Além dos fatores macroeconômicos e cambiais, o mercado de café reagiu aos modelos de previsão, que passaram a indicar a aproximação de uma frente fria em parte do cinturão cafeeiro no país. Ainda como reflexo da geada de 2021, o mercado de café segue bastante reativo a qualquer indicativo de queda nas temperaturas. Enquanto o modelo indicava que as temperaturas mínimas poderiam cair para próximo de 6°C em algumas cidades no Paraná, São Paulo, Sul de Minas e Cerrado, os preços futuros tiveram uma apreciação de 510 pontos na sexta-feira (05). No entanto, os modelos mais recentes mostram que a frente se dissipou. Acesse aqui o último relatório de previsão de temperaturas mínimas.
Os dados últimos dados divulgados pelo USDA mostraram que 1,96 milhões de sacas foram importadas nos Estados Unidos em março, representando um aumento de 16,4% se comparado com o mês anterior. No entanto, o volume ainda é 8,6% menor que o observado em março de 2022 e 2,7% menor que a média dos últimos 3 anos. Os dados de importação de café nos EUA têm apontado para um cenário incerto com relação a demanda. Os dados do USDA mostraram que o total importado em 2022 alcançou 23,7 milhões de sacas, representando um avanço de 3,2% se comparado com 2021, mas ainda 4,3% abaixo do que foi observado em 2019.
Sazonalidade das importações de café nos EUA (milhões de sacas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
De acordo com os dados da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC), a produção de café no país totalizou 566 mil sacas em abril, representando uma queda de 25% se comparado com abril de 2022 – esta é a menor produção mensal desde setembro de 2012. De acordo com uma entrevista concedida ao CoffeeNetwork, a FNC explica que a queda ocorreu devido ao excesso de chuva causado pela La Niña e um menor nível de fertilização. Se for considerado o início do ano safra colombiano até o momento (oct-abr), a produção do país totalizou 6,2 milhões de sacas, representando uma queda de 11% se comparado com o mesmo período do ano passado.
Produção de café na Colômbia (mil sacas)
Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.
Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado de café seguirá de olho nos indicadores que podem antecipar a tendência do consumo, mas as perspectivas para a produção voltar a tomar mais protagonismo. No mês de maio e junho, vários indicadores importantes deverão ser divulgados. No dia 18 de maio, a Conab divulgará sua atualização para a estimativa da safra brasileira em 2023 – a última projeção da entidade estimou a produção brasileira em 54,9 milhões de sacas, sendo 37,4 milhões de café arábica e 17,5 milhões de café robusta.
Além da Conab, deverá ser repercutido as projeções do USDA para a produção de café nos países. Geralmente na segunda quinzena de maio, mas sem data definida, o USDA começa a divulgar os relatórios dos adidos da organização nos países, que trarão detalhes da produção de café e as estimativas oficiais para a safra 2023/24. Além disso, no dia 22 de junho, o USDA divulgará seu relatório final com suas perspectivas para o balanço global de oferta e demanda.
Apesar de ainda não haver evidências do que o USDA deve projetar para 2023, tendo em mente a estimativa da agência de um excedente de 4,8 milhões de sacas em 2022, enquanto parte do mercado acreditava em um balanço mais modesto, o USDA deve indicar um grande excedente para a safra 2023/24, o que pode trazer um sentimento baixista para o mercado. No entanto, é importante ter em mente que o inverno brasileiro se aproxima e o mercado pode reagir com movimentos altistas a qualquer nova onda de frio que possar impactar o cinturão cafeeiro, como foi observado na última sexta-feira (05).
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
