
El Niño traz incertezas para a próxima safra de café no Brasil
Chuvas fora de época e o El Niño elevam as incertezas sobre a próxima safra de café. Entenda os riscos e perspectivas para a produção brasileira

- Café
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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
• Cotações de café arábica avançaram 1360 pontos (6,3%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 229,45/lb.
• Indicador Cepea de café arábica teve alta de 2,5% na semana, cotado a R$ 1.276,44/saca.
• Preços de café robusta avançaram USD 41 (2,0%) em Londres, para USD 2097/ton.
• Indicador Cepea para o robusta teve queda de 3,2%, para R$ 723,84/sc.
• Mercado segue reativo a possibilidade da chegada de novas ondas de frio ▲
• Clima seco e possiblidade da manutenção do La Niña preocupa os agentes ▼
• Redução nas exportações e avanço nos estoques pode indicar problemas com o consumo de café ▼
• USDA attaché: produção no Equador deve avançar 36% em 2022/23 ▼
• Relatórios attaché do USDA: dados parciais indicam aumento de 5,0% na produção de 3,1% nas exportações▼
• Em meio a movimento global de fuga do dólar, taxa de câmbio fecha semana em queda ▲
• Percepção de menor crescimento nos EUA tem motivado maior fluxo de saída de divisas da economia americana ▲
• Dados de atividade e emprego estão nos destaques da agenda da semana
▼ Fatores baixistas ▲ Fatores altistas
Na sequência de uma semana com bastante volatilidade, após a passagem da primeira massa polar do ano, o mercado de café terminou a última semana em alta, refletindo as preocupações dos agentes com o mercado de clima e sob efeito de fatores técnicos – parte dos avanços observados na semana foi resultado da cobertura de posições vendidas, em um ambiente de pouca liquidez. Além disso, a forte queda do dólar contribuiu para a tendência altista em Nova Iorque.
Apesar de os modelos não mostrarem nenhum risco iminente de geada, os participantes do mercado seguem reativos e atentos a possibilidade da chegada de novas ondas de frio. A massa polar que atingiu o cinturão cafeeiro na semana anterior não foi capaz de provocar geadas de forma generalizada, mas resultou no evento em regiões localizadas e com alta altitude. Ademais, a primeira massa polar atingiu o Brasil antes mesmo do início do inverno, portanto, o mercado de clima pode dominar as movimentações nos próximos meses.
Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 23/05 a 27/05

O contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a sexta-feira (27) cotado a US₵ 229,45 /lb, postando um avanço de 1360 pontos (6,3%) em relação à sexta-feira anterior (20). Seguindo a mesma tendência, no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com alta de 2,5%, cotado a R$ 1.276,44/saca – o avanço menor que no mercado internacional se deu devido à queda do dólar.
Para o mercado de robusta, as cotações terminaram a semana com alta de USD 41/ton (2,0%) para o contrato mais ativo do robusta (julho/22), encerrando a semana cotado a USD 2.097. No Brasil, seguindo a tendência das últimas semanas, com o avanço da colheita e a maior disponibilidade de café robusta, o indicador CEPEA para o tipo encerrou a semana com queda de 3,2%, cotado em R$ 723,84/sc.
O mercado de clima deverá ser o protagonista das movimentações dos preços de café nos próximos meses. Além da possibilidade da chegada de novas ondas de frio, que dão suporte às cotações e promove volatilidade, parte das atenções estão no clima seco no Brasil. Os dados climáticos observados indicam que parte do cinturão cafeeiro recebeu volumes de chuva abaixo da média nos últimos meses. Adicionalmente, a possibilidade da manutenção do La Niña, que está associado ao atraso das chuvas durante o período da florada, também deve cada vez mais despertar preocupação dos agentes.
% de chuva frente a média histórica nos últimos 60 dias

Como foi apresentado no último relatório semanal de café, o modelo de previsão probabilística do NOAA indica uma chance acima de 55% para a manutenção do La Niña durante todo o segundo semestre do ano. No entanto, os dados apresentados pela agência australiana BOM indica que vários outros modelos, incluindo o modelo europeu ECWMF, preveem o retorno para uma condição neutra durante o inverno.
Além das questões climáticas, existe uma grande preocupação com o consumo de café em 2022. Além dos problemas ligados a guerra russo-ucraniana, que tem impacto direto no consumo de café daqueles países, há o risco de redução no ritmo do consumo em meio à inflação e menor crescimento da economia global.
Mesmo com a redução nos volumes exportados de café, tanto no Brasil como em outros países, como a Colômbia e Honduras, os estoques parecem se acumular nos países importadores. Além do avanço de 2,5% nos estoques GCA, que foi abordado na última edição deste relatório, os estoques de café no Japão tiveram um avanço de 11,6% em abril para 3,1 milhões de sacas, se comparado com abril de 2021. Ainda é muito cedo para ter certeza sobre essa situação e muitos outros dados ainda devem ser avaliados, mas este é um aspecto que deve ser monitorado.
Na última semana, foi divulgado apenas o relatório attaché para o Equador, que indicou um avanço de 36% na produção do país em 2022/23, para um total de 354 mil sacas. Até o momento, foram divulgador os relatórios para 8 países: Indonésia, Uganda, Peru, Nicarágua, Costa Rica, Quênia, El Salvador e Equador. Os dados parciais indicam um aumento de 5% na produção e 3,1% nas exportações em 2022/23. No entanto, os números para os principais países produtores, como Brasil, Vietnã e Colômbia ainda não foram divulgados, o que deve ocorrer nas próximas duas semanas.
Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA

O receio dos agentes globais de que a economia dos Estados Unidos possa crescer menos que o esperado tem sido um dos principais fatores de pressão para a moeda americana nas últimas semanas. Durante maio, a divulgação de resultados fracos para grandes empresas varejistas do país, que também declararam que devem enfrentar dificuldades no segundo trimestre, evidenciaram as dificuldades que a maior economia do mundo enfrenta em conciliar a continuidade do seu crescimento com a inflação historicamente elevada e disseminada. Os resultados motivaram a saída de capitais dos Estados Unidos, especialmente da bolsa de valores, que foram direcionados a ativos de outras economias avançadas, commodities e economias emergentes.
Os indicadores recentes vêm elevando a percepção de que o Federal Reserve tem um menor espaço para seguir com o firme movimento contracionista em sua política monetária sem comprometer a economia, sob o risco de uma retração do PIB americano. A ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) divulgada na semana passada corroborou esse entendimento. No documento, os membros do Comitê indicaram que apoiam mais dois aumentos de 0,5 ponto percentual, e que a partir deste ponto irão realizar uma reavaliação da conjuntura econômica para definir os próximos passos.
Por outro lado, a sinalização do Banco Central Europeu (BCE) de que deve elevar a taxa básica de juros no terceiro trimestre do ano contribui para atrair investimentos na divisa europeia. Durante o movimento de queda do dólar em maio, o euro tem se recuperado de suas mínimas desde 2017 atingidas no início deste mês.
Vale a pena mencionar também as notícias de melhora na situação da Covid-19 na China. Segundo declarações das autoridades chinesas nesta segunda-feira, o país reportou o menor número de novos casos diários em três meses. O governo de Shanghai, importante polo financeiro, industrial e cidade detentora de um dos portos mais importantes do mundo, declarou que adotará uma série de medidas para estimular a economia local após os impactos dos lockdowns recentes, entre elas, permitindo a retomada do funcionamento de todas as fábricas a partir desta quarta-feira (01). O menor número de casos em Pequim também aliviou o temor de que a cidade pudesse enrijecer suas medidas de distanciamento social. Os sinais de que o funcionamento da economia chinesa deve retornar aos poucos ao normal alivia os receios com um crescimento ainda mais fraco da segunda maior economia do mundo, bem como quanto a novos gargalos nas cadeias logísticas globais. Para o café, o retorno à normalidade também deve favorecer uma retomada do consumo fora de casa, que possui grande participação na região.
Na agenda desta semana, os agentes devem acompanhar a divulgação dos PMIs de maio pela Markit, com expectativas de que estes mostrem um arrefecimento no nível de atividade das economias globais no mês. Os mercados também aguardam os dados mensais do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que será divulgado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), com expectativas de que o relatório indique uma menor geração de empregos no país em maio.

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5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.


4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

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