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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Queda do dólar suporta preços de café em Nova Iorque
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
Além da queda do dólar, um maior apetite por parte dos agentes especulativos contribuiu para o avanço das cotações de café na semana 
Resumo

•    Futuros de café arábica avançaram 980 pontos (5,4%) e de café robusta USD 88/ton (3,9%) 
•    Indicador Cepea para o arábica teve alta de 2,2% e robusta 1,7% 
•    Preços avançaram devido a queda do dólar e maior apetite dos fundos
•    Cecafé: exportações brasileiras totalizam 2,78 milhões de sacas em março (-19,3%)
•    Produção de café na Colômbia teve queda de 13% em março
•    IBGE ajustou em 0,7% sua estimativa para a produção brasileira em 2023
•    Na última terça, os fundos estavam com 10,9 mil contratos comprados em Nova Iorque e 32,4 mil em Londres
•    Forte queda do dólar e ambiente macroeconômico dão suporte às cotações de café
•    Expectativa de fim das altas nos juros dos EUA favorecem ativos de risco, com valorização de commodities e moedas emergentes
•    Inflação do café ao consumidor recua em março no Brasil e Estados Unidos

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Na última semana, as mudanças no campo macroeconômico e cambial foram muito positivas para as cotações de café. A desvalorização do dólar, após os dados aquém do esperado da economia americana e o fortalecimento do real, após a divulgação do IPCA menor que o esperado, suportou o avanço das cotações de café no mercado internacional (para mais detalhes leia a sessão de câmbio e macroeconomia deste relatório). No período, houve também a divulgação dos dados do Cecafé, que mostraram que as exportações brasileiras estiveram enfraquecidas em março. Além disso, houve um maior apetite por parte dos agentes especulativos por ativos de risco, como as commodities, incluindo o café. 

Enquanto o par USDBRL apresentou queda de 2,8% para R$ 4,91, os preços futuros de café arábica tiveram um avanço de 980 pontos (5,4%), fechando a sexta-feira (14) cotado em US₵ 191,50/lb. Em Londres, o contrato mais ativo terminou o período com avanço de USD 88/ton (3,9%), fechando a semana cotado em USD 2344/ton. 

Os preços de café no mercado doméstico também avançaram em resposta aos movimentos no exterior. O indicador Cepea para o café arábica terminou a semana com uma alta de 2,2% para R$ 1125,42/sc e o café robusta avançou 1,7% para R$ 664,28/sc. 

Intraday semanal (contrato mais ativo) - 10/04 a 14/04

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.
Relatório CFTC/COT revela maior apetite dos fundos na semana

Último relatório CFTC/COT mostrou um forte avanço nas posições dos fundos especulativos em Nova Iorque e em Londres. Em Nova Iorque, o relatório indicou que entre os dias 04 e 11 de abril, os fundos especulativos saíram de uma posição líquida vendida de 342 contratos para uma posição líquida comprada de 10907 contratos, com os agentes cobrindo parte das posições vendidas e adicionando mais de 7,8 mil contratos comprados. Neste período, os fundos de índice, tiveram um avanço na posição líquida comprada de 993 contratos, mas liquidaram mais de 1,6 mil contratos comprados e 2,6 mil contratos vendidos. Os preços futuros de café apresentaram um avanço de 1450 pontos (8,33) para US₵ 188,45/lb.

Posição dos fundos em café na ICE Nova Iorque

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Fonte: ICE, CFTC. Elaboração: StoneX. 

Em Londres, os fundos estenderam sua posição líquida comprada de 26,7 mil para 32,4 mil contratos, com uma pequena cobertura de posições vendidas, mas uma adição de mais de 5 mil contratos comprados. Refletindo o apetite dos agentes, os preços futuros de café robusta avançaram USD 104/ton (4,7%), fechando a terça-feira (11) cotado em USD 2323/ton. 

Cecafé, IBGE e FNC divulgaram dados importantes na última semana e GCA deve divulgar os estoques nesta segunda-feira (17)

Na última quarta-feira (12), o Conselho dos Exportadores de Café (CECAFÉ) divulgado os seus dados oficiais da exportação brasileira de café em março, que veio em linha com os dados divulgados anteriormente pela Secex, que havia apontado para uma queda de 20% nas exportações no mês. De acordo com o relatório do Cecafé, o Brasil exportou 2,78 milhões de sacas de café, representando uma queda de 19,4% se comparado com o mesmo mês do ano passado. Destes, foram exportadas 107,3 mil sacas de café robusta (-20,9%) e 2,67 milhões de sacas de café arábica (-19,3%). 

O resultado das exportações de março completa uma série de meses com uma queda substancial nas exportações brasileiras, seguindo a queda de 18% em janeiro e 33% em fevereiro. Enquanto para alguns, a queda nas exportações reflete uma demanda reduzida de café pelos países importadores, outros defendem que seria reflexo de uma menor disponibilidade de café no Brasil e até mesmo uma tendência sazonal. De qualquer forma, vale a pena mencionar que, apesar da queda no comparativo anual, as exportações em março apresentaram um avanço se comparado com os dois primeiros meses do ano, +29,6% se comparado com fevereiro e +10,8% se comparado com janeiro. 
Exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

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Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX. 

Além dos dados do Cecafé, houve a divulgação dos dados de produção de café na Colômbia em março pela FNC e a atualização das estimativas para a produção brasileira pelo IBGE. De acordo com a FNC, a produção de café colombiana totalizou 799 mil sacas em março, atingindo o menor volume em 11 meses e representando uma queda de 13%. 

No Brasil, o IBGE ajustou em 0,7% a sua estimativa para a produção brasileira de café em 2023, para um total de 55,7 milhões de sacas, o que representaria um avanço de 6,5% se comparado com a produção do ano passado. 

Nesta semana, parte das atenções se voltará para a análise e interpretação dos dados estoques nos portos americanos, que serão divulgados hoje (17). Os dados históricos indicam que houve uma queda média de 1,5% nos estoques em março, porém o atual cenário deve ser analisado com cautela e junto com os dados de importação nos EUA, de forma a esclarecer o ritmo de consumo no país.  

Forte queda do dólar e ambiente macroeconômico dão suporte às cotações de café
Influenciados por dados aquém do esperado nos Estados Unidos, com destaque para a inflação brasileira e americana de março, e pela expectativa pelo arcabouço fiscal no Brasil, a taxa de câmbio registrou significativa queda semanal de 2,8%, com o par real/dólar cotado a R$ 4,916. As quedas recentes da moeda americana têm tido importante influência para os avanços do café na bolsa. Desde 23 de março, o dólar já acumula perda de 6,6%, e opera hoje em seu menor nível em 10 meses.

Além do fator cambial, a conjuntura macroeconômica tem demonstrado influência sobre as cotações. Além de dados de atividade mais brandos para a economia americana, o Índice de Preços ao Produtor (CPI) de março do país registrou avanço de apenas 0,1%, abaixo das expectativas de 0,2% dos agentes e desacelerando significativamente frente ao mês anterior (0,4%). Os indicadores de desaceleração do nível de atividade econômica têm contribuído para a visão de que o Federal Reserve deve encerrar seu ciclo de aumentos na taxa de juros do país em sua próxima decisão no dia 3 de maio. 

Apesar de os membros do Fed garantirem que a taxa básica não sofrerá reduções até o final do ano, as apostas majoritárias do mercado esperam que o Fed promova uma redução a partir de setembro, a fim e evitar o risco de uma recessão após o aumento historicamente rápido na taxa básica. Este panorama tem contribuído para uma saída do fluxo de investimento de ativos de renda fixa americanos em direção a ativos de maior risco, o tem regado pressões sobre o dollar index e favorecendo commodities e moedas de países emergentes, como o real e o peso colombiano.

Fator interessante também revelado pelos dados do CPI nos Estados Unidos foi a queda de 2,6% nos preços do café torrado e moído ao consumidor americano. Esta foi a maior redução em um mês desde maio de 2021, e levou a inflação acumulada em 12 meses a recuar de 19,6% em fevereiro para 13,9% em março, menor nível desde abril do ano passado. Apesar de o mercado ainda estar cercado por dúvidas quanto a demanda, o arrefecimento da inflação no maior consumidor de café do mundo pode trazer algum otimismo em relação ao consumo da bebida. 

Inflação do café torrado e moído ao consumidor nos Estados Unidos

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Fonte: BLS. Elaboração: StoneX.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, divulgado pelo IBGE, mostrou alta de 0,71%, abaixo dos 0,77% esperados pelo mercado. Com isso, a inflação acumulada foi a 4,65%, menor resultado desde janeiro de 2021 (4,56%), ficando dentro da meta de inflação do Banco Central (BC), o que contribuiu para a atratividade do real. O resultado para o café torrado e moído ao consumidor foi de -1,41%, com o acumulado em 12 meses indo de 4,9% em fevereiro para 0,5% em março.

Na agenda desta semana, a Eurostat divulgará na próxima quarta-feira (19) o resultado consolidado do CPI da zona do euro, única região dentre as analisadas em que o café ainda não demonstrou desaceleração na alta de preços ao consumidor.

tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.

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  • Café

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