• Café arábica fechou em US¢ 391,40/lb na ICE, com alta semanal de 3,8%
• Café robusta avançou 2,2%, fechando a USD 55115/t na bolsa de Londres
• Dólar teve queda de 0,2% na semana, para USDBRL 5,73
• Oferta reduzida continua dando suporte aos preços futuros de café
• Gargalos logísticos tem sido um desafio para empresas do setor
• Modelos apontam para amplos volumes de chuva no cinturão cafeeiro
• StoneX divulgará no dia 28/03 relatório com as estimativas para a Etiópia
Os preços futuros de café arábica e robusta encerraram a última semana em alta. Sem alterações significativas nos fundamentos, o mercado continua encontrando suporte diante de um cenário de oferta limitada e das preocupações com a produção brasileira para a safra 2025/26.
Outro fator que contribuiu para a valorização dos preços, especialmente no fechamento da quarta-feira, dia 19, foi a queda do dólar. Desde meados da semana anterior, o dólar vinha em tendência de baixa no mercado doméstico brasileiro, iniciando a última semana em queda e fechando as três primeiras sessões com recuos significativos.
Na sexta-feira (14) da semana anterior, o dólar havia encerrado cotado a R$ 5,74. Após as quedas iniciais, chegou a atingir R$ 5,64 no dia 19, mas voltou a subir nos dias seguintes, terminando a semana com uma pequena desvalorização de 0,2% para USDBRL 5,73. Em Nova York, os preços futuros de café tiveram um incremento de 3,8%, alcançando US¢ 391,40/lb. Já em Londres, a valorização foi de 2,2%, com os contratos sendo cotados a USD 5515/ton.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 17/03 a 21/03

No mercado físico brasileiro, os preços do café também avançaram. O indicador CEPEA registrou um incremento de 2,36%, chegando a R$ 2.553,66 por saca para o café arábica, e de 0,3%, alcançando R$ 2.017,04 por saca para o café robusta.
O cenário atual tem sido desafiador para as empresas do setor cafeeiro. O elevado volume das exportações em 2024, num ano em que a produção brasileira não foi tão expressiva, resultou em uma queda relevante nos estoques internos, reduzindo a disponibilidade de café no país. Por outro lado, muitas indústrias vêm adotando o modelo de gestão just-in-time, operando com estoques mínimos. Nesse contexto de oferta apertada e preços elevados, essas empresas se veem obrigadas a adquirir café nos elevados níveis atuais.
Esse desafio também se reflete nas empresas dos países importadores. Assim como no Brasil, a indústria no exterior também tem operado com estoques reduzidos. E um fator que tem agravado essa situação são os gargalos logísticos enfrentados pela cadeia cafeeira. O próprio Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) já divulgou diversos desafios logísticos que dificultam as exportações brasileiras. Situação semelhante ocorre em outros países produtores. Considerando que a indústria trabalha com estoques mínimos, qualquer atraso ou problema logístico pode comprometer o fornecimento da matéria-prima, levando essas empresas a buscarem café no mercado spot — o que também contribui para a alta das cotações.
No que diz respeito à produção brasileira, há certa preocupação com o clima. Em fevereiro, algumas regiões cafeeiras registraram volumes reduzidos de chuva. No entanto, nos últimos 15 dias, a maior parte do cinturão cafeeiro recebeu volumes próximos de 50 mm de chuva, com exceção do extremo norte do Espírito Santo e sul da Bahia. Para os próximos dias, apesar de haver divergências entre os modelos climáticos, tanto o americano quanto o europeu indicam a ocorrência de volumes expressivos de chuva em praticamente todo o cinturão cafeeiro. Os mapas de anomalia de precipitação, que comparam a previsão com a média histórica, apontam para chuvas acima da média nos próximos 15 dias.
Previsão de chuva para os próximos 15 dias no Brasil (mm)

Fonte: RuralClima
Nas próximas semanas, o mercado deverá continuar reagindo ao cenário de oferta restrita, que segue como fator altista para as cotações. Além disso, os agentes continuarão atentos às questões logísticas, às condições climáticas e ao início da colheita no Brasil. A expectativa é de que a colheita de café robusta comece de forma mais lenta em algumas regiões a partir do final de abril, com o ritmo se intensificando apenas a partir de meados de maio.
Após a conclusão do trabalho de pesquisa de safra na Etiópia, a StoneX divulgará, na próxima sexta-feira, dia 28, seu relatório com detalhes sobre a produção de café no país, incluindo as estimativas para a próxima temporada.
TABELA DE INDICADORES


