• Preços do café caem; arábica recua 1,3% e robusta, 1,5% na semana
• Avanço da colheita no Brasil pressiona cotações internacionais
• Fundos reduzem posições compradas nas bolsas de Nova York e Londres
• Mercado interno recua 2,2% para arábica e robusta, segundo Cepea
• USDA projeta alta na produção da Tanzânia, México e Peru
• Dados parciais do USDA apontam maior produção em 2025/26
• Massa polar pode trazer risco de geada ao Brasil
Mesmo com a desvalorização do dólar, os preços dos contratos futuros de café encerraram a última semana em queda, refletindo o avanço da colheita no Brasil, o que traz um alívio para o cenário de oferta, ao menos no curto a médio prazo — como já antecipado em edições anteriores deste relatório. Neste contexto, os fundos especulativos também reduziram drasticamente sua posição líquida comprada nas últimas semanas.
Em Nova York, o contrato mais ativo com vencimento em julho recuou 465 pontos, o equivalente a 1,3%, encerrando a sexta-feira (23 de maio) cotado a US¢ 361,00/ libra-peso. Em Londres, o contrato julho caiu 1,5%, fechando o dia cotado a US$ 4.790/ tonelada. No mesmo período, o índice do dólar (DXY) recuou 1,8%, para 98,99 pontos, enquanto o par USDBRL apresentou leve baixa de 0,3%, sendo negociado a R$ 5,65.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

Acompanhando as movimentações internacionais, os preços do café também caíram no mercado interno brasileiro. Segundo o indicador do Cepea, tanto o café arábica quanto o robusta registraram queda de 2,2% na semana. O arábica encerrou cotado em pouco mais de R$ 2.418 por saca, enquanto o robusta ficou em torno de R$ 1.485 por saca.
Os fundos especulativos têm reduzido suas posições compradas nas bolsas de Nova York e Londres. No caso do café arábica, os fundos de gestão ativa em NY tinham, em 6 de maio, uma posição líquida comprada de 29,79 mil contratos. Essa posição caiu para 27,66 mil em 13 de maio e para 25,89 mil contratos em 20 de maio. Os fundos de índice também reduziram levemente suas posições, de 34,2 mil (06/05) para 33 mil contratos (20/05).
Posição líquida dos fundos em Nova Iorque (esquerda) e em Londres (direita) versus os preços futuros

Fontes: CFTC e ICE. Elaboração: StoneX.
Em Londres, os fundos reduziram sua posição líquida comprada de 16,7 mil contratos (06/05) para 14,2 mil (13/05), e posteriormente para 8,84 mil contratos em 20 de maio — uma redução expressiva de quase 5.400 contratos em uma semana.
O principal fator por trás dessa movimentação é o avanço da colheita no Brasil. Como já mencionado em edições anteriores, mesmo com a queda na produção devido aos problemas climáticos, especialmente para o arábica, o forte aumento da produção de robusta tem contribuído para um cenário menos preocupante em termos de oferta.
Segundo dados da StoneX, até 26 de maio, a colheita no Brasil já havia alcançado 16,6%. Apesar de ainda estar abaixo da média dos anos anteriores, o ritmo acelerado nas últimas duas semanas indica uma possível normalização nas próximas semanas.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
Na última semana, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou seus relatórios dos adidos para Tanzânia, México e Peru. Na Tanzânia a produção foi estimada em 1,5 milhão de sacas em 2025/26, alta de 7,4% sobre a temporada anterior. As exportações devem alcançar 1,4 milhão de sacas (+8,7%). Para o México o USDA estimou uma produção de 3,9 milhões de sacas (+0,9%) e exportação de 3,1 milhões (+4,3%) em 2025/26. No Peru a produção deve alcançar 4,2 milhões de sacas (+8,2%) e as exportações também 4,2 milhões de sacas (+8,1%).
Com base nos países para os quais o USDA já publicou dados — incluindo Brasil, Vietnã, Colômbia, Indonésia, Honduras, Uganda, Índia, Guatemala, México, Peru, Nicarágua, Costa Rica, Tanzânia, Quênia e El Salvador — estima-se que a produção conjunta desses países atinja 153,8 milhões de sacas em 2024/25 e 156,7 milhões em 2025/26, o que representa um crescimento de 1,9%.
Por outro lado, as exportações totais desses países devem cair de 123,7 milhões de sacas (2024/25) para 122,9 milhões (2025/26), uma leve queda de 0,7%. Vale destacar que esses números não incluem países pendentes, como Etiópia, China e Malásia, nem os que entram na categoria “Outros” nos dados do USDA. O relatório global consolidado de oferta e demanda será divulgado em junho.
Resumo dos relatórios dos adidos do USDA divulgados até o momento

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
O clima segue como fator de atenção. Modelos meteorológicos indicam a chegada de uma massa de ar polar nas regiões produtoras do Brasil no final de maio e início de junho, com potencial de queda acentuada nas temperaturas — especialmente na região Sul e em áreas de maior altitude.
Apesar de algumas atualizações dos modelos diminuírem o risco, a possibilidade de geadas não está descartada e deverá ser monitorada de perto nas próximas semanas. Recomendamos a leitura da matéria especial publicada esta semana: "Análise de ondas de frio no Brasil e a relação com o ENSO e o cenário atual".
TABELA DE INDICADORES




