Os mercados globais não mostraram grande direcionamento, oscilando entre momentos de aversão ao risco com as incertezas em relação à queda na atividade e avanço da inflação na conjuntura global e momentos de recuperação de algum apetite por risco, como observado após a renúncia da primeira-ministra britânica Liz Truss após um conturbado período de apenas 44 dias no poder. Os investidores seguiram mostrando um bom apetite pelos ativos brasileiros, reagindo positivamente à atualização de pesquisas eleitorais que mostraram uma corrida presidencial mais parelha.
Além da melhora do clima no Brasil e dos fatores ligado à oferta, os dados de inflação de setembro para a zona do euro, divulgados pela Eurostat, são um dos principais fatores baixistas ligados à demanda. Mesmo com o avanço de 0,6% na passagem de agosto para setembro não estando entre os maiores avanços mensais, ainda não há evidências de que deverá haver uma desaceleração contínua, com o acumulado em 12 meses passando de 7,6% para 8,7%.
Evolução da inflação sobre o café ao consumidor na zona do euro nos últimos 12 meses
Fonte: Eurostat. Elaboração: StoneX.
O comparativo anual de cada mês consegue mostrar ainda mais a criticidade do quadro europeu. O último mês de setembro, se comparado com o mesmo mês em 2021, aponta para preços do café 15,6% maiores aos consumidores da zona do euro.
Variação anual dos preços do café ao consumidor na zona do euro
Fonte: Eurostat. Elaboração: StoneX.
Vale lembrar que se tratando de Europa, uma região que nos últimos anos teve de lidar em diversos momentos com um ritmo de crescimento da inflação abaixo da meta desejada pelo Banco Central Europeu (BCE), o atual contexto é bastante atípico, o que tem ampliado o temor de que a população será desestimulada a manter uma ampliação anual de seu consumo. Na última quinta-feira (20), o banco Citi divulgou que estima que a uma recessão global poderia reduzir o consumo total de café em 3 milhões de sacas. Novas estimativas nesse sentido, assim como a divulgação de novos dados pessimistas nas principais economias consumidoras, tendem a contribuir como elemento de pressão às cotações.
Nesta segunda-feira (28), as prévias dos PMIs contribuem para este cenário. Segundo a S&P Global, o resultado preliminar do PMI consolidado para a zona do euro variou de 48,1 pontos em setembro para 47,1 pontos em outubro, ficando abaixo das projeções de analistas (47,5 pontos) e indicando que o nível atividade no bloco econômico deve ficar pelo quarto mês consecutivo abaixo do limiar de 50 pontos que separa uma condição de expansão e contração.
Decisões do Banco Central Europeu, Banco Central do Brasil e eleições no Brasil se destacam em semana de agenda cheia
A agenda desta semana possui ainda uma série de indicadores que devem impactar os mercados globais. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve divulgará o Índice de Preços de Despesa de Consumo Pessoal (PCE) de setembro, principal indicador de inflação utilizado pela autoridade monetária. Vale lembrar que os membros do Fed iniciarão o período de silêncio exigido para a decisão de política monetária do dia 02 de novembro. O Departamento de Análises Econômicas (BEA) também divulgará o resultado preliminar para o PIB do 3º trimestre, com a mediana da projeção de analistas apostando em uma expansão de 2,4% da maior economia do mundo após ter registrado retração nos dois primeiros trimestres do ano. Enquanto isso, na zona do euro, destaca-se a decisão de política monetária do BCE na quinta-feira (27).
Já no Brasil, o IPCA-15, divulgado pelo IBGE, e o IGP-M, publicado pela FGV, devem dar os primeiros indicativos acerca da inflação no país neste mês. Na quarta-feira (26), haverá a decisão de política monetária pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A expectativa é de que o BC manterá a taxa básica de juros (Selic) no patamar 13,75% a.a., com os agentes devendo ficar atentos a como o Copom se planeja para suas próximas decisões após os resultados de deflação nos últimos meses e indicadores relativamente positivos para a atividade econômica. Ademais, a última semana que antecede a decisão do 2º turno das eleições presidenciais, com as últimas pesquisas apontando uma disputa mais parelha entre Jair Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva devendo contribuir para maior volatilidade no mercado cambial brasileiro.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
