• Futuros de café arábica recuaram 1590 pontos (8,8%) na semana, para US¢ 164,85/lb.
• Cotações de café robusta recuaram USD 71/ton (2,6%) para USD 2676/t.
• Indicador Cepea para o café arábica terminou semana com queda de 11,6%, a R$ 851,56/saca.
• Indicador Cepea para o café robusta recuou 5,1%, terminando a sexta cotado a R$ 691,96/saca
• Fundos liquidam 5,36 mil contratos em Nova Iorque
• Em Londres, fundos aumentaram quase 2 mil contratos liquidamente comprados
• Perspectiva de maior oferta global pressiona as cotações
• USDA projeta produção em 23/24 em 174,3 milhões de sacas
• Dólar recua na semana e se mantém nas mínimas de cerca de um ano
• Manutenção da Selic pelo Copom dá suporte à moeda brasileira
• Boletim Focus segue mostrando melhora nas expectativas para PIB e Inflação no Brasil
• PIB dos EUA, fala de Powell e PMIs da China são destaques na agenda da semana
Na última semana, os preços futuros de café apresentaram queda em meio a perspectiva de melhor oferta a melhora na condição climática no Brasil. A preocupação com o clima foi um dos fatores que estavam dando suporte aos preços futuros de café, principalmente em meio a aproximação de uma onda de frio nas últimas semanas. No entanto, não há sinais de risco no ponto de vista da queda nas temperaturas. Além disso, a condição de clima seco favorece o avanço da colheita no país.
No início da semana, o Coffee Network divulgou um relatório com suas expectativas para a safra 2023/24, indicando um excedente entre 6,8 e 7,8 milhões de sacas. No dia 22, o USDA divulgou seu relatório que indicou um excedente de 4,1 milhões de sacas no ano safra 2023/24. O contexto supracitado, evidenciando uma condição de balanço de oferta e demanda mais confortável na próxima temporada, contribuiu para uma forte liquidação de contratos por parte dos agentes especulativos em Nova Iorque, pressionando as cotações de café na semana.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, de setembro, apresentou uma queda de 1590 pontos (-8,8%), fechando a sexta-feira (23) cotado em US₵ 164,85/lb, atingindo o menor valor em 6 meses. Em Londres, o contrato mais ativo de robusta apresentou perdas de 71 USD/ton (-2,6%), terminando a semana cotado em USD 2676/ton.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 19/06 a 23/06

No Brasil, os preços praticados no mercado doméstico seguiram as movimentações observadas em Nova Iorque e Londres, terminando a semana em queda. O indicador Cepea para o arábica apresentou queda de 11,6%, fechando cotado em R$ 851,56/saca. Para o robusta, o indicador Cepea terminou o período cotado em R$ 691,96/saca, representado uma queda de 5,1% na semana. A queda mais acentuada no mercado físico está associada a queda do dólar na semana.
O relatório CFCT/CIT divulgado na sexta-feira (23) mostrou que os fundos venderam 5,36 mil contratos entre os dias 13 e 20 de junho, tendo no dia 20 uma posição líquida comprada de 10,69 mil contratos. Por outro lado, em Londres, os fundos estenderam sua posição líquida comprada em quase 2 mil contratos entro os dias 13 e 20, quando tinha uma posição líquida comprada de mais de 48 mil contratos.
Como foi antecipado em outras edições deste relatório, a divulgação dos relatórios attachés e das estimativas do USDA para o balanço de oferta e demanda indicaria um excedente para 2023/24, contribuindo para a perspectiva de maior oferta e pressionando as cotações de café. A partir de agora, o clima no Brasil volta ao centro das atenções e qualquer possiblidade de queda nas temperaturas pode dar suporte aos preços. À medida que avançamos, as atenções se voltarão para a florada no Brasil, que pode dar indicativos para a safra 2024/25.
A produção de café na Colômbia totalizou 806 mil sacas em maio, representando uma queda de 21% se comparado com maio de 2022. No entanto, a produção em maio apresentou recuperação se comparado com a produção de abril, que totalizou 566 mil sacas. No acumulado dos últimos 12 meses, a Colômbia produziu 10,67 milhões de sacas, representando uma queda de 14% se comparado com o mesmo período no ano anterior.

De acordo com o relatório, a produção brasileira em 23/24 deve totalizar 66,4 milhões de sacas, 3,8 milhões de sacas maior que em 22/23. A produção de café arábica foi estimada em 44,7 milhões de sacas (+12,3%), enquanto a de robusta em 21,7 milhões (-4,8%). No Vietnã, a produção deve avançar 1,6 milhões de sacas, para 31,3 milhões, refletindo um clima favorável no país.
Na América Central, a produção deve totalizar 17,9 milhões de sacas, quase inalterado se comparado com a safra anterior. No entanto, a agência projeta uma leve recuperação para a produção Colombiana, que deve recuperar 300 mil sacas para 11,6 milhões de sacas. Uma surpresa observada foi o ajuste realizado pelo USDA para a produção de Honduras em relação ao número divulgado um mês antes. Enquanto no relatório do adido, divulgado em maio, a agência ajustou a produção do país em 2022/23 de 6 para 7,2 milhões de sacas e projetou a produção de 2023/24 para 7,9 milhões de sacas, neste último relatório, a produção do país em 2022/23 foi estimada em 5,4 milhões de sacas e em 2023/24 em 5,5 milhões de sacas.
Na Indonésia, a produção foi estimada em 9,7 milhões de sacas, representando uma queda de 2,2 milhões se comparado com a safra anterior. A maior queda acontece na produção de robusta, que deve recuar 2,1 milhões de sacas, para 8,4 milhões em 2023/24.
No ambiente macro, nem a queda no dólar foi capaz de segurar as retrações do café em Nova Iorque. Influenciado pelo tom mais rígido informado pelos membros do Banco Central do Brasil quanto à política monetária do país, e à aprovação do projeto de lei do arcabouço fiscal no Senado, O real terminou a última semana com retração de 0,9% no mercado cambial brasileiro, cotado a R$ 4,77, se mantendo em seus menores níveis em pouco mais de um ano.
Na última quarta-feira (21), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) no Brasil em 13,75%. Apesar de retirar de seu comunicado a possibilidade de novas altas, a manutenção foi contraparte dos agentes, que acreditavam que o BC poderia iniciar um ciclo de redução das taxas, ao passo que indicadores econômicos do país têm surpreendido positivamente, enquanto a inflação tem mostrado desaceleração. Todavia, na visão dos membros do Copom, a inflação passa por uma lenta desaceleração, indicando que deve continuar com os juros em patamar elevado por mais tempo, o que reduziu as apostas com um possível corte em sua próxima reunião em agosto. Nesta terça (27), o BC publicará a ata da reunião do Copom, que deve trazer mais detalhes sobre o posicionamento do Comitê acerca do momento de início do ciclo de redução na Selic.
O Boletim Focus do BC, que mostra a mediana das projeções das instituições brasileiras com relação à economia, tem recebido revisões positivas nas últimas semanas, o que tem dado sustentação à moeda brasileira. No Boletim desta segunda-feira, as projeções dos agentes para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuaram pela sexta semana consecutiva para 5,06% ao final do ano, contra uma projeção de 5,12% na semana passada e 5,71% há um mês. Já o PIB recebeu a sétima revisão positiva consecutiva, avançando para um crescimento de 2,18% ao final do ano, acima dos 2,14% na semana passada e dos 1,26% no mês passado.
O andamento do projeto de lei para o arcabouço fiscal deve ficar no radar dos agentes nesta semana. Após ser aprovado com alterações no Senado na semana retrasada, o projeto voltará para a Câmara dos Deputados para nova análise antes de aprovação final. O ponto de atenção fica entre os desentendimentos entre senadores e deputados sobre as alterações, o que culminou no adiamento da apreciação pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, para a segunda semana de julho. Neste sentido, eventuais novos desentendimentos entre as casas e uma possível nova prorrogação da votação final tem o potencial de impactar de forma altista o dólar.
No exterior, a agenda conta com indicadores importantes que podem influenciar nas movimentações dos mercados globais, como a divulgação da revisão final do PIB dos Estados Unidos do 1º trimestre, na quinta-feira (29) e o os PMIs para a economia chinesa no mesmo dia. Ademais, na quarta-feira (28) o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve se pronunciar, o que pode impactar nas expectativas para os próximos passos da política monetária do banco central americano.






