• Café arábica recua 3,1% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 185,60/lb
• Na bolsa de Londres, café robusta recua 2,4% para USD 3141/t
• Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 1,4%
• Indicador Cepea de café robusta recua 0,2% para R$ 848,25/saca
• Dólar teve alta de 0,3% na semana para USDBRL 4,97
• Estoques certificados arábica avançaram 3,2% na última semana
• Estoques certificados de robusta caíram de mais de 20% na semana
• Exportações brasileiras de café avançaram 39% em janeiro
• Projeções para a produção no Brasil e estoques seguirão como tema central
Na última semana, os preços futuros de café seguiram uma trajetória baixista e terminaram o período com perdas em Nova Iorque e em Londres. Os volumes negociados na última semana foram reduzidos devido à ausência do Brasil em parte da semana, reflexo do feriado de carnaval. Pesou sobre os preços de café a divulgação dos dados de exportação no Brasil, que mostrou um avanço de 39% no mês de janeiro. Além disso, parte das movimentações foi impactada por fatores técnicos, como a rolagem de contratos em meio a aproximação do primeiro dia de aviso, que acontece nesta quarta-feira (21). Apesar de alguns fundamentos terem viés altista, como a menor produção na Indonésia e no Vietnã, essas notícias já foram absorvidas pelos participantes do mercado.
Ademais, apesar de permanecerem em patamar historicamente inferior, os estoques certificados de café arábica tiveram um substancial aumento nas últimas semanas. Na semana, a alta do dólar também contribuiu para pressionar as cotações futuras de café. No balanço semanal, o contrato mais ativo em Nova Iorque, de maio, teve perdas de 590 pontos (-3,1%), fechando o período cotado em US₵ 185,60/lb. Em Londres, o cenário não foi diferente, com o contrato mais ativo recuando USD 76/ton (-2,4%), para USD 3141/ton.
No Brasil, os preços de café arábica seguiram a tendência observada no exterior, mas com uma menor intensidade. No entanto, os preços de café robusta permaneceram quase estáveis. O indicador Cepea para o café arábica teve um recuo de 1,4% para R$ 1013,91/sc. O mesmo indicador para o café robusta recuou apenas 0,2%, para R$ 848,25/saca.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 12/02 a 16/02

No relatório da última sexta-feira (16), a ICE reportou que os estoques certificados de café arábica totalizaram 307,26 mil sacas, volume historicamente baixo, mas que tem crescido. Os estoques certificados de café arábica avançaram 3,2% na última semana e 23% desde o início do mês. O Brasil tem sido a principal origem por trás dos avanços nos estoques certificados; nas últimas semanas os estoques oriundos do Brasil ultrapassaram 114 mil sacas, representando um avanço de 9,4% na semana e de 74,3% desde o início do mês. Além disso, o relatório mostrou que os estoques pendentes para classificação tiveram um aumento de 115% na semana, com o Brasil representando 79% dos estoques pendentes reportados na sexta-feira (16). Apesar desde cenário, parte dos agentes ainda apostam na manutenção dos estoques em patamares inferiores.
Por outro lado, de acordo com os dados da ICE, os estoques certificados de café robusta terminaram a semana em queda. O relatório da última sexta-feira (16), que reportou os estoques da quinta-feira (15), mostrou uma queda de mais de 20% na semana, para 334,8 mil sacas, com uma queda acumulada de mais de 29% desde o início do mês. Para o café robusta, os problemas produtivos na Ásia promoveram um expressivo aumento nos diferenciais de preço, o que desestimula a certificação de novos cafés.

Considerando a receita, o Brasil exportou 3,94 bilhões de reais em janeiro, representando um avanço de 23,2% se comparado com janeiro do ano anterior. No entanto, a receita no acumulado do ano-safra foi 4,6% menor, totalizando 26 bilhões de reais. Considerando a receita em dólar, houve um avanço de 1,8%, portanto, o recuo se deve principalmente a queda do dólar desde o início do ano-safra.
Analisando o volume, fica fácil observar que houve um grande destaque no aumento das exportações de café robusta. Este cenário é reflexo dos problemas na produção provocados pelo clima no sudoeste asiático, tanto no Vietnã como na Indonésia, o que reduziu a produção destes países e impactou a sua competitividade no mercado internacional. Desta forma, o Brasil segue sendo a origem de café robusta mais competitiva do mundo, o que mostra que as exportações do país devem se manter aquecidas nos próximos meses.
Nas próximas semanas, seguirá sendo foco dos participantes do mercado as divulgações para a produção brasileira de café em 2024. Até o momento, várias organizações, públicas e privadas, divulgaram suas projeções para a safra, com a amplitude entre as estimativas ultrapassando 12 milhões de sacas, indo de 58 milhões de sacas, de acordo com a Conab, até volumes superiores a 70 milhões de sacas, de acordo com organizações privadas. A StoneX divulgará amanhã (20/02) suas projeções oficiais para a safra 2024/25.
Apesar de todos os problemas climáticos, a perspectiva de uma safra maior em 2024 contribui para um otimismo de que o balanço de oferta e demanda seja mais folgado na próxima temporada, pelo menos para o café arábica, já que o café robusta deve seguir com oferta limitada, enquanto a produção na Ásia não se recupera. Os estoques certificados de café arábica também serão monitorados de perto, já que caso os estoques avancem mais, isso teria um viés baixista para as cotações em Nova Iorque. Por outro lado, os estoques de café robusta deve permanecer pressionados devido aos problemas de oferta do tipo na Ásia.






