% ▲
• Dados do Cecafé apontou recuo menos intenso que os dados da Secex ▼
• Exportações brasileiras de robusta recuaram 65% em março ▲
• NOAA revisa para cima probabilidades de La Niña ▲
• CFTC: fundos avançaram, mas agentes comerciais reduziram posições ▼
• Tensões entre Rússia e Ucrânia gera sentimento de incerteza ▼
• Dólar registra leve recuo na semana, apesar de cenário global de aversão ao risco ▲
• Política monetária mais rígida nos Estados Unidos elevam procura pelo dólar no exterior ▼
• Prolongamento da inflação e guerra são fator de atenção para o consumo
▼ Fatores baixistas ▲ Fatores altistas
Fatores macroeconômicos, que têm sido predominantes nas últimas semanas, continuam pressionando as cotações de café em Nova Iorque. Com a situação ainda tensa entre a Rússia e a Ucrânia, as incertezas e o sentimento de aversão ao risco atuaram de forma baixista para o café – como resultado, houve um aumento de 0,5% do dollar index na semana. Além disso, as cotações do petróleo Brent, que tem sido fortemente afetado devido a importância da Rússia como fornecedor, tiveram um avanço de 8,7%.
Ademais, os dados de exportação divulgados pelo Cecafé, de certa forma arrefeceram as preocupações com relação as exportações de café arábica, como será abordada abaixo. Desta forma, o contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a quinta-feira (14) cotado a US₵ 223,75 /lb, um recuo de 780 pontos (3,4%) em relação à sexta-feira anterior (08). No Brasil, seguindo a tendência de Nova Iorque, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana em queda, apresentando um recuo de R$ 31,35 (2,5%), cotado a R$ 1.240,14/saca.
Para o mercado de robusta, as cotações permaneceram praticamente inalteradas. O contrato mais ativo do robusta (julho/22), avançou apenas USD 3 (0,14%) para encerrar a semana cotado a USD 2.099. No Brasil, suportando pela demanda no mercado doméstico, o indicador CEPEA para o café robusta apresentou um avanço de 0,6% e terminou a quinta-feira (14) cotado em R$ 822,53/sc.

No início do mês, os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) haviam apresentado um recuo de 16% nas exportações de café entre março de 2021 e março de 2022. No entanto, os dados do Cecafé, divulgados na segunda-feira (11), apontaram para um recuo de apenas 6%. Importante notar que não há grande diferença nos números apresentados para março deste ano, tanto para a Secex como Cecafé. Porém, o maior impacto para esta disparidade nas variações está na diferença dos dados de exportação de março de 2021, com a Secex apontando para 4,02 milhões enquanto o Cecafé indicou que foram exportadas 3,47 milhões.
Os dados do Cecafé apontaram que foram exportadas 3,27 milhões de sacas em março, registrando um recuo de 5,8% com relação ao mesmo mês de 2021. As exportações de arábica totalizaram 3,14 milhões de sacas, representando um avanço de 0,7%. Por outro lado, as exportações de café robusta tiveram um recuo de 64,6% para 123,4 mil sacas.

Como já foi apresentado em outras edições deste relatório, a queda nas exportações de café conilon é reflexo da atual condição dos diferenciais, que não favorece as exportações do tipo. Nas últimas semanas, o diferencial entre o mercado doméstico brasileiro e a bolsa de Londres chegou a ultrapassar o valor de USD 800/ton. Portanto, é muito mais viável comercializar o café robusta no mercado doméstico que exportar. O avanço nos preços de robusta é reflexo da forte alta nas cotações do arábica, o que forçou a indústria brasileira a aumentar o uso do robusta no blend, aumentando assim a demanda pelo tipo.
Na última quinta-feira (14), a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos atualizou suas estimativas probabilísticas para o ENSO, indicando maiores chances de que o fenômeno do La Niña deva permanecer mais tempo que o projetado anteriormente. A probabilidade de que o La Niña permanecerá nos próximos trimestres móveis foram significativamente elevadas, revisadas para o semestre entre abril e junho de 64% para 89%, para o trimestre de maio a julho de 46% para 73%, e permanecendo com chances acima de 50% até o final do ano, enquanto a atualização anterior apontava para maiores probabilidades de neutralidade já a partir do trimestre entre maio e junho. Os dados indicam também chances mais elevadas de que a variação de temperaturas deva permanecer semelhante aos últimos meses, entre -0,5 °C e -1,0 °C, intensidade classificada como fraca.

Esta revisão indica que, no curto-prazo, a produção colombiana, que já vem apresentando números de queda na produção nos últimos meses devido às chuvas torrenciais nas áreas produtoras, tende a continuar sofrendo algum prejuízo por conta do clima. No médio/longo-prazo, volta à tona o receio quanto a eventuais efeitos do La Niña sobre o Brasil no segundo semestre, o que poderia trazer atrasos e redução nas chuvas neste período pelo terceiro ano seguido.
Atualmente, o Brasil caminha para um período de estação seca, entre os meses de maio e outubro, onde os volumes de precipitação tendem a ser menores. Nas regiões de produtoras de café de Minas Gerais, as precipitações de março, último mês com volumes mais expressivos de chuvas, ficaram significativamente abaixo da média. Segundo o modelo de previsão de precipitação da StoneX, estas regiões devem receber volumes bastante reduzidos, devendo fazer com que as chuvas em abril também fiquem abaixo da média dos últimos anos. Neste cenário, um atraso ou reduções nas chuvas do segundo semestre poderia afetar 2023/24, trazendo tendência altista para o mercado.
O relatório Commitment of Traders da CFTC revelou na última semana que os fundos especulativos ampliaram suas posições liquidamente compradas em futuros e opções de café no período entre 5 e 12 de abril na bolsa de Nova Iorque. Segundo o relatório, os specs elevaram suas posições compradas em 6.023 contratos, enquanto reduziram suas posições vendidas em 199 contratos, avançando seu saldo liquidamente comprados em 6.222 para 29.617 contratos. No mesmo período as cotações avançaram 230 pontos, indo de US₵ 231,25/lb para US₵ 233,55/lb.
Por outro lado, houve um forte recuo nas posições dos agentes comerciais, tanto para posições compradas como para posições vendidas. O relatório apontou que os agentes comerciais reduziram suas posições liquidamente compradas em 10.500 contratos e as suas posições liquidamente vendidas em 3.959 contratos, apresentando um avanço de 6.541 contratos no saldo liquidamente vendido para 74.627. Com essa redução nas posições, houve um recuo de 23.771 no número de contratos abertos.
O dólar encerrou a última semana em leve queda de -0,3% no mercado cambial brasileiro, cotado a R$ 4,697. A expectativa de continuidade da elevação da taxa básica de juros (Selic) depois da divulgação de um IPCA acima do esperado na semana anterior manteve a atratividade do país para a entrada de divisas, apesar da elevação da aversão ao risco na maior parte dos mercados globais. No exterior, a divulgação de dados indicando inflação ainda acelerada nos Estados Unidos e a postura menos rígida de bancos centrais de outros países aumentaram significativamente a procura pela moeda americana, uma vez que os investidores esperam que o Fed deva liderar o processo de aperto monetário no mundo, aumentando a atratividade de investimentos de títulos denominamos em dólar. Neste contexto, o dollar index, com ganho semanal de 0,5%, fechou cotado a 100,3, renovando suas máximas em 2 anos.
A divulgação de avanços no Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e do Índice de Preços ao Produtor (PPI) nos Estados Unidos foram os dados mais repercutidos no mercado de divisas nas últimas sessões. O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) revelou que o CPI cresceu 1,2% em março, levemente acima das projeções de analistas (1,1%) e elevando o acumulado em 12 meses de 7,9% no mês anterior para 8,5%, maior nível desde 1981. O PPI, indicador que costuma antecipar altas de preços ao consumidor nos meses seguintes, registrou uma aceleração de 1,4%, acima das expectativas de 1,1%. Com o resultado, o acumulado em 12 meses se elevou de 10,0% em fevereiro para 11,2%, maior valor da série histórica, iniciada em 2010.

A perspectiva de que o aperto monetário nos Estados Unidos para controlar a inflação ocorra de maneira significativamente mais acelerada que em outras economias avançadas, que também vêm enfrentando problemas para controlar o aumento dos preços, tem elevado a atratividade da moeda americana. Contribuiu para esta percepção a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter inalterada sua política monetária na zona do euro, ou seja, de ainda não elevar as taxas de juros do bloco econômico, apesar das dificuldades para controlar um IPC que marca seu maior valor na região desde o início de sua série histórica, em 1997. O BCE optou, por hora, por apenas reduzir o seu programa de compra mensal de ativos. De acordo com a presidente da instituição, Christine Lagarde, o BCE manterá um “monitoramento atento” da inflação, e que as opções permanecem “em aberto”.
Por outro lado, os indicativos dados pela ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve e pelas declarações de seus membros mostram que o Fed deve seguir um ciclo de elevações subsequentes da taxa básica de juros dos Estados Unidos ao longo dos próximos meses. Desta maneira, a ampliação do diferencial das taxas básicas de juros de Estados Unidos e demais economias avançadas têm influenciado um maior fluxo de divisas na direção da economia americana.
A inflação forte registradas nos últimos meses e os sinais de que a guerra entre Rússia e Ucrânia teve reduzidas suas chances de chegar a um fim, o que deve manter a aceleração de preços e reduzir a perspectiva de crescimento das economias mais afetadas pelo conflito, ainda gera preocupações com relação a uma queda no consumo de determinados produtos. Entre eles, ainda persistem dúvidas no mercado com relação a uma possível redução na demanda de café. O café possui em seus principais países consumidores uma característica de consumo com forte viés cultural. Por conta disso, seu consumo apresenta uma de baixa elasticidade-preço e elasticidade-renda, ou seja, impactos nos preços e renda tendem a não afetar fortemente o seu consumo.
Todavia, o avanço de preços significativamente acima da média de demais produtos, e uma diminuição generalizada do poder de compra dos consumidores globais, ainda geram riscos sobre a demanda da commodity, fator que deve continuar sendo monitorado especialmente entre os países consumidores da bebida na Europa, e pode fornecer pressões baixistas para as cotações.
No Brasil, o consumo de café também precisa continuar a ser monitorado. Na última semana, a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) divulgou que o consumo no país entre novembro de 2020 e outubro de 2021 registrou um crescimento de 1,7%, totalizando 21,54 milhões de sacas. Por outro lado, a expressiva alta de preços de mais de 100% no mercado físico brasileiro deve continuar repercutindo em repasses de custos da indústria aos supermercados. O resultado do IPCA de março mostrou que os preços chegaram a um expressivo aumento de 64,66% nos últimos 12 meses ao consumidor final brasileiro, e caso o avanço persista em ritmo acelerado, o crescimento do consumo no país também pode vir a ser afetado.

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.
É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.
© 2026 StoneX Group, Inc.
Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Chuvas fora de época e o El Niño elevam as incertezas sobre a próxima safra de café. Entenda os riscos e perspectivas para a produção brasileira


5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.


4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.
Confiança
Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.
Transparência
Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.
Especialização
Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.