• Preços futuros de café caíram na última semana
• O mercado doméstico brasileiro também registrou queda nos preços
• USDA divulgou seu relatório dos adidos para mais cinco países
• Avanço na colheita tende a trazer alívio na oferta
• Modelos apontam para queda nas temperaturas no fim do mês
Na última semana, os preços futuros de café foram pressionados em meio à leve alta do dólar e ao avanço da colheita da safra no Brasil. Apesar da menor produção de café arábica, o forte incremento na produção de robusta compensou parcialmente as perdas do arábica. Além disso, o avanço da colheita deve trazer alívio, pelo menos no curto prazo, para o cenário de oferta restrita que o Brasil vem enfrentando.
Outro fator baixista foi a divulgação dos resultados financeiros de algumas empresas do setor, que mostraram queda na receita, o que pode indicar uma redução no consumo.
Em Nova York, o contrato mais ativo, com vencimento em julho, encerrou a sexta-feira (16) cotado a US¢ 365,65/lb, acumulando uma queda de 2.210 pontos (-5,7%). Em Londres, o contrato com vencimento em julho registrou queda de 6,9%, fechando em USD 4.865/ton. O par USDBRL teve uma semana volátil, encerrando a sexta-feira com avanço de 0,1%, cotado a R$ 5,66.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 12/05 a 16/05

Seguindo as movimentações no exterior, os preços do café no mercado doméstico brasileiro também caíram. O indicador Cepea para o café arábica recuou 2,2%, fechando em R$ 2.473,66/saca. Já o indicador para o robusta teve uma queda ainda mais intensa, de 4,1%, encerrando em R$ 1.519,40/saca. Os preços do robusta estão sendo pressionados pelo avanço da safra no Brasil, que deve atingir um volume recorde de 25,8 milhões de sacas em 2025, conforme estimativas da StoneX.
Ainda na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu relatório dos adidos para Colômbia, Nicarágua, Quênia, Costa Rica e El Salvador. De acordo com o USDA, a produção colombiana de café alcançou 13,2 milhões de sacas em 2024, representando um avanço de 2,3% em relação à estimativa anterior. Para 2025, o departamento projeta uma queda de 5,3%, para 12,5 milhões de sacas, justificando que o excesso de chuva foi o principal fator por trás da redução no potencial produtivo do país. Ainda segundo o USDA, as exportações colombianas devem recuar 4,1% em 2025/26, totalizando 11,8 milhões de sacas.
Para a Nicarágua, o departamento ajustou sua estimativa de 2024 para baixo em 4,7%, para 2,6 milhões de sacas, e manteve a produção inalterada para 2025/26. A produção no Quênia deve avançar 13,3% em 2025, totalizando 850 mil sacas. A produção na Costa Rica foi estimada em 1,2 milhão de sacas, representando uma queda de 9,9%. Já a produção em El Salvador deve crescer 6,4%, atingindo quase 600 mil sacas.
Estimativas do USDA divulgadas pelos adidos

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Do ponto de vista dos fundamentos, a perspectiva é de melhora na oferta no curto prazo, devido ao avanço da colheita da safra brasileira de café, o que tende a pressionar as cotações para baixo. Por outro lado, as preocupações com o clima podem dar suporte aos preços e gerar mais volatilidade no mercado de café.
Os modelos de previsão têm apontado para a chegada de uma massa polar ao Brasil no final de maio e início de junho. Embora ainda seja cedo para prever a ocorrência de geadas, as projeções indicam uma acentuada queda nas temperaturas, o que pode aumentar o risco de geada no país. Portanto, é extremamente importante acompanhar as atualizações sobre as condições climáticas no Brasil. Para mais detalhes, leia o relatório: "Frente fria provoca queda de temperaturas no Centro-Sul do Brasil".
Relatórios interativos de clima que você precisa acompanhar
Com relação ao ritmo de colheita, os dados da StoneX mostram que até o dia 19/05 aproximadamente 10% da safra de café no Brasil havia sido colhida, o que representa cerca de 6,5 milhões de sacas. O ritmo está mais lento do que o observado no ano passado, quando, neste mesmo período, cerca de 18% da safra já havia sido colhida. A colheita segue mais avançada para o café robusta, que já alcançou 16,5% (4,25 milhões de sacas). Por outro lado, a colheita do café arábica atingiu apenas 5,8% (2,24 milhões de sacas). As chuvas observadas ao longo do mês de abril são as principais responsáveis pelo atraso na colheita no Brasil.
Ritmo de colheita no Brasil

Fonte: StoneX.

TABELA DE INDICADORES


