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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Chuvas no Brasil e aversão ao risco pressionaram os preços de café na semana
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
Volumes importantes de chuva e a abertura da florada principal arrefeceram as preocupações dos agentes, por outro lado a queda nos estoques certificados continuam dando suporte aos preços
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 345 pontos (1,6%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 218,10/lb.
•    Indicador Cepea de café arábica teve queda de 4,5% na semana, cotado a R$ 1.229,18/saca
•    Preços de café robusta avançam 0,1% em Londres, para USD 2155//ton.
•    Indicador Cepea para o robusta fecha em queda de 5,5%, cotado em R$ 696,75/saca
•    Estoques certificados de café arábica recuaram 2,2 na semana% 
•    Vietnã exporta 1,54 milhões de sacas em setembro, encerrando safra 21/22 com 28,6 milhões de sacas, alta de 15,4% 
•    Inflação aumenta o alerta sobre possível impacto no consumo 
•    OIC: consumidores estão trocando cafeterias por consumo em casa 
•    Mercado de olho nas exportações do Cecafé, projeções do NOAA e estoques GCA
•    Dólar registra forte queda após 1º turno das eleições no Brasil 
•    Indicadores de atividade mais fracos nos EUA e Europa elevam aversão ao risco e preocupações com relação à demanda 
•    Indicadores de inflação devem dominar cenário macro nesta semana

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Leia a última matéria especial de café - Florada do café segue em risco com La Niña pelo terceiro ano consecutivo

Como tem sido observado nos últimos meses, um conjunto de fatores altistas e baixistas tem atuado de forma conjunta, contribuindo para manter as cotações de café dentro de uma faixa. Desde meados de fevereiro, as cotações têm se mantido entre os US₵ 200,00/lb e US₵ 240,00/lb, o que não é uma faixa estreita, mas tem limitado as movimentações.
 
No campo altista dos fundamentos podemos destacar a queda dos estoques certificados para o menor patamar em mais de 23 anos, a queda de 20% nas exportações Hondurenhas em 2021/22 e a queda de 31% na produção e de 25% nas exportações colombianas em setembro. Atuando de forma baixista, podemos destacar o retorno das chuvas e a abertura da florada no Brasil, a perspectivas de que as exportações Hondurenha podem crescer no próximo ano safra, a preocupação com a possibilidade do impacto da inflação na demanda de café, a valorização do dólar e o sentimento de aversão ao risco em meio a perspectiva de uma possível recessão global. 

Em Nova Iorque (ICE), a tela mais ativa (dez/22) encerrou a semana com um recuo de 345 pontos (1,6%), cotado a US₵ 218,10/lb. Em Londres (ICE Europe), as cotações terminaram a semana quase inalteradas, o contrato mais ativo do café robusta (nov/22) encerrou a semana um ganho de apenas USD 2/ton (0,09%), cotado a USD 2155/t.

Intraday semanal (contrato mais ativo) - 03/10 a 07/10

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica teve uma queda de 4,5% e terminou a semana cotado a R$ 1.229,18/saca, reagindo a queda em Nova Iorque e a forte queda do dólar. Seguindo a tendência do arábica, o café robusta verificou uma queda de 5,5%, fechando a sexta-feira cotado a R$ 696,75/saca.

Na última semana, os estoques certificados de café arábica tiveram um recuo de 9.461 sacas (2,2%), para 416,7 mil sacas, menor volume em mais de 23 anos. Os estoques certificados estão relacionados aos níveis dos diferenciais de café nas origens, de forma que diferenciais fortalecidos, como no atual cenário, desfavorecem a certificação de novos cafés. 

O mercado de café robusta segue acompanhando as exportações vietnamitas de café. De acordo com o órgão aduaneiro do país, as exportações em setembro totalizaram 1,54 milhões de sacas, uma queda de 17,8% se comparado com o mês anterior e 7,8% se comparado com setembro de 2021. 

Porém, considerando o ano safra (out-set), o país exportou 28,6 milhões de sacas, volume 15,4% maior que o total exportado no ano safra anterior, que totalizou 24,7 milhões de sacas. Além disso, o recuou nas exportações acontece enquanto o país segue em período de entressafra, com a próxima colheita prevista para iniciar a partir de meados de novembro.

Evolução das exportações de café no Vietnã (milhões de sacas)

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Fonte: Vietnam Customs. Elaboração: StoneX. 

Forte inflação nos preços de café levantam o alerta do possível impacto no consumo da bebida. Apesar de se mostrar uma commodities bastante inelástica, a forte inflação dos preços nos EUA e Europa tem preocupado os agentes. De acordo com os dados da Eurostat, os preços de café estiveram 17% maiores em agosto, se comparado com o mesmo mês de 2021. A inflação sobre os preços de café tem avançado nos EUA, enquanto segue recuando no Brasil, após atingir o ápice em abril. 

Em uma entrevista veiculada pela agência de notícias Reuters, a diretora da Organização Internacional do Café, Vanusia Nogueira, indicou que os consumidores estão trocando as cafeterias pelo consumo em casa. No entanto, ela destacou que “não deve haver impactos em termos de volume, mas sim na forma que o café é consumo e na qualidade.”

Inflação acumulada em 12 meses nos preços de café torrado e moído ao consumidor

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Fonte: IBGE, BLS, Eurostat. Elaboração: StoneX.

Nesta semana, o mercado deve repercutir a divulgação pelo Cecafé das exportações brasileiras de café em setembro. Os dois primeiros meses da safra 2022/23 apresentaram números abaixo da média dos últimos anos, porém, impactados principalmente pela menor exportações de café robusta, reduzida em função da maior demanda e melhores preços praticados no mercado doméstico. 

Na quinta-feira (13), o NOAA atualizará suas projeções probabilísticas para o La Niña/El Niño. Os agentes também devem manter alguma cautela enquanto aguardam os dados dos estoques de café nos portos americanos, que serão publicados apenas na segunda-feira (17).

Indicadores de inflação devem dominar cenário macro nesta semana
Embarcando em um maior apetite por risco após o 1º turno das eleições no país, o dólar apresentou uma queda de 3,3% no mercado cambial brasileiro na última semana, terminando cotado a R$ 5,214. Já o dollar index reagiu a sessões de maior apreensão global em meio à continuidade da tendência de aperto monetário por parte dos principais bancos centrais do mundo, e registrou um avanço de 0,5%, fechando a 112,7 pontos.
O sentimento no mercado brasileiro foi de grande alívio nas tensões após o 1º turno das eleições no domingo (2), quando se observou um forte movimento de reposicionamento dos agentes na segunda-feira (3). Naquele pregão, a taxa de câmbio registrou uma retração de 4,0%, quando recuou de patamares próximos a R$ 5,40 para cerca de R$ 5,17, maior queda diária desde junho de 2018. O ajuste se deu basicamente a partir de um alívio dos investidores, após verificarem uma configuração de Câmara dos Deputados e do Senado com características mais conservadoras. 

Este cenário indica maiores possibilidades de projetos mais alinhados aos interesses do mercado, enquanto haveria mais dificuldades de haver reversões em propostas e projetos já aprovados no passado. Essa provável dinâmica indica que, independente do presidente eleito, um Congresso mais conservador ameniza o risco de grandes mudanças ou grandes reformas, e que os candidatos que disputarão o 2º turno da disputa presidencial em 30 de outubro, Lula e Bolsonaro, terão de se aproximar mais dos partidos de centro e realizar mais concessões para garantirem uma eventual vitória.

Já no exterior, o sentimento de maior aversão ao risco voltou a tomar conta dos mercados após a divulgação de novos dados indicando uma continuidade da desaceleração do nível de atividade nas principais economias globais. Na Europa, a S&P Global informou que o PMI consolidado passou de 48,9 em agosto para 48,1 pontos em setembro, ficando abaixo do nível de 50 pontos, que separa uma condição de expansão e contração, pelo terceiro mês consecutivo. A perspectiva de recessão na região, enquanto a inflação ao produtor e consumidor permanece historicamente elevada, mantém em pauta a preocupação com uma possível desaceleração no nível de crescimento da demanda por café na principal região consumidora global.

Nos Estados Unidos, o Instituto ISM revelou um PMI da indústria de setembro em 48,4 pontos, apontando para um agravamento na contração da atividade industrial em relação ao resultado de agosto (49,6), e terceiro mês consecutivo abaixo do limiar de 50 pontos. Adicionalmente, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) revelou que foram criados em setembro 263 mil novos empregos no país, ficando acima das projeções, que apontavam para 250 mil, mas abaixo do registro de agosto, quando foram criados 315 mil novos empregos.

Em meio às divulgações, declarações de diversos membros do Federal Reserve ao longo da semana reforçaram o compromisso do banco central americano em trazer a inflação de volta para o patamar de 2,0%, indicando que seguirão elevando a taxa de juros para território mais restritivo e a manterão elevada por algum tempo. Os líderes da autoridade monetária americana têm reforçado que não há grandes evidência de que a inflação já chegou ao seu ponto de inflexão, e que não a controlar agora pode tornar muito mais difícil e doloroso à economia restaurá-la no futuro.

Na agenda desta semana, destaca-se no exterior a divulgação pelo BLS do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de setembro. As projeções dos agentes apontam para uma pequena aceleração para ambos, porém com o acumulado em 12 meses mostrando alguma diminuição. 

Vale mencionar que este é o último indicador de inflação antes da próxima decisão para a taxa de juros do Fed, em 2 de novembro, e que resultados aquém do esperado podem alterar significativamente as apostas sobre a intensidade no aperto monetário do Fed. Antes da última decisão, em setembro, um resultado acima do esperado em agosto foi responsável para que parte do mercado passasse a projetar a possibilidade de um aumento de 1,0 ponto percentual na taxa básica americana, iniciando um ciclo altista no dollar index que levou o indicador a renovar no final de setembro suas máximas em 20 anos. Caso um evento semelhante ocorra, é possível que o dollar index venha a testar novamente estas máximas, enfraquecendo a maior parte das moedas de outras economias.

No Brasil, destaca-se a divulgação pelo IBGE do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, com expectativas de que este apresenta uma nova retração em função das medidas do governo para reduzir os preços dos combustíveis no país. Será importante acompanhar também o “núcleo” do IPCA, que remove categorias voláteis de energia e alimentos e tem permanecido em trajetória altista nos últimos meses – um indicativo de inflação mais disseminada entre os diferentes bens de consumo e serviços.

tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 

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