• Contrato de maio em Nova Iorque caiu 2,9% na semana para US¢ 379,95/lb
• Robusta em Londres recuou 3,2%, encerrando a USD 5337/ton
• Café arábica caiu 1,7% no mercado físico brasileiro e o café robusta caiu 1,9%
• Oferta reduzida e gargalos logísticos mantêm suporte nas cotações
• Clima melhor e colheita próxima pressionam os preços
• Consumo global preocupa em meio à alta dos preços
• StoneX divulgará nova estimativa da safra brasileira em 2 de abril
• StoneX estima produção da Etiópia em 7,8 milhões de sacas
Depois de avançar na semana anterior, os preços futuros do café encerraram a última semana em queda. As cotações recuaram diante da melhora nas condições climáticas no Brasil, com os modelos meteorológicos indicando o retorno de volumes significativos de chuva no cinturão cafeeiro, além de um cenário climático mais favorável também no Vietnã. O Vietnã, segundo maior produtor mundial de café, está no período da florada e início do desenvolvimento dos frutos. Além disso, a valorização de 0,5% do dólar no mercado doméstico brasileiro também contribuiu para pressionar as cotações.
Em Nova York, o contrato mais ativo, com vencimento em maio, encerrou a sessão da sexta-feira, 28 de março, a US¢ 379,95/lb, o que representa um recuo de 2,9% em comparação com a sexta-feira anterior. Já em Londres, o contrato com vencimento em maio teve queda de 3,2%, fechando em USD 5337/ton. No entanto, os preços em Nova Iorque para o contrato de março tiveram um avanço de 1,8% desde o início do mês, enquanto as cotações do robusta apresentaram um balanço quase inalterado.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 24/03 a 28/03

Acompanhando o movimento de baixa no mercado internacional, os preços do café no mercado doméstico também recuaram. O indicador Cepea para o café arábica fechou a semana cotado em pouco mais de R$ 2.510/saca, o que representa uma queda de 1,7% em comparação com a sexta-feira da semana anterior. Já o café robusta terminou o mesmo período cotado em quase R$ 1.978/saca, um recuo de 1,9%.
Sem grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos, o mercado continua sustentado por uma oferta restrita, resultado dos estoques reduzidos e da menor produção na última temporada. Além disso, os gargalos logísticos seguem como um fator adicional de suporte aos preços.
Por outro lado, a melhora nas condições climáticas e a aproximação da colheita no Brasil — especialmente no caso do café robusta, que deve registrar um avanço significativo na produção na próxima temporada — trazem algum alívio para a preocupação com a oferta limitada, contribuindo para a pressão sobre os preços. Outro fator que mantém um viés mais baixista é a incerteza em relação ao consumo de café, em meio ao cenário de forte inflação no preço ao consumidor. No Brasil, a inflação do café torrado e moído ultrapassou 66% no último ano e segue avançando também na Europa e nos Estados Unidos, o que gera um certo nível de incerteza e preocupação.
Nas próximas semanas, serão acompanhados de perto os dados de exportação dos países para o mês de março, principalmente diante das preocupações com os impactos dos problemas logísticos. Também será monitorado de perto o início da colheita no Brasil, com expectativa de que ela comece de forma adiantada em algumas regiões.
É importante destacar que, no dia 2 de abril, a StoneX divulgará sua atualização das estimativas para a produção brasileira na safra 2025/26. Em 2024, entre os meses de agosto e outubro, a StoneX realizou uma pesquisa de safra e, no início de novembro, divulgou sua primeira estimativa para a safra 2025/26, que apontava para um avanço de quase 21% na produção de café robusta, estimada em 25,6 milhões de sacas, e um recuo de mais de 10% na produção de arábica, estimada em 40 milhões de sacas. No dia 2, será divulgado o relatório atualizado, após a equipe da StoneX retornar a campo entre os meses de janeiro, fevereiro e março, revisitando as regiões produtoras e coletando novas informações para a revisão das estimativas.
Nesta segunda-feira, a StoneX divulgou o relatório com as estimativas da produção de café na Etiópia para a temporada 2024/25. Vale lembrar que, naquele país, o ano-safra vai de outubro a setembro, então a safra 2024/25 teve início em outubro de 2024 e terminará em setembro de 2025. A Etiópia é o quinto maior produtor mundial de café e, considerando apenas a espécie arábica, é o terceiro maior produtor global. A StoneX realizou uma pesquisa de campo para acompanhar o desenvolvimento da produção e estimar o volume da safra 2024/25. As informações foram coletadas nas principais regiões produtoras: Oeste, Sudeste, Sul e Leste do país.
Na região Oeste, a maior produtora, a expectativa é de queda de 4,5% na produção, totalizando 3,4 milhões de sacas, devido à bienalidade negativa. Esse mesmo cenário se repete no Sudeste, com uma redução de 12,3%, para pouco mais de 900 mil sacas, também por conta da bienalidade negativa. O café arábica produzido na Etiópia apresenta a característica da bienalidade, assim como no Brasil. Já as regiões Sul e Leste vivem um ciclo de bienalidade positiva: o Sul deve registrar aumento de mais de 43%, alcançando pouco mais de 3 milhões de sacas, enquanto o Leste deve ter um incremento de quase 20%, chegando a 418 mil sacas. Desta forma, a produção do país em 2024/25 foi estimada em 7,8 milhões de sacas, um volume 9,7% maior que na temporada anterior. Leia o relatório completo aqui.
TABELA DE INDICADORES


