No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica teve uma queda de 4,5% e terminou a semana cotado a R$ 1.229,18/saca, reagindo a queda em Nova Iorque e a forte queda do dólar. Seguindo a tendência do arábica, o café robusta verificou uma queda de 5,5%, fechando a sexta-feira cotado a R$ 696,75/saca.
Na última semana, os estoques certificados de café arábica tiveram um recuo de 9.461 sacas (2,2%), para 416,7 mil sacas, menor volume em mais de 23 anos. Os estoques certificados estão relacionados aos níveis dos diferenciais de café nas origens, de forma que diferenciais fortalecidos, como no atual cenário, desfavorecem a certificação de novos cafés.
O mercado de café robusta segue acompanhando as exportações vietnamitas de café. De acordo com o órgão aduaneiro do país, as exportações em setembro totalizaram 1,54 milhões de sacas, uma queda de 17,8% se comparado com o mês anterior e 7,8% se comparado com setembro de 2021.
Porém, considerando o ano safra (out-set), o país exportou 28,6 milhões de sacas, volume 15,4% maior que o total exportado no ano safra anterior, que totalizou 24,7 milhões de sacas. Além disso, o recuou nas exportações acontece enquanto o país segue em período de entressafra, com a próxima colheita prevista para iniciar a partir de meados de novembro.
Evolução das exportações de café no Vietnã (milhões de sacas)
Fonte: Vietnam Customs. Elaboração: StoneX.
Forte inflação nos preços de café levantam o alerta do possível impacto no consumo da bebida. Apesar de se mostrar uma commodities bastante inelástica, a forte inflação dos preços nos EUA e Europa tem preocupado os agentes. De acordo com os dados da Eurostat, os preços de café estiveram 17% maiores em agosto, se comparado com o mesmo mês de 2021. A inflação sobre os preços de café tem avançado nos EUA, enquanto segue recuando no Brasil, após atingir o ápice em abril.
Em uma entrevista veiculada pela agência de notícias Reuters, a diretora da Organização Internacional do Café, Vanusia Nogueira, indicou que os consumidores estão trocando as cafeterias pelo consumo em casa. No entanto, ela destacou que “não deve haver impactos em termos de volume, mas sim na forma que o café é consumo e na qualidade.”
Inflação acumulada em 12 meses nos preços de café torrado e moído ao consumidor
Fonte: IBGE, BLS, Eurostat. Elaboração: StoneX.
Nesta semana, o mercado deve repercutir a divulgação pelo Cecafé das exportações brasileiras de café em setembro. Os dois primeiros meses da safra 2022/23 apresentaram números abaixo da média dos últimos anos, porém, impactados principalmente pela menor exportações de café robusta, reduzida em função da maior demanda e melhores preços praticados no mercado doméstico.
Na quinta-feira (13), o NOAA atualizará suas projeções probabilísticas para o La Niña/El Niño. Os agentes também devem manter alguma cautela enquanto aguardam os dados dos estoques de café nos portos americanos, que serão publicados apenas na segunda-feira (17).
Indicadores de inflação devem dominar cenário macro nesta semana
Embarcando em um maior apetite por risco após o 1º turno das eleições no país, o dólar apresentou uma queda de 3,3% no mercado cambial brasileiro na última semana, terminando cotado a R$ 5,214. Já o dollar index reagiu a sessões de maior apreensão global em meio à continuidade da tendência de aperto monetário por parte dos principais bancos centrais do mundo, e registrou um avanço de 0,5%, fechando a 112,7 pontos.
O sentimento no mercado brasileiro foi de grande alívio nas tensões após o 1º turno das eleições no domingo (2), quando se observou um forte movimento de reposicionamento dos agentes na segunda-feira (3). Naquele pregão, a taxa de câmbio registrou uma retração de 4,0%, quando recuou de patamares próximos a R$ 5,40 para cerca de R$ 5,17, maior queda diária desde junho de 2018. O ajuste se deu basicamente a partir de um alívio dos investidores, após verificarem uma configuração de Câmara dos Deputados e do Senado com características mais conservadoras.