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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Passagem da massa polar gera grande volatilidade nos preços futuros de café
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Após passagem da onda de frio, as atenções dos agentes se voltam para as divulgações dos relatórios attaché do USDA com as estimativas para a produção dos países
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 195 pontos (0,9%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 215,85/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve alta de 1,1% na semana, cotado a R$ 1.245,75/saca.
•    Preços de café robusta avançaram USD 16 (0,8%) em Londres, para USD 2056/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta teve queda de 0,6%, para R$ 747,74/sc.
•    Atualização do NOAA mantém perspectiva da manutenção do La Niña no segundo semestre, mas diverge de outros modelos, que indicam um cenário neutro 
•    Conab reduziu em 4,2% suas estimativas para a produção brasileira de café em 2022/23, para de 53,4 milhões de sacas  
•    Relatórios attaché do USDA: dados parciais indicam que a produção deve aumentar 4,7% e as exportações 2,8% 
•    Avanço nos estoques GCA e importações potencialmente menores nos EUA levantam dúvidas quando a demanda 
•    Dólar recua na semana e inicia segunda-feira em queda, podendo dar suporte às cotações de café 
•    Saída de investidores dos EUA e melhores expectativas na China favorecem o fluxo de divisas para a economia brasileira 
•    Agentes devem acompanhar a Ata da última reunião do FOMC na semana

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

A StoneX divulgou na quinta-feira (05) as perspectivas para mercado de café [maio-julho], acesse aqui o relatório completo.

Durante a semana, a aproximação da massa polar, que havia sido prevista no relatório de temperaturas mínimas da StoneX na semana anterior, gerou grande volatilidade nos preços futuros de café. Já no início da semana, na segunda-feira (16), o contrato mais ativo teve um avanço de 1090 pontos, reagindo à previsão da aproximação da massa polar que derrubou as temperaturas no Brasil. Depois de avançar mais 240 pontos na terça-feira (17), os preços tiveram queda de 960 pontos na quarta-feira (18), após a chegada da onda de frio, mas sem apresentar ocorrência de geada de forma generalizada.

Com a memória da geada de 2021, o mercado de café foi mais reativo à previsão de queda nas temperaturas, contudo, houve uma frustração das expectativas após a chegada da onda de frio sem a ocorrência de geada de forma ampla nas áreas produtoras. As madrugadas dos dias 18, 19 e 20 foram as mais frias, porém houve relatos da ocorrência de geada apenas em regiões específicas com grande altitude. Na quinta-feira (19), os preços tiveram tímido avanço, de 110 pontos, mas voltaram a cair 285 pontos na sexta-feira (20).

O contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a sexta-feira (20) cotado a US₵ 215,85 /lb, postando um avanço de 195 pontos (0,9%) em relação à sexta-feira anterior (13). Seguindo a mesma tendência, no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com alta de 1,1%, cotado a R$ 1.245,75/saca. 

Para o mercado de robusta, acompanhando as temperaturas mínimas no Brasil e as movimentações em Nova Iorque, as cotações terminaram a semana com alta de USD 16/ton (0,8%) para o contrato mais ativo do robusta (julho/22), encerrando a semana cotado a USD 2.056. No Brasil, com o avanço da colheita e a maior disponibilidade de café robusta, o indicador CEPEA para o tipo encerrou a semana com queda de 0,6%, cotado em R$ 747,74/sc.

Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 16/05 a 20/05

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

A manutenção da condição de La Niña tem provocado grandes perdas na produção colombiana de café e pode ser uma preocupação para a produção brasileira em 2023. Além das perdas de 15% na produção colombiana no primeiro semestre, a manutenção desta condição durante o segundo semestre do ano pode ter impacto na florada do café no Brasil e, consequentemente, na produção em 2023, tendo em vista que o La Niña no segundo semestre está associado ao atraso das chuvas em grande parte do cinturão cafeeiro. 

A última atualização do modelo probabilístico do NOAA, que foi divulgado no dia 19 de maio, indica uma probabilidade acima de 55% pelo menos até os meses de novembro, dezembro e janeiro. A probabilidade de La Niña da última atualização teve um leve recuo se comparado com a previsão anterior, porém segue em níveis elevados para o segundo semestre. Por outro lado, a agência australiana BOM, em sua última atualização, ressalta que a maioria dos modelos climáticos internacionais apontam para uma condição neutra a partir de junho/julho. Portanto, o monitoramento deste cenário é imprescindível para avaliar e antecipar a perspectiva da manutenção do fenômeno. 

Previsão probabilística de El Niño/La Niña

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Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.

Entre as divulgações da semana, os agentes acompanharam a primeira revisão das estimativas da Conab para a safra brasileira, além da divulgação de mais relatórios Attachés do USDA. Em relatório divulgado na quinta-feira (19), a Conab reduziu em 4,2% suas estimativas para a produção brasileira de café em 2022/23, ajustando de 55,7 milhões de sacas estimadas no relatório de janeiro para 53,4 milhões de sacas. A mudança veio principalmente pela redução de 3,072 milhões de sacas (-7,9%) na produção de café arábica, totalizando 35,7 milhões, enquanto a produção de robusta verificou aumento de 757 mil sacas (4,5%) para 17,7 milhões.

No relatório, foi destacada as condições climáticas desfavoráveis entre junho e setembro de 2021 como determinantes para a redução da produção esperada. É valido destacar que as estimativas da Conab são as menores disponíveis entre todas as estimativas do mercado, que agora apresentam uma amplitude de mais de 11 milhões de sacas, o que reforce a elevada incerteza em torno do potencial da atual safra

USDA inicia a divulgação dos relatórios dos seus adidos nos países produtores

Como foi comentado no relatório especial de perspectivas para mercado de café [maio-julho], o mercado de café acompanha de perto a divulgação dos relatórios do USDA para a produção nos países na temporada 2022/23, que são produzidos a partir dos adidos do USDA lotados nos países produtores. Até a data desta publicação, foram divulgados os relatórios para 7 países: Indonésia, Uganda, Peru, Nicarágua, Costa Rica, Quênia e El Salvador. 

Dos relatórios divulgados, destaca-se o aumento de 7,3% na produção da Indonésia, 6,4% em Uganda, 7,1% na Costa Rica e 2% no Peru. A produção no Quênia e El Salvador devem cair 10,3% e 3,1%, respectivamente, porém a produção desses países é pouco representativa no contexto global. De forma geral, considerando todas as estimativas disponíveis, a produção deve aumentar 4,7% e as exportações 2,8%. Vale a pena destacar que não foram divulgadas ainda os dados de países importantes como Brasil, Vietnã e Colômbia, que deverão ser revelados ao longo das próximas semanas.

Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
 
Avanço nos estoques GCA e importações potencialmente menores nos EUA levantam dúvidas quando a demanda
Na última semana, a Green Coffee Association (GCA) divulgou que estoques nos portos dos Estados Unidos registram aumento de 86,3 mil sacas em abril, chegando a 5,907 milhões de sacas. O resultado corresponde a um avanço de 1,5% em relação ao mês anterior e de 2,5% frente ao mesmo momento em 2021, quando os estoques totalizavam 5,763 milhões de sacas. De maneira geral, a variação caminhou dentro do esperado pelos agentes, visto que na média dos últimos 5 anos a GCA registra um aumento de cerca de 3,7% na passagem de março para abril.

Os dados de importações dos Estados Unidos serão divulgados apenas em 7 de junho, todavia, algumas suposições já podem ser feitas a partir dos números do GCA e de alguns importantes exportadores. 

De acordo com o último relatório do Cecafé, o Brasil totalizou em abril 389 mil sacas embarcadas aos Estados Unidos. O volume é significativamente menor da média dos últimos 5 anos para o mês, de 614 mil sacas, queda de 36,6%. Se comparado às 739 mil sacas enviadas em abril do ano passado, a queda é ainda mais brusca, com diminuição de 47,4%.

Olhando para a América Central, região que costuma ter aumento em seus volumes embarcados ao país norte-americano para mais de 500 mil sacas a partir de abril, ainda existem dúvidas se este padrão de exportações se manterá. Os dois principais fornecedores da região, Honduras e Guatemala, registraram queda de 28% e alta de 12% em suas exportações para o mês, respectivamente. Apesar de os relatórios não apresentarem detalhes sobre quanto foi enviado ao maior consumidor global, parece ser razoável afirmar que as exportações região não deve apontar grande salto em relação à média dos últimos anos, com possibilidades de registrarem uma queda.

Desta forma, apesar da característica sazonal de aumento nos estoques da GCA em abril, os números até o momento fracos de exportação de importantes fornecedores, com destaque para a queda brusca nos embarques brasileiros no mês, sugerem que os dados de importação americana podem vir abaixo do esperado em abril. Apesar de ainda ser cedo para conclusões, em caso de uma confirmação de queda nas importações americanas, é possível que esteja se desenhando um cenário de arrefecimento do consumo ou crescimento abaixo do normal para o país. Nos próximos meses, será de extrema importância acompanhar esta correlação, com uma eventual consolidação desses dados podendo trazer pressões baixistas para as cotações.

Sazonalidade dos estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)

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Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.

 

Dólar fecha semana em forte queda

O dólar encerrou a última semana com significativa queda tanto no mercado cambial brasileiro quanto no exterior. O par real/dólar registrou um recuo semanal de 3,7% no período, terminando a sexta-feira (20) cotado a R$ 4,871. Já o dollar index, seguiu recuando de suas máximas em 20 anos durante boa parte da semana, terminando cotado a 103,1 pontos, queda de 1,5%.

O dólar continua recuando nesta semana frente ao real, acompanhando o movimento de queda da moeda americana frente aos mercados globais. A manutenção da taxa de câmbio abaixo do patamar de R$ 5,00 pode fornecer algum suporte às cotações do café em Nova Iorque, uma vez que passado o temor com geadas e sem expectativa de indicadores importantes nesta semana, os agentes tendem a buscar direcionamento em fatores extrínsecos.

As quedas do dólar nas últimas sessões ocorreram apesar do sentimento de aversão ao risco nos mercados globais como um todo. Dados piores que o esperado para a economia dos Estados Unidos em abril e a divulgação de resultados ruins de empresas varejistas americanas no primeiro trimestre promoveram uma saída de investimentos do país, com destaque para queda no mercado acionário, redirecionando o fluxo de divisas para ativos de outros países.

No caso do Brasil, a melhora no sentimento em relação à economia chinesa também tem favorecido a moeda brasileira. Os indicativos de maior sucesso no controle da variante ômicron da Covid-19 no país na última semana, com o governo da Shanghai, importante polo industrial e financeiro da China, declarando que a cidade deve retomar gradualmente suas operações e circulação de pessoas, melhoram as expectativas de que a atividade industrial na região deva caminhar próximo da normalidade no segundo semestre.
Adicionalmente, o Banco Popular da China (PBoC) reajustou no final da última semana de ajustar a sua taxa básica de empréstimo de cinco anos de 4,6% para 4,45%, uma redução maior que a esperada pelo mercado. Os sinais da intenção do governo chinês em oferecer maior estímulo à economia contribuem para a redução dos temores de um prolongamento da forte desaceleração no nível de atividade na região, após as políticas de tolerância zero contra a Covid-19 terem sacrificado o desempenho dos setores da indústria e de serviços nos meses de março e abril.

É importante ressaltar que a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Desta forma, um melhor desempenho da atividade chinesa tende a ser favorável à economia brasileira, tanto através de um maior fluxo comercial dos produtos brasileiros, quanto por um estímulo à valorização nos preços das commodities no mercado internacional.

Nesta semana, a agenda no Brasil segue fraca, em função da paralização da publicação de indicadores do Banco Central por conta da greve dos servidores da instituição, o que tem dificultado na leitura do mercado quanto ao desempenho econômico do país. o Foco deve ficar para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que oferecerá uma prévia do resultado da inflação no mês de maio. No exterior, a maior parte das atenções estará voltada para a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, que deve confirmar a inclinação da autoridade monetária a seguir com subsequentes aumentos de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros do país até o final do ano. O documento também deve oferecer mais detalhes sobre as respostas que o Comitê espera para nos indicadores econômicos os próximos meses.
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