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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Queda nos estoques certificados suporta avanço nos preços em Nova Iorque
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Apesar do arrefecimento das preocupações com o clima no curto prazo, a queda de mais de 55 mil sacas nos estoques certificados de café arábica atuou de forma altista para as cotações de café
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 295 pontos (1,3%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 232,40/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve alta de 1,3% na semana, cotado a R$ 1293,37/saca.
•    Preços de café robusta avançaram 1,9% em Londres, para USD 2139/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta teve queda de 4,2%, para R$ 693,72/sc.
•    Mercado reagiu a intensa queda de mais de 55 mil sacas nos estoques certificados de café
•    Avanço na colheita e maior disponibilidade de robusta pressiona as cotações do tipo no Brasil
•    Diferenciais de café robusta no Brasil atingem menor patamar desde meados de janeiro
•    Exportações Hondurenhas recuaram 23% em maio
•    Dados mostram que as exportações da Costa Rica recuaram 35,4% em maio
•    ICO: exportações globais totalizaram 6,8 milhões de sacas em maio, postando queda de 7,3%
•    Importações e estoques no EUA podem dar pistas sobre a demanda no país
•    USDA attaché: foram divulgados os relatórios da Colômbia, Índia, Guatemala e México 
•    Relatórios attaché do USDA: dados parciais indicam aumento de 2,9% na produção de 1,4% nas exportações
•    Acompanhando cenário no exterior, o par real/dólar encerrou a semana com alta de 0,8%
•    Avanço na moeda americana refletiu o avanço no ritmo de expansão da indústria americana
•    Durante a semana, os agentes estarão atentos aos dados dos índices de preços, CPI nos EUA e IPCA no Brasil

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Em meio a quedas acentuadas nos estoques certificados e a um maior temor com relação a uma menor disponibilidade do grão, os futuros de café engataram sua quarta semana consecutiva de avanços. As cotações deram continuidade às fortes altas observadas no final da semana anterior, quando foram majoritariamente influenciadas por movimentações técnicas e pelo temor com a aproximação do inverno brasileiro e possíveis novas ondas de frio no país.

Em Nova Iorque (ICE), o vencimento de jul/22 registrou um avanço semanal de 295 pontos (1,3%), para encerrar o período cotado a US₵ 232,4/lb. Já no terminal londrino (ICE Europe), o contrato equivalente encerrou o período cotado a USD 2139/t, em ganho semanal de 1,9%.

Após abrir a semana estendendo os avanços da semana anterior, os futuros em Nova Iorque foram impulsionados pelos registros de quedas nos estoques certificados na terça (-18.267), quarta (-16.619) e quinta-feira (-13.263), com as cotações chegando a atingir máximas de US₵ 240,85/lb durante o intradia de quinta, antes de recuar até o restante da semana.

Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 30/05 a 03/06

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

As quedas nos estoques certificados geralmente estão associadas aos níveis dos diferenciais nas origens (diferença entre o preço FOB na origem e o preço na bolsa), que em determinados momentos, quando fortalecidos, estimulam a retirada de estoques certificados, que estão nos armazéns certificados pela bolsa nos EUA e Europa, para garantir a disponibilidade de café no curto-prazo com menores custos. Movimento como este foi observado entre outubro de 2021 e fevereiro deste ano, quando os estoques recuaram para mínimas em 20 anos, enquanto os diferenciais estavam fortalecidos em meio ao temor por um balanço de oferta e demanda global deficitário em 2021/22, o que impulsionou os preços na bolsa para suas máximas em 10 anos naquele momento.

Depois de apresentar relativa estabilidade desde meados de fevereiro, a queda de 55.288 sacas no acumulado da última semana, para o patamar de 1,02 milhões de sacas, gerou apreensão entre os participantes do mercado. Apesar da manutenção dos diferenciais das origens em patamares elevados, o que por si só desestimula a certificação e contribui para a retirada de cafés dos estoques certificados, ao menos até o momento, não houve grandes mudanças nos fundamentos do mercado de café que justifiquem uma retirada generalizada de estoques certificados.

No Brasil, os preços de café arábica ao produtor tem acompanhado a tendência altista no mercado internacional, apesar das quedas do dólar no mercado cambial brasileiro. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1293,37/saca, um avanço semanal de 1,3%. 

Já para o café robusta, o indicador CEPEA registrou uma significativa queda de 4,2% para levar a variedade abaixo do patamar de R$ 700 desde agosto do ano passado, fechando cotado a R$ 693,72/saca. A queda dos preços do café robusta no mercado doméstico está ligada ao aumento da disponibilidade em meio ao estágio mais avançado da colheita nos estados produtores da variedade. 

Para o robusta, a disparidade das tendências no mercado internacional, que tem avançado, e no mercado doméstico, tem contribuído também para reduzir os diferenciais, o que tem ocorrido desde o início da colheita. Uma queda dos diferenciais neste período do ano é um comportamento já esperado, devido à sazonalidade da colheita, como pode ser observado do gráfico de diferenciais. No entanto, os diferenciais, que ainda seguem positivos em torno de USD 270/ton (menor patamar desde meados de janeiro), permanecem fortalecidos, sendo necessários novos recuos para que alcancem patamares negativos e estimule as exportações por parte dos comerciantes da variedade.

Diferenciais de café robusta no Brasil (USD/Ton)

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Fonte: ICE, CEPEA. Elaboração: StoneX.
Importações no EUA deve dar pistas quanto ao atual cenário de O&D global

A divulgação recente de queda nas exportações de produtores da América Central também adiciona elemento altista ao cenário recente do mercado. De acordo com o Instituto do Café de Honduras (IHCAFE), o quinto maior produtor de café do mundo marcou registrou uma retração de 23% em suas exportações no mês de maio, que foram de 641 mil sacas, contra 833 mil no mesmo mês em 2021. De acordo com o Instituto, a queda está ligada à menor produção do país, principalmente em função da ocorrência do fungo da ferrugem, que impactou parte das lavouras devido à alta umidade na região.

Já o Instituto de Café da Costa Rica (ICAFE), informou recuo de 35,4% nos embarques de café em maio, que totalizaram 103 mil sacas, contra 159 mil no mesmo mês do último ano. Segundo o Instituto, a queda é explicada pela menor produção do país neste ano, que deve recuar quase 9,0%, mas também à uma antecipação das compras dos agentes para tentar driblar a falta de contêineres e os maiores períodos de transporte, citando as maiores exportações nos primeiros meses do ano, como a alta de 73% nos embarques de janeiro.

Ademais, a Organização Internacional do Café (ICO) divulgou que identificou que as exportações globais de café arábica foram de 6,808 milhões de sacas em abril, uma retração de 7,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Nesta terça-feira (7), o USDA divulgará os números das importações dos Estados Unidos em abril. Os dados, analisados de maneira conjunta com os estoques nos portos americanos da Green Coffee Association (GCA) e com as exportações dos países produtoras, devem dar maiores pistas sobre o atual cenário para o mercado global e para o consumo de café. Considerando o forte recuo nas exportações dos países e possivelmente menor importação nos EUA, a depender dos dados de importação do USDA, potenciais avanços nos estoques GCA poderiam indicar problemas no consumo e atuar de forma baixista.

USDA: Novos relatórios attachés foram divulgados

Na última semana, o USDA divulgou seus relatórios attachés para mais 4 países, Colômbia, Índia, Guatemala e México, completando até o momento a divulgação de 12 países. No entanto, ainda restam os relatórios de outros 7 países, incluindo os dois maiores produtores, Brasil e Vietnã. 

Para a Colômbia, o USDA ajustou para baixo sua estimativa para a produção em 2021/22, de 13,8 milhões de sacas para 13 milhões, representando uma queda 5,8%, que foi atribuída principalmente ao clima desfavorável, com volumes excessivos de chuva, causados pelo fenômeno do La Niña. Para 2022/23, a produção do país deve se repetir, com produção de 13 milhões de sacas. 

Para a Índia, a produção em 2022/23 deverá ser 3,8% maior, atingindo 5,7 milhões de sacas, refletindo o clima nas regiões produtoras do país, que favoreceu o desenvolvimento das lavouras. O USDA reduziu sua estimativa para a produção da Guatemala em 2021/22 em quase 15%, para 3,4 milhões de sacas, já a produção em 2022/23 deverá recuar 1,3%. De acordo com o relatório, o aumento de 32% nos custos de produção, incluindo os fertilizantes, foi o principal motivo por trás das perdas. Sobre o attaché do México, a agência indica uma produção quase inalterada em 2022/23, estimada em 3,8 milhões de sacas. 

Considerando todos os dados divulgados até o momento, a produção desses países deverá aumentar 2,9% em 2022/23, enquanto as exportações devem avançar 1,4%. Como foi comentando, estes ainda são dados parciais. Além disso, o USDA não divulgou a produção de países importantes como o Brasil e Vietnã. 

Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Dólar fecha semana em alta, em linha com desempenho no exterior 
Acompanhando o cenário altista para a moeda americana no exterior e afetado pela percepção de maior risco fiscal no país, o dólar registrou avanço da semana frente ao real. O par real/dólar encerrou o período com ganho semanal de 0,8%, encerrando cotado a R$ 4,778. Já o dollar index avançou 0,5% durante o mesmo período, para terminar a sexta-feira (3) cotado a 102,2 pontos.

Os indicadores positivos para a economia americana se mostraram o principal driver para as negociações no mercado cambial global. Na sessão da quarta-feira (1), marcada pelo maior ganho da divisa americana frente a uma cesta de moedas avançadas, o instituto ISM divulgou que PMI da indústria dos Estados Unidos registrou um avanço do ritmo de expansão do setor no país, que passou de 55,4 pontos em abril para 56,1 pontos em maio. O resultado também ficou significativamente acima das expectativas dos analistas, que esperavam por uma redução no ritmo de crescimento, com a mediana das projeções apontando para 54,5 pontos. Vale lembrar que o limiar de 50 pontos divide uma condição de expansão ou retração do setor.

Já na sexta-feira (3), o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) informou que os Estados Unidos registraram em maio um saldo positivo entre novas contratações e demissões, representando 390 mil novos empregos criados, acima das expectativas do mercado de 325 mil.

Na prática nos últimos meses, indicadores melhores sobre o desempenho da economia americana, além de reduzirem o temor por uma estagflação, elevam a percepção dos participantes do mercado de que o Federal Reserve possui mais espaço para seguir com uma contração monetária no país. Isto significaria, teoricamente, maiores chances de que o Fed consiga manter o ritmo de elevação da taxa básica de juros para conter o avanço da inflação sem sacrificar tanto o desempenho da economia. Neste contexto, expectativas de uma maior taxa básica de juros elevam a atratividade do investimento em ativos de renda fixa no país, o que tende a atrair um maior fluxo de divisas para a economia americana, atuando de maneira altista para o dólar.

Seguindo nesta linha, as divulgações dos índices de preços devem dominar a atenção dos agentes nesta semana. O BLS divulgará na sexta-feira (10) o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de maio, com a mediana das expectativas dos agentes apontando para uma alta de 0,7% no mês, o que representaria uma aceleração em relação a abril (0,3%) e ante maio do ano passado (0,6%). 

No Brasil, o IBGE divulgará na quinta-feira (9) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, com uma eventual aceleração acima do esperado devendo elevar as expectativas de altas na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central além de junho, data desejada pelo BC para encerrar o ciclo de aperto monetário.

Vale mencionar também que na quinta-feira o Banco Central Europeu (BCE) divulgará sua decisão de política monetária, seguida de uma coletiva de imprensa com a presidente da autarquia, Christine Lagarde. Recentemente, Lagarde afirmou que o a taxa básica de juros do BCE, atualmente em -0,50% ao ano, deve chegar a níveis positivos até o final do terceiro trimestre deste ano. Reafirmações desta tendência ou sinais de novas elevações no futuro podem elevar a atração de investimentos para o bloco europeu, o que contribuiria para pressionar o dólar.

tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 

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  • Café

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