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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Alta do dólar e expectativa de excedente em 2022/23 pressionam cotações de café
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Durante a semana, foi divulgado, no dia 23/06, o relatório do USDA, que indicou um excedente de quase 8 milhões de sacas em 2022/23
A estimativa do USDA veio em linha com os números do CoffeeNetwork/StoneX, que haviam sido divulgados anteriormente
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 415 pontos (1,8%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 223,25/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve alta de 1,9% na semana, cotado a R$ 1.351,56/saca.
•    Preços de café robusta recuaram 1,7% em Londres, para USD 2044/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta avançou 1,0%, fechando em R$ 698,25/sc.
•    Mercado de café continuará de olho nos estoques certificados de café arábica
•    USDA: Produção mundial em 2022/23 deverá atingir 174,95 e consumo 167,4 milhões de sacas
•    USDA: Balanço de O&D deverá ter um excedente de 7,9 milhões de sacas em 2022/23
•    Dólar em alta segue como fator de pressão para as cotações de café
•    Temor por recessão econômica segue mantendo mercados globais avessos ao risco
•    Ruídos políticos e risco fiscal no Brasil têm atuado de forma altista para o dólar 

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Depois de um longo fim de semana, com o feriado nos EUA na segunda-feira (20), as cotações futuras de café arábica iniciaram a semana em alta, avançando 470 pontos na terça-feira e 385 pontos na quarta. Durante o restante da semana, os preços futuros de café reagiram a publicação do relatório do CoffeeNetwork/StoneX, no dia 22, e do relatório global de café do USDA, no dia 23, que indicaram um grande excedente para 2022/23. Além disso, as cotações de café reagiram a forte alta do dólar na semana. 

Na ICE em Nova Iorque, o vencimento de set/22 registrou um recuo semanal de 415 pontos (1,8%), para encerrar o período cotado a US₵ 223,25/lb. No terminal de Londres (ICE Europe), o contrato equivalente de café robusta encerrou o período cotado a USD 2044/t, queda semanal de 1,7%.

Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 20/06 a 24/06

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Apesar das perdas em Nova Iorque, com o avanço do dólar, os preços de café arábica pago ao produtor brasileiro terminaram a semana em alta. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1.351,56/saca, um avanço semanal de 1,9%. Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com um avanço de 1,0%, fechando cotado a R$ 698,25/saca. 

Durante a semana, os participantes do mercado deverão analisar e interpretar os dados divulgados pelo USDA na última semana, que indicou um excedente de quase 8 milhões de sacas para 2022/23. Além disso, as atenções estarão voltadas aos dados de exportações de café dos países em junho, que começam a ser divulgados no final dessa semana e na próxima. Ademais, possíveis novas quedas nos estoques certificados de café devem contribuir de forma altista para o sentido do mercado. 

Balanço de O&D do USDA vem em linha com as estimativas do CoffeeNetwork/StoneX que haviam sido divulgadas antes

Na última semana, no dia 23/06 o USDA divulgou seu relatório global de café, que indicou suas expectativas para o balanço de oferta de demanda O&D em 2022/23. A publicação indicou que o balanço de O&D deverá ter um excedente de 7,9 milhões de sacas em 2022/23, número em linha ao que havia sido apresentado no relatório do CoffeeNetwork/StoneX, que foi publicado no dia 22/06 e indicou um excedente entre 5 e 8 milhões de sacas. 

Estimativas do USDA para o balanço global de oferta e demanda (milhões de sacas)

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
De acordo com o USDA, a produção mundial de café deverá avançar 4,7% em 2022/23, para 174,95 milhões de sacas, suportado principalmente pelo aumento na produção no Brasil, Indonésia, Honduras, Uganda e Índia. As exportações mundiais devem avançar 0,8%, para 141,6 milhões de sacas e o consumo 1,1% ou 1,8 milhões de sacas, para 167,4 milhões de sacas.  

Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA

image 41822
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Ainda de acordo com o USDA, os estoques finais globais deverão avançar 2 milhões de sacas (6,3%) em 2022/23, para 34,7 milhões de sacas. Com o avanço mais intenso nos estoques, se comparado com o avanço no consumo, a relação entre o estoque e o uso deverá avançar para 21% em 2022/23, ante 20% em 2021/22. 

Evolução dos estoques finais e a relação estoque/uso

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

 

Dólar em alta segue como fator de pressão para as cotações de café

O dólar chegou na última semana a sua quarta semana consecutiva de valorização no mercado cambial brasileiro. Com alta de 2,1%, a moeda americana encerrou a última sexta-feira (24) cotada a R$ 5,25, acumulando avanço de 10,5% no mês de junho. Já o dollar index, apesar da persistência do ambiente de aversão ao risco global, recuou 0,6% na semana para fechar a 103,9, em um movimento de ajuste após renovar em meados deste mês suas máximas em quase 20 anos.

O panorama global continua sem grandes alterações, com o temor por uma recessão econômica cada vez mais dominante entre os investidores, ao passo que os indicadores econômicos de alta frequência não vem apresentando progresso como o esperado, ampliando as chances de as medidas necessárias para controlar a inflação interrompam, ao menos no curto-prazo, o crescimento da economia global.
 

A divulgação pela Markit das prévias dos PMIs contribuiu para a percepção de redução no ritmo de crescimento da atividade econômica na última semana. Para os Estados Unidos, a prévia do PMI consolidado, que pondera o indicador para a indústria e serviços, apontou para desempenho de 51,2 pontos em junho. Caso se confirme em seu resultado definitivo, apesar de ficar acima do limiar de 50 pontos que separa uma condição de expansão e retração, este será o crescimento mais lento desde janeiro, quando o indicador ficou em 51,1 pontos. Já para a zona do euro, a Markit divulgou que a prévia do PMI consolidado ficou em 51,9 pontos, menor número desde fevereiro de 2021, quando a região registrou um resultado de contração, com 48,8 pontos.

Os agentes também acompanharam na semana os depoimentos de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, ao Congresso americano. Conforme destacado no Relatório Semanal de Câmbio, Powell, estabeleceu um cenário bastante rígido para a condução do aperto monetário pelo banco central, afirmando que o compromisso da instituição com o combate da inflação é “incondicional”, que as taxas de juros serão elevadas para um nível restritivo rapidamente e que uma recessão econômica é “certamente uma possibilidade”.

No Brasil, o foco deve continuar principalmente no cenário político, que tem contribuído para elevar a fuga de divisas do país. Os ruídos gerados pela renúncia no presidente da Petrobrás na última semana elevaram as preocupações com a interferência do Planalto na política de preços da empresa. As frequentes declarações públicas do presidente da República e de líderes do Legislativo contra a política de paridade de preços adotada pela estatal, e as decisões de alterações em cargos de gestão da empresa costumam contribuir para apreensão dos investidores no país e repercutir de maneira negativa no mercado cambial.

Além disso, os agentes devem acompanhar a mudança de estratégia do governo, que abandonou as propostas para zerar os impostos estaduais sobre os combustíveis, tema que vinha sendo trabalhado a semanas, para seguir com uma proposta para ampliar os benefícios do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás, e um voucher para caminhoneiros.

De acordo com o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), que será o relator da proposta, as novas iniciativas valerão até o final de 2022 e teriam um impacto financeiro de R$ 39,8 bilhões para a União. As medidas do atual governo, ampliando gastos e desrespeitando a lei do teto de gastos às vésperas das eleições presidenciais, elevam a percepção de risco fiscal no país e contribuem para uma maior exigência de prêmios de risco por parte dos investidores, o que tende a afastar investidores do Brasil.

tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 

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