No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica teve um avanço de 1,4% até a terça-feira (20), mas voltou a recuar e terminou a semana com um leve aumento de 0,2%, cotado a R$ 1272,92/saca. Já o café robusta verificou uma leve queda de 0,7%, fechando a sexta-feira cotado a R$ 741,72/saca.
Do ponto de vista macroeconômico, o fortalecimento da moeda americana, que refletiu a elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve na última semana, atuou de forma baixista para as commodities de forma geral, incluindo o café. Enquanto o dollar Index avançou 2,8% na semana, fechando cotado a 112,8 pontos, maior patamar em 20 anos, o índice CRB das commodities teve queda de 3,7% para 268,5 pontos. Além disso, o sentimento de aversão ao risco se acentua em meio a temores de uma recessão na Europa e ao acirramento das tensões na guerra russo-ucraniana, com a convocação de reservistas russos e a ameaça do uso de armar nucleares no conflito. Para mais detalhes, acesse o Resumo Semanal de Câmbio da última sexta-feira (23).
Índice CRB das commodities
Fonte: Reuters. Elaboração: StoneX.
A redução das estimativas para a produção brasileira divulgado pela Conab contribuiu para as movimentações positivas da semana. A agência reduziu em 6,2% sua estimativa para a produção brasileira de café em 2022/23, de 53,7 para 50,38 milhões de sacas. Apesar do ajuste, a nova estimativa ainda representa um aumento de 5,6% na produção se comparado com a safra anterior (2021/22). A produção do café arábica foi estimada em 32,41 milhões de sacas, enquanto para o tipo robusta foi estimada em 17,97 milhões de sacas.
Em uma notícia divulgada na última semana pela agência de notícias Reuters, o diretor executivo da Conab, Sérgio de Zen, admitiu que as estimativas para a produção de café nos últimos anos teve problemas e necessitam de melhorias para refletir a realidade, já que os números estimados pela Conab são inferiores a soma do volume consumido e o total exportado. A inconsistência nas estimativas da Conab já foi tema de alerta pelos analistas da StoneX.
Discrepância nas estimativas para a safra brasileira de café (milhões de sacas)
Fontes: Conab, StoneX, Cecafé, IBGE, USDA, ABIC. Elaboração: StoneX.
No ponto de vista dos fundamentos, as atenções do mercado ainda se concentram no desenvolvimento dos estágios iniciais da safra 2023/24, que se encontra no período de florada. O clima continua sendo fator primordial para a abertura da florada principal e um satisfatório desenvolvimento. Nas últimas semanas, a perspectiva da chegada das chuvas em algumas regiões arrefeceu as preocupações dos agentes, porém esta questão continua sendo um fator de risco, já que de acordo com as previsões do NOAA, o La Niña deve permanecer até o fim do ano. Além da necessidade do reestabelecimento do regime hídrico para a abertura das flores, um clima adequado se faz necessário para garantir o pegamento da florada e dos chumbinhos, e qualquer adversidade neste período tem potencial para provocar danos.
A queda nos estoques certificados de café arábica continuará impactando as movimentações dos preços de café, atuando de forma positiva para as contações. Como foi apresentado na matéria especial “Os estoques certificados podem chegar a zero?”, divulgada no início de agosto, as condições mercadológicas não favorecem a certificação de novos cafés pelas origens e fomenta a retirada de café dos estoques certificados pela bolsa. Na última semana, os estoques certificados de café arábica recuaram mais de 60 mil sacas (11,4%) para 472 mil sacas na sexta-feira (23). Considerando a condição de diferenciais fortalecidos e a menor disponibilidade de café nas origens, principalmente no Brasil, os estoques certificados devem continuar seguindo a tendência de queda.
Nas próximas semanas, além das condições climáticas e dos estoques certificados, os participantes do mercado estão de olho nos dados de exportação dos países em setembro, que serão divulgados a partir da próxima semana. Além disso, os ruídos no campo macroeconômico devem continuar impactando as cotações de café.