A decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira (2), deve ser um dos principais fatores que tomarão as atenções nos mercados globais. Na última semana, as especulações de que o Fed possa começar a moderar o seu ritmo de ajustes na taxa de juros a partir de dezembro pesou sobre a moeda americana. Para esta quarta, em meio a indicativos de uma inflação ainda acelerada e de um mercado de trabalho aquecido, um novo ajuste de 0,75 p.p., levando a taxa básica de juros para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, é praticamente certo. No entanto, os agentes devem reagir às sinalizações do presidente da autarquia, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a divulgação da decisão. Atualmente, as apostas para a decisão de dezembro encontram-se bastante divididas, com 48,0% dos agentes projetando um aumento de 0,50 p.p. e 45,8% esperando um aumento de 0,75 p.p. Eventuais sinalizações de redução no ritmo do aperto monetário do Fed tendem a ser baixistas para o dólar, e altista para ativos de maior risco, como commodities e moedas de países emergentes.
Na última quinta-feira (27), o Banco Central Europeu optou por fazer um firme ajuste de 0,75 p.p. na taxa básica de juros do bloco econômico, para 1,50% ao ano, a fim de contribuir para controlar a forte inflação. Todavia, vale destacar que a decisão não foi unânime e o comunicado afirmou que parte substancial da inflação já havia sido implantado. O indicativo de provável suavização nas próximas decisões provocou um efeito baixista principalmente para as cotações do euro, que chegou a voltar para nível superior à paridade com o dólar na quarta-feira (26), mas recuou novamente após o comunicado do BCE.
O BCE tem enfrentado uma situação extremamente complexa, em que precisa tentar controlar a inflação da zona do euro sem comprometer demais o nível de atividade das economias da região, que vem recuando significativamente nos últimos meses e sinalizando uma possível situação de recessão. Os dados recentes apontando que os preços ao consumidor na Europa continuam se acelerando, enquanto a renda das famílias tende a cair, tem provocado um forte sentimento baixista com relação ao consumo de café no bloco, que representa pouco mais de 25% do consumo global de café, segundo dados do USDA.
Na última sexta-feira (28), resultados preliminares do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos países na região continuaram elevando essa preocupação. Neste quesito, destacam-se a Alemanha, que sugeriu um aumento do acumulado em 12 meses de 10,0% em setembro para 10,4% em outubro, e a Itália, indicando um crescimento do acumulado de 8,9% para 11,9%. Nesta segunda-feira (31), o consolidado preliminar da zona do euro mostrou um avanço de 1,5% em outubro frente a setembro, com o acumulado em 12 meses passando de 9,9% para 10,7%. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) da zona do euro de setembro, que será publicado na sexta-feira (4), também será acompanhado pelos participantes do mercado, uma vez que o grande aumento nos custos produtivos da indústria na Europa também gera preocupações de que maiores repasses podem ser feitos nos preços ao consumidor.
Índice de Preços ao Consumidor (CPI) acumulado em 12 meses para economias selecionadas (em %)
Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX.
Por fim, será interessante acompanhar na semana a movimentação do mercado cambial brasileiro após a decisão das eleições presidenciais do último domingo (30), que deu a vitória ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), que assumirá a partir de 2023 o seu terceiro mandato como presidente da República. Se por um lado, se esperava uma reação mais altista do dólar para o caso de vitória de Lula, estas expectativas têm sido frustradas nesta segunda-feira (31). Depois de iniciar o pregão em alta, chegando a tocar máximas intradiárias próximas de R$ 5,40, o dólar vem registrando queda expressiva de 2,30% no dia, cotado até o momento de escrita desse texto em torno de R$ 5,175. A partir de agora, os investidores reagir às principais definições com relação à política econômica da gestão de Lula, com o mercado devendo dar grande peso à definição do ministro da Economia de seu governo.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
